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CríticaFilmes

Crítica: Vidas à Deriva

Rodrigo Chinchio
1 de agosto de 2018 3 Mins Read

gBSR1FLu4g7D7ycdkV25i563RXkFilmes sobre sobrevivência e superação dos limites humanos são feitos há muito tempo. O cinema possui grande interesse nesse tipo de história, já que, quando contada da forma correta, possui grande impacto sobre o publico. Geralmente entramos na pele de um ou de vários personagens que precisam superar forças da natureza. Isso em um deserto, selva ou oceano. Ultimamente, os oceanos são os grandes vilões em filmes como “Mar Aberto” (2003), “Sobrevivente” (2012) e “Até o Fim” (2013), este último baseado em fatos reais. É comovente ver os personagens lutando pela vida, o que leva muitos espectadores aos prantos. Em “Vidas à Deriva”, o choro é ainda mais fácil, porque, além de se manter viva, Tami (Shailene Woodley de A Culpa é das Estrelas) também precisa cuidar da sobrevivência de seu recente e grande amor Richard Sharp (Sam Claflin de Como Eu Era Antes que Você), após o barco dos dois ser quase destruído por um furacão que os atinge no meio do oceano. No total foram mais de quarenta dias perdidos em um local fora da rota de navios e aviões, em uma época que a tecnologia de localização era menos competente (Tudo ocorreu em 1983).

Também baseado em fatos, “Vidas à Deriva” é angustiante nos momentos de tensão  contracenados por Woodley. É fácil notar que se trata de um projeto pessoal da atriz, julgando o nível de entrega que ela emprega ao papel (além, é claro, do fato dela ser  produtora do longa). O desespero de sua personagem é palpável, assim como sua dor e cansaço. Todos esses fatores tornam ainda mais difíceis as tarefas que ela precisa executar para evitar que o barco afunde. Porém, não é só na desgraça que o roteiro escrito por Aaron Kandell, Jordan Kandell e David Branson Smith se apoia. Pitadas de romance são adicionadas à receita quando nos são mostrados os primeiros encontros dos dois. Não se tratam de flashbacks, mas de linhas temporais distintas, intercaladas pela competente montagem. Então, se num momento nos encantamos com a leveza da vida íntima do casal, em outro, a cruel nova realidade retira qualquer sorriso que ainda pode estar em nossos rostos. Apenas no terceiro ato há uma sequência de flashbacks que, infelizmente, serve apenas como muleta para roteiro. Ou seja, faz Tami explicar por meio de suas lembranças algo que já foi mostrado em um momento anterior. Baltasar Kormákur não acredita na inteligência de seu espectador e prefere sobrecarregar a tela com as mesmas informações. Afinal, aparentemente, nós queremos tudo bem esclarecido. Incomoda também o fato da personagem narrar tudo que está fazendo mesmo que a câmera esteja bem próxima de suas ações. Talvez alguns dos produtores não acreditavam em um filme com extensos momentos sem diálogos.

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Independente desses pequenos deslizes, a força do filme se mantém em momentos simples, porém memoráveis: a discussão (sentados na proa do barco ainda no inicio e depois em seus destroços) sobre a variação de cor do crepúsculo, ou a felicidade pela descoberta de um vidro de pasta de amendoim servem como exemplos. São nesses momentos que sabemos que o amor é poderoso naquela história; ele se sobrepõe ao extinto de sobrevivência. É preciso que os dois fiquem vivos; que àquele amor continue; nada pode impedi-los. O caminho para que isso se realize é árduo e os perigos estarão presentes até o final, até porque a natureza é implacável em suas leis, e Tami sabe disso, pois vive integrada a ela. Sua vida livre, velejando pelo mundo, lhe trouxe grande entendimento dessas leis, o que torna “Vidas à Deriva” ainda mais interessante quando constatamos que o ser humano é extremamente insignificante perante as forças de um planeta vivo, que não se importa com nossa existência.

 

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Me siga Escrito por

Rodrigo Chinchio

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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