Crítica: All Things Must Pass – The Rise and Fall of Tower Records

Aqueles com mais idade ou com algum sentimento saudosista certamente devem sentir falta das lojas de discos. Locais frequentados por quem amava música e gastavam com ela parte significativa de seu tempo, hoje se encontram em declínio, praticamente extintas. Seja pela pirataria que a Internet passou a promover nas décadas mais recentes ou as plataformas de streaming, método mais moderno para distribuição musical, a mídia física, como a conhecíamos, passa cada vez mais a se fazer presente como recordação e memória para quem se importa com ela.

“All Things Must Pass – The Rise and Fall of Tower Records” é um documentário que trata dessa questão. O filme acompanha a grande rede americana de lojas de discos “Tower Records” desde sua abertura, na década de 60, até seu fechamento, em 2006. Ao cobrir tantos anos de história, as mais diversas fases são mostradas aqui. Vemos o ápice dos discos de vinil, surgimento de CD’s e os problemas que as atualizações da indústria fonográfica trouxeram para ela mesma. O roteiro balanceia bem o que há de positivo e negativo no legado da “Tower Records”, sem ficar se lamentando ou precisando se vangloriar de seu valoroso passado. É um equilíbrio muito saudável que poderia entrar em xeque dado tema abordado. O que ajuda, nesse sentido, é o fato de que soma-se a narrativa do longa o próprio desenvolvimento de artistas e músicos pelo tempo. Aparecimento de novas tendências entre bandas e o que se produzia no mainstream ou no underground em determinados momentos.

O que é essencial e o documentário traz com força também é a veracidade de sua narrativa. Para isso, artistas como Elton John, que se dizia ávido cliente da loja, e Dave Grohl, ex-funcionário, dão seus depoimentos, que são repletos de emoção e verdade. Nomes grandes da música conferem um grau de importância muito relevante, já que eles próprios eram a peça fundamental disso. Por outro lado, ex-funcionários e indivíduos que poderiam passar anonimamente também tem seu espaço, e relatam o outro lado das coisas. Relatam como era trabalhar na “Tower Records” e isso nos faz olhar para ela como família para seus funcionários, não atuando apenas como empresa.

Nada disso seria eficaz, no entanto, sem o bom uso de imagens, vídeos e áudio. É notável o trabalho que se tem com material de arquivo, de todos os tipos e que torna esse filme um bom documentário. São utilizadas peças publicitárias de época, vídeos simples retratando o interior de filiais da loja e até mesmo trechos de reportagens que a referenciassem. Um sentido de grandeza é deixado de forma bastante explícita através dessas ferramentas. Muitos espectadores ainda podem contar com o fator de identificação, dada época retratada.

Ele deixa também, certa mensagem otimista quanto ao legado da rede que mostra. Imagens atuais de lojas ainda existentes no Japão são mostradas em sua conclusão e deixam o sentimento de que não é exatamente um ciclo se fechando por inteiro, mas de que aquilo que constrói-se com o tempo tende a perdurar conforme o tamanho de nossa obra. Talvez possa até soar e de fato seja pretensioso, mas bem se sabe que as coisas são líquidas na atualidade, e inclusive negócios.

Coordenado por quem sabe do que fala, “All Things Must Pass – The Rise and Fall of Tower Records” oferece bom entretenimento a quem se interessa pelo tema, ainda que o acabe extrapolando, eventualmente. É bem feito e mostra sagacidade já em seu título, ao fazer referência a uma canção de George Harrison e um álbum de David Bowie. Uma bela homenagem a quem frequenta ou esteve envolvido com as praticamente extintas lojas de música em mídia física.

Crítica: All Things Must Pass - The Rise and Fall of Tower Records
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