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CríticaFilmes

Crítica: The Room

Oswaldo Marchi
15 de janeiro de 2018 3 Mins Read

The Room posterO cinema independente tem conquistado cada vez mais espaço no mercado cinematográfico, com produções com um cachê menor que a dos grandes estúdios, mas que geralmente apresentam uma visão artística forte e um resultado profissional. Porém, como inúmeros filmes já demonstraram ao longo dos anos, esse não é sempre o caso, e às vezes o produto final é algo caótico e incompreensível. O maior exemplo disso é o infame “The Room”, lançado em 2003 e considerado por muitos o “pior filme do mundo”.

Cabeceado pelo peculiar Tommy Wiseau, que dirige, escreve, produz e estrela, o longa teve uma produção problemática, com uma série de decisões erradas que elevaram os gastos a casa dos seis milhões de dólares, dinheiro fornecido pelo próprio Wiseau e de origem incerta até hoje. Eventualmente, a sua qualidade final chegou a um nível de infâmia tão grande que o filme alcançou o status de cult, o que possibilitou o lançamento de um livro sobre seu processo de criação, “O Artista do Desastre”, que foi adaptado para os cinemas em 2017.

A trama central de “The Room” é sobre Johnny (Tommy Wiseau), um banqueiro bem-sucedido que mora junto com sua noiva, Lisa (Juliette Danielle), que, por sua vez, está tendo um caso com Mark (Greg Sestero), o melhor amigo de seu futuro marido. Após escutar uma conversa de Lisa com sua mãe, Johnny começa a suspeitar da traição e as tensões começam a se elevar no apartamento.

Enquanto a premissa central é um simples triângulo amoroso, o roteiro é tão singularmente bizarro que é impossível apontar todos os seus defeitos. Tom inconsistente, cenas que acabam e começam do nada e diálogos mal escritos e sem naturalidade são a norma, além de várias subtramas que são apresentadas e depois ignoradas pelo restante do filme. O exemplo mais gritante é quando um personagem é revelado ser um usuário de drogas por um traficante para qual deve dinheiro. Nenhum desses fatos é mencionado novamente.

As próprias ações dos personagens não são nada verossímeis. Em uma cena, Mark fica irritado e, no meio de uma conversa, tenta matar um amigo o empurrando do terraço do prédio. Quando isso não dá certo, os dois voltam a discutir casualmente. Em outro momento, a mãe de Lisa revela que descobriu ter câncer de mama, um fato que nem ela e nem a filha (e nem o roteirista) parece achar de urgência ou significância, já que o assunto é esquecido imediatamente após ser trazida à tona.The Room 3 copy

Esses absurdos são atenuados pelas interpretações do elenco, que conseguem fazer o drama com menos emoção já produzido. Todos os atores, com algumas poucas exceções, entregam suas falas com o mesmo tom surdo e apático. E claro, não se pode falar de atuações sem mencionar Tommy Wiseau, que é um dos elementos mais únicos do longa, e o motivo de sua inusitada fama.

O ator-diretor é uma pessoa tão caricata que é quase impossível de levar a sério, principalmente pela sua falta de expressão facial, entonação morta e risadas em momentos inapropriados. Também é notável que Wiseau não lembrava muito bem suas falas, e por isso teve que se dublar em diversas partes da pós-produção, processo que é visível no produto final pela constante falta de sincronia e de mixagem de som.

A parte técnica, como é de se esperar, também é inepta. O uso de uma tela verde óbvia, com uma imagem fixa de São Francisco, no segundo set mais utilizado da produção se assemelha a uma sketch de comédia ao invés de um filme concluído, e a montagem é repleta de erros de continuidade e a direção também apresenta diversos planos fora de foco e mal enquadrados.

“The Room” é um desastre do começo ao fim, é entediante em alguns momentos e incompreensível em outros, mas ainda tem um charme estranho, principalmente por causa do carisma (ou falta de) de Tommy Wiseau. Talvez ele não mereça ser tido como “o pior filme do mundo” – ele não está nem presente na lista das piores notas do IMDB – mas com certeza é um das produções mais dignas do título “tão ruim que é bom”. É quase impossível resumi-lo em uma nota, pois apesar de ser horrível, é uma experiência cinematográfica incomparável.

Sinopse
Prós
Contras
2
Nota

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Tags:

Tommy Wiseau

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Me siga Escrito por

Oswaldo Marchi

Publicitário formado no Rio de Janeiro, tem mais hobbies e ideias do que consegue administrar. Apaixonado por cinema e música, com um foco em filmes de terror trash e bandas de heavy metal obscuras. Atualmente também fala das trasheiras que assiste em seu canal do Youtube, "Trasheira Violenta".

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One Comment

  1. Henrique Sarre Santana disse:
    3 de agosto de 2023 às 17:15

    o video esta fora do ar, tem como repostar?

    Responder

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