“O homem do castelo alto” é a série da Amazon que há pouco lançou sua segunda temporada em dezembro de 2016. Baseado no romance de Philip K. Dick, ganhador do grande prêmio Hugo, ganhou sua versão para a TV em 2015. Ano passado a série ganhou o Prêmio Emmy do Primetime: Melhor Design de Abertura e de Melhor Fotografia. Mas ainda que faça por merecer sua unidade deixa a desejar em partes.

A história narra uma realidade alternativa em que a Alemanha nazista e o Império japonês venceram a Segunda Guerra Mundial, colonizando quase todo o mundo e dividindo em dois polos distintos de E.U.A x U.R.S.S., mas de III Reich x Império Nipônico. Apenas isso já dá aos produtores um prato cheio de possibilidades, que realmente instiga o espectador a assistir a série. No entanto, a série demora a entrar nos trilhos.

No primeiro episódio já lançam um super personagem para agarrar a atenção do público, mas depois é praticamente abandonado. Muito poderia ser usado. Na verdade, a série poderia ser inteiramente baseada nesta nova figura. Mas procurou-se focar-se nos personagens que já existiam, que se dividem entre três da juventude e três da velha guarda. Infelizmente, os três primeiros são os principais, tendo apenas o alemão, Joe Blake (Luke Kleintank), algo a realmente a acrescentar de interessante ao contexto em que se está inserido com a história de sua origem. A série falha muitas vezes em dialogar com o universo que propõe, se arrastando por mais da metade da temporada com fugas, perseguições e cenas de ações não satisfatórias. Clichês desnecessários são usados, o que dá a entender que não souberam preencher o meio da temporada.

O mais interessante personagem, Nobusuke Tagomi (Cary-Hiroyuki Tagawa) e, no fundo, o principal é deixado um pouco de lado por grande parte da temporada numa busca por si mesmo, que é interessante, mas se prolonga demais para o grand finale. Nesta mesma linha, apenas o lado japonês consegue se fortalecer culturalmente. As questões do nazismo ficam ainda na esfera novelesca da família.

A série falha em dar poder às cenas mais dramáticas e com potencial, ignorando em muito uma introspecção maior de seus próprios personagens. No entanto, nos últimos três episódios, procura-se tirar o atraso e Frank Frink (Rupert Evans) finalmente tem seu momento, assim como Juliana Crain (Alexa Davalos), Inspector Kido (Joel de la Fuente) e ele, Obergruppenführer John Smith (Rufus Sewell). Com certeza, “O homem do castelo alto” testa a paciência do espectador, mas ao fim com uma cenografia incrível e um desfecho-conflito digno do cinema, recupera um pouco dos pontos perdidos durante mais da metade de sua temporada. A questão fica para se muitos aguentaram ver ate o fim para ter certeza ou se são tão fãs de Philip K. Dick que verão até o final para testemunhar o que farão com sua obra.

Por Paulo Abe

Crítica: The Man In The High Castle (2ª Temporada)
6.5Pontuação geral
Votação do leitor 1 Voto
8.0