Crítica: Um homem de família

Uma tragédia familiar é sempre um argumento capaz de promover mudanças profundas no mais frio dos indivíduos. Essa receita (já um pouco clichê) de roteiro tem forte potencial para emocionar diversos perfis de expectadores. Nessa linha o novo longa estrelado por Gerard Butler – “Um homem de família” – chega às telas no dia 18 de maio, e promete ser uma opção interessante para quem gosta de dramas familiares.

O filme dirigido por Mark Williams (II) (“O contador” e “Um plano brilhante”) narra a vida do Headhunter Dane Jansen (Gerard Butler). Dane tem papel de liderança em uma empresa, comandando uma equipe de caçadores de talentos que fecham contratos com generosas taxas de serviço, acumulando milhões para sua empresa. Bom em seu trabalho, o personagem mostra um lado picareta e frio de desempenhar sua função, agindo sem culpa em transações que sabidamente prejudicarão pessoas de bem que confiam em seu trabalho. A lógica da empresa dirigida pelo mercenário Ed Blackridge (Willem Dafoe) é o lucro independente do custo. Esse custo, no entanto, não recai somente sobre os usuários por vezes lesados, mas também sobre os funcionários que precisam abdicar das vidas pessoais em prol do crescente patrimônio de Ed.

Dane segue e aceita esta lógica. Seu perfil workaholic ao mesmo tempo que o torna um dos melhores no que faz, também o afasta de sua família e (como consequência) do crescimento de seus três filhos pequenos. Entre as fortes demandas que sofre, Dane opta sempre por atender àquelas vindas de seu trabalho, justificando sua ausência em casa com um discurso raso de “patriarca provedor” que vai se tornando cada vez mais machista e autoritário.

Ao ser cotado para substituir Ed, Dane se envolve em um desafio com sua colega/concorrente Lynn Voguel (Alice Brie) e passa, então, a guiar sua vida ainda mais em função de seu trabalho. Como uma infeliz coincidência exatamente neste período seu filho é diagnosticado com leucemia, e sua rotina se torna um turbilhão de pressões e medos.

A direção de Mark Williams (II) atrelada ao roteiro de Bill Dubuque conseguem trazer um contraponto interessante entre a agilidade e o barulho do universo empresarial com o silêncio vazio do ambiente conjugal. A figura Dane, que é o elo entre ambos, aos poucos passa a misturar a conduta entre universos, e a se perder entre suas prioridades.

O longa discute, em suas entrelinhas, a importância da presença paterna na criação dos filhos. Mostra de forma sensível as carências sob a ótica da esposa, que vê o marido negligenciar a si e aos filhos; e sob a ótica do filho mais velho Ryan (Max Jenkings (II)). A forma como a relação familiar passa a mudar com a doença de Ryan expõe os vazios deixados por um pai ausente. E, neste ponto, o roteiro foi competente. Uma crítica que há de fazer, no entanto, é sobre a forma rápida como a vida pode recompensar uma pequena mudança de comportamento, trazendo a sensação de que aquilo que se faz de ruim ao longo de décadas pode ser redimido em poucas atitudes boas e honestas. Ainda que a ideia central seja bacana ao mostrar que as escolhas ditam caminhos, faz parecer que acertos valem mais que os erros (mesmo quando devastam outras vidas).

Movido pela paixão de Ryan, o filme apresenta uma visão romântica da cidade de Chicago, mostrando um pouco da história de alguns de seus prédios. O amor do menino ao universo arquitetônico é intenso e sensorial. Ao mostrar essa relação, de alguma forma também envolve o seu pai em um reencontro com a própria essência.

O trabalho de preparação dos atores também merece destaque. Não só por apresentar caras novas com interpretações consistentes, mas também pela atuação do pequeno Max Jenkings. E neste ponto, deve-se também contemplar o trabalho da equipe de caracterização para criação da figura do personagem Ryan.

O longa é emocionante mas com a pequena falha de ceder aos clichês em momentos importantes. Certamente é uma boa opção para assistir em família.

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