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CríticaFilmes

Crítica: Sete Homens e um destino

Avatar de Daniel Gravelli
Daniel Gravelli
26 de setembro de 2016 5 Mins Read

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Quando o homem esquece a sombra por cima de seus ombros

Desde tempos imemoriais andamos em uma correria, cada uma dessas proporcional a sua época, sempre nos preocupando com o nosso próprio caminho, muitas vezes de forma egoísta, sem olhar as consequências. Escolhas que poderiam trilhar outra estrada, sem ser prejudicial aos outros, tornam-se impensadas atitudes que podem até transformar nossas vidas para melhor, mas alguns desses resultados regressam de forma brutal para outros envolvidos no mesmo círculo. Se não soubermos lidar com isso tudo, o tempo acaba virando a melhor solução. Afinal, como diz o provérbio português, “A Vingança é um prato que se come frio” e ninguém gosta de ficar paranóico olhando por cima dos ombros.

Quem nunca passou ou ao menos nunca pensou nisso?! Em dar a volta por cima, enxergar o mundo com outros olhos, alcançando um pouco mais do caminho que se encontra à nossa frente, pensando com certa antecipação. Não só o mundo passa seus dias a mirabolar pensamentos como esse, como presenciamos diariamente nos meios de entretenimento uma história que segue essa vertente. É inevitável, somos seres humanos! Alguns conseguem controlar essa ânsia, apelando para justiça, mas em determinados momentos, quando não obtém o retorno desejado, acabam aceitando a vingança como forma de pagamento.

O filme “7 Homens e um destino”, que estreiou na última quinta-feira nos cinemas brasileiros, e que traz os astros Denzel Washington, Chris Pratt e Ethan Hawke no elenco, aborda esse tema de forma voraz, traçando com segurança os níveis emocionais sofridos por cada uma das personagens. O filme é um remake do clássico de 1960, que trazia Yul Brynner, Steve McQueen, Charles Bronson, James Coburn e vários outros grandes nomes no elenco, e, consequentemente uma adaptação de outra renomada obra, “Shichinin no samurai”, conhecida no Brasil como “Os Sete Samurais”, dirigido pelo brilhante Akira Kurosawa.

O filme de 2016, segue a mesma linha dos demais com uma história inspirada um pouco na tática da “Arte da Guerra” de Sun Tzu, na qual trabalha em cima de estratégias contabilizadas para combater um inimigo em comum. No caso dessa produção, moradores de um vilarejo são amedrontados por um homem rico que os ameaça de morte afim de roubar suas terras. No desespero, depois de perder alguns entes queridos, são obrigados a abandonar o seu lar em busca de justiça. Contudo, o dinheiro fala mais alto e a justiça é um patamar quase impossível de alcançar. Obrigados a tomarem uma atitude um tanto quanto visceral, eles partem em busca de pistoleiros profissionais e os contratam para resolverem os problemas impostos pelo inimigo.14446534_1593250240969384_243135091_oProduzido por vários nomes importantes da industria, entre eles o mago Bruce Berman (Responsável pela produção de Matrix, Mad Max – A Estrada da Fúria, O Grande Gatsby e o recente A Lenda de Tarzan), o filme é uma aula de como fazer uma boa adaptação, trazendo jovialidade para um trabalho que já foi abordado de outras maneiras e surpreendeu o público desde sua primeira história contata.

O roteiro, como já foi citado, embora seja um remake e tenha também se inspirado na obra prima de Kurosawa, possui suas liberdades poéticas como a mudança de nomes de personagens e construção estrutural do texto. Os roteiristas Richard Wenk (responsável por “O Protetor” e “Os Mercenários 2) e o jovem no mercado Nic Pizzolatto, que possui apenas experiências como roteirista de séries, conseguem aprofundar na narrativa da trama, deixando-a bastante interessante para os tempos atuais, sem perder o estilo e dinamismo que marcou época nos mais importantes filmes de faroeste.

Antoine Fuqua, que recentemente realizou um ótimo trabalho em Nocaute, mantém a boa forma dos tempos de “Dia de Treinamento”, projeto esse que também desenvolveu ao lado de Denzel. A agilidade da câmera do diretor nos remete a uma criança com um brinquedo novo, testando sem medo de errar. E, nesse caso, Fuqua consegue executar a “brincadeira” com sucesso, combinando grandes planos abertos que ajudam transformar a fotografia, com ângulos bem colocados que capturam com cuidado a comoção de cada cena. Um ponto que pode ser negativo para algumas pessoas, é que alguns enquadramentos escolhidos pelo diretor são rápidos e quase desnecessários. Todavia, não compromete a produção em um todo.

O italiano Mauro Fiore é o responsável por uma fotografia impactante que nos carrega em velocidade para  data em que se passa o filme. Parceiro do diretor de longa data, Fiore desenvolve uma iluminação quente, partindo do amarelo envelhecido, para criar o calor e o clima árido da época. O contraste de sua luz com os tons em Cinza, a cor marrom e o preto do figurino de Sharen Davis (Django Livre) e da direção de arte de Sean Ryan Jennings (Jogos Vorazes) e Leslie McDonald (Forest Gump), deixa tudo ainda mais verossímil. Juntos conseguiram conceber um genuíno trabalho de arte. O mesmo só pecou na maquiagem que pareceu pouco detalhista e um tanto desleixada, deixando os dentes de alguns atores tão brancos e limpos que pareciam ter acabado de sair do dentista.

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O elenco é formidável e cai com uma luva para esse trabalho, funcionando desde a química entre todos até uma interpretação sincera e pontuada de cada um. Os destaques ficam por conta da dupla principal, Denzel Washington e Chris Pratt, que conseguem equilibrar a comédia e o drama com lucidez. Porém, Vincent D’Onofrio e Haley Bennett também merecem reconhecimento por ressaltarem e roubarem várias cenas. Bennett além de arrancar suspiros dos marmanjos no cinema, mostra um singelo e absoluto trabalho de interpretação, mantendo-se firme perante a tantos atores conhecidos. Já D’Onofrio, apresenta uma de suas grandes interpretações na pele do enlouquecido Jack Horne.

O mestre James Horner é o criador da poderosa trilha sonora usada no filme, entretanto a mesma foi finalizada por Simon Franglen, devido a morte do compositor. Os dois conseguem apresentar um trabalho tão bom quanto o original, que acabou levando um Oscar pelo serviço.

“7 homens e 1 Destino” não chega a ser uma obra de arte, mas toma o ensejo com eficácia e restaura o bom faroeste que andava perdido há anos, abordando em sua história um tema que nunca envelhece. É um filme repleto de ação, com uma pitada de drama e comédia, que diverte o público e mantém o mesmo empolgado durante toda a sessão.

Produção
8.9
Elenco
8.5
Fotografia
7.9
Direção
8
Direção de Arte
7
Figurino
7.6
Trilha Sonora
8
Reader Rating1 Vote
8.6
8.5

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Tags:

AçãoDenzel WashingtonFaroeste

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é diretor e cofundador da Woo! Magazine, especialista em comunicação, storytelling e cultura. Com mais de 30 anos de experiência no mercado cultural como diretor, produtor, ator e roteirista, traz para a Woo! um olhar único sobre a arte e seu potencial de conexão humana. Escreve sobre entretenimento, comportamento e tudo que movimenta o cenário cultural brasileiro.

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