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Crítica

Crítica: Punhos de Sangue

“Às vezes, a vida é como um filme. Às vezes, é melhor”. [Chuck Wepner]

Para os amantes do lendário Rocky Balboa, chega às telonas, no próximo dia 25 de maio o filme “Punhos de Sangue”. Baseado em uma história real, a obra conta quando, como e quem foi a inspiração do lendário pugilista interpretado pelo célebre Sylvester Stallone.

No original, “Chuck”, a produção já traz suas particularidades no título, visto que a princípio chamar-se-ia “The Bleeder”. Mas por um receio de que o filme fosse confundido com o gênero de terror e não como o drama que o compete, o diretor optou por essa mudança de nome para que não houvesse mal-entendido.

Posto isso, outra curiosidade é que alguns atores foram convidados ainda na sua fase de desenvolvimento. Tais nomes como Christina Hendricks – de “Te pego na saída” -, Naomi Watts – de “A fortaleza de vidro” – e Liev Schreiber – de “X- Man Origens: Wolverine” – já eram nomes certos antes mesmo da obra tomar forma. Aliás, Liev já tinha experiência no papel de lutador, porque havia atuado no filme “Hurricane- O Furacão”, em 1999.

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Outros nomes de peso como Ron Perlman, Jim Gaffigan, Pooch Hall e Morgan Spector somaram-se ao filme, fazendo com que “Punhos de Ferro” fosse uma obra completa, bem estruturada, bem-acabada e com certeza uma ótima pedida para os amantes do gênero.

A direção é assinada por Philippe Falardeau, diretor e roteirista canadense que já foi premiado por outras obras no Toronto International Film Festival. Mas que infelizmente ficou fora da competição do Festival de Veneza de 2016 onde o filme deu seu pontapé de estreia.

O roteiro de Jeff Feuerzeig e Jerry Stahl vem contar a história de Chuck Wepner. Casado e pai de uma garotinha, Chuck é um simples vendedor de bebidas na cidade de New Jersey. Mas não é só com as bebidas que nosso herói ganha a vida. Amante e praticante do Boxe, ele vê sua história mudar completamente – para o bem e para o mal – quando recebe a proposta de lutar com nada mais, nada menos que Muhammead Ali.

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Na categoria dos pesos-pesados, Wepner tinha consciência que não sairia intacto dessa peleja. Mas entre fraquejar e desistir, e fazer história mesmo que isso lhe custasse alguns ossos quebrados, ele optou pela segunda opção e foi até 15º round com o até então campeão Ali.

Isso lhe custou um alto preço. Lutar com Muhammead não só lhe deu visibilidade – a ponto de servir de inspiração para um filme – como também fez com que seu lado menos altruísta ficasse mais visível. A fama trouxe-lhe sucesso e a separação da esposa.

Sem saber como lidar com as infidelidades do marido, Phyliss (Naomi Watts) leva a filha para morar com a avó. Ela até tenta uma reconciliação, mas Chuck não consegue mesmo suportar as agruras da fama. E quando ele começa a se envolver com bebida e drogas, seu casamento tem um fim derradeiro.

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Nem tudo são flores na vida do nosso protagonista e por isso “Punhos de Ferro”, não é só um filme sobre um filme. A obra traz à tona o tema como redenção e recomeço. E mostra que a vida tem seus altos e baixos e que a inspiração vem de onde a gente menos está esperando.

E com tantas alternâncias, a trilha sonora e o figurino tinham de fazer jus a essa montanha-russa de emoções, nos levaram direto para os anos 70. Todo aquele estilo calça boca-de-sino, óculos modelo aviador, casaco de couro e o típico “bigodón a la México” fizeram o expectador viver ou reviver uma ótima experiência. E como não poderia deixar de ser, a música tema de “Rocky Balboa” – Gonna fly now – deu aquela palhinha na obra de Falardeau.

Essa questão do figurino foi tão fustigante, que em um primeiro plano quase não reconhecemos Liev Schreiber, Christina Hendricks e Naomi Watts em seus respectivos papéis. A caracterização estava tão perfeita que as cores das roupas casavam, por exemplo, com a tonalidade dos cabelos dos atores-personagens. Que, inclusive, estavam quase todos voltados para um tom de ruivo. Ora vermelho vivo, sangue; ora um vermelho ferrugem. Com um “que” de originalidade, tudo harmonizou tão bem, que não sentíamos falta de nada.

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O cenário, típico da época, emprega tons de vermelho e amarelo. O que deixa tudo bastante uniforme e dá mais vivacidade as cenas. E por se tratar de um drama, essa jogada de cores vivas em comparativo à carga dramática que a história traz, faz com que o filme não seja só tristeza e tensões. Há uma comédia implícita nos papéis de paredes de florezinhas, ou no móvel antigo da quina da sala.

E antes que nos esqueçamos de falar, o filme tem um diferencial. Apesar da história ser linear, com início, meio e fim; o narrador que costuma estar quase sempre implícito, dessa vez bota as caras.  A história é toda contada em primeira pessoa pelo próprio Chuck Wepner. Isso faz com que haja uma certa cumplicidade entre locutor e interlocutor.

Saudosista matarão aquela que os mata, e os mais novos conhecerão o mito que deu voz a outro mito. Todo “era uma vez” tem seu começo e o de Rocky Balboa começou aqui.

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Érica nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro, mas deveria ter nascido nesses lugares onde se conversa com plantas, energiza-se cristais e incenso não é só pra dar cheirinho na casa. Letrista na alma, e essa bem... é grande demais por corpinho de 1,55 que a abriga. Pisciana com ascendente E lua em câncer. Chora quando está feliz, triste, com raiva e até mesmo com dúvida. Ah! É uma nefelibata sem cura.

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