Ator de teatro, cinema e tv, ele agora se empenha também
com um projeto para internet

Nascido em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, o ator e produtor Rodrigo Zingano – como vários outros artistas – veio para o Rio de Janeiro em busca de uma oportunidade em que pudesse mostrar o seu trabalho. Desde 2010 na chamada “cidade maravilhosa”, Zingano participou de diferentes produções na televisão, cinema e teatro, se entregando a personagens diversos, cada um com sua complexidade.

Com formação iniciada no Tepa, conceituada escola de atores na capital gaúcha, e desenvolvimento na área da atuação trabalhado a partir variados cursos e workshops, ele conseguiu construir uma base de 11 anos de carreira com produções de destaque que envolve participações no Globo Esporte, Multishow, alguns comerciais e novelas das redes Record e Globo. De lá pra cá também integrou o elenco dos filmes “Homens da Pátria”, “Sombras e Sussuros” e “Cinzas e Café”, participou de uma série produzida pela Cesgranrio e da peça “Entre o céu e o inferno” – um drama psicológico que exigiu meses de preparação.

Nesses anos todos trabalhando como ator, e também produtor de projetos independentes, Rodrigo Zingano vem se mostrando um artista com sede de trabalho. Sempre estudando e tentando se aprimorar ainda mais nessa área, ele nunca para quieto e está sempre em busca de novos desafios.

Batemos um papo com ele sobre sua carreira, dificuldades e os trabalhos que está envolvido no momento. Confira abaixo:

Em cena no longa “Homens da Pátria” – Imagem: Divulgação/Homens da Patria

Danilo Andrade.: Como surgiu o seu interesse pela carreira artística?

Rodrigo Zingano.: Eu sempre tive essa vontade de ser ator, mas a minha timidez foi muito grande até a adolescência. Eu achava que não tinha a menor aptidão pra essa carreira. Embora tenha pedido pra minha família me colocar num curso de teatro, eles sempre falavam que eu não servia pra isso. Conforme fui amadurecendo, segui uma carreira totalmente oposta, no ramo hoteleiro, mas não sem antes ter tentado ser jogador de futsal e ter tido alguns negócios próprios. Entretanto, em meio a tudo isso, eu sempre mantive a vontade ali por perto e a ideia não saia da cabeça. Até que um dia eu não estava mais satisfeito com o rumo da minha vida e ao chegar pra trabalhar num hotel, fui simplesmente demitido. Foi um choque na hora porém, quando a ficha caiu, percebi que ali era o empurrão que faltava. Vi um teste pra um filme e fui fazer, sem nem mesmo ainda ter feito curso algum. Acabei passando. Vi que eu tinha “jeito” pra coisa e resolvi mergulhar de cabeça. 11 anos depois, cá estou.

D.A.: Você veio do Sul para o Rio de Janeiro em busca de uma oportunidade na carreira artística. Quais dificuldades você enfrentou nesse caminho?

R.Z.: Bem, quais dificuldades ainda enfrento, melhor dizendo! Num primeiro momento, a maior foi o fato de vir pra um lugar onde eu não conhecia praticamente ninguém, principalmente no meio artístico. O choque cultural, que é bem diferente do Sul, foi um dos primeiros impactos. A saudade da família, dos amigos, também fez mexer bastante comigo. Depois, veio a questão financeira, aqui é tudo muito caro. Eu diria que hoje seria um misto entre o financeiro e conseguir garimpar as oportunidades dentro da carreira. O meio é muito fechado, você tem de saber como e onde buscar os testes, os trabalhos. Enfim, pra quem pensa em seguir esse caminho, saiba que são muitas as pedras.

D.A.: O que você acha do atual momento vivido pela cultura em nosso país? Na sua opinião, o que poderia melhorar?

R.Z.: Olha, estamos vivendo um momento muito complicado, e não é de agora. A forma como as coisas tem mudado nos últimos anos é de ser preocupar. Os atores brasileiros nunca foram valorizados como deveriam, agora menos ainda. O povo tem um grande apreço por tudo que vem de fora, idolatram os artistas de lá, mas desprezam muitas vezes os daqui – basta ver o tempo que um filme brasileiro fica em cartaz. Há uma distorção em relação às leis de incentivo. Dentro delas existem grupos mais privilegiados que outros, e isso não é legal, pois muitos projetos bons acabam sendo engavetados e oportunidades são perdidas com isso. É necessário mudar isso, dar espaço para que essas produções possam também ser favorecidas.

D.A.: Desde que começou na carreira, viveu algum papel que trazia uma construção desafiadora?

R.Z.: Todos os meus personagens foram desafiadores, uns mais, outros menos. Contudo, o que mais me exigiu em termos psicológicos e físicos, foi o Assunção da peça “Entre o Céu e o Inferno”, de Daniel Gravelli, que esteve em temporada no Rio em 2015. Fora que também fui um dos produtores e isso deixou tudo ainda mais complexo. Foram meses intensos de preparação, de construção de um policial corrupto, assistindo séries e filmes pra ter referências e chegar no que o diretor queria. E acho que consegui! (hehehe)

Andressa Escobar e Rodrigo Zingano em cena da peça “Entre o Céu e o Inferno” – Imagem: Divulgação/Wallaroo Corp. (Crédito: Warley Venâncio)

D.A.: Recentemente, você lançou um canal no Youtude chamado “Coisas di Zingano”. Conta pra gente um pouco mais sobre esse projeto?

R.Z.: Coloco ali a minha visão sobre sobre determinado assunto, do meu jeito, sem muita enrolação, falo o que eu acho que devo. Não sigo um texto pronto, penso no que eu quero falar e nos principais pontos, e o que vai ao ar é bem espontâneo. Os assuntos são os mais variados, podendo ser sério ou não. Por exemplo, um dos vídeos é sobre o feminicídio, algo muito sério e que precisa ser falado.

D.A.: De onde veio a ideia de criar um canal?

R.Z.: Então… Eu custei a aceitar essa sugestão de um amigo. O mercado artístico tem mudado bastante e a mídia social vem influenciando muito nisso. Com isso, a forma como escalam os atores também vem sofrendo mudanças e tem muitos casting sendo feitos através dos números das redes sociais e também com os chamados “Youtubers”. Particularmente, eu discordo um pouco desse processo, pois muitos ali não tem formação pra atuação e não seguem essa área – o que tira a oportunidade de quem vem trabalhando muito por um espaço. Todavia, como quem manda é o mercado, resolvi me aventurar também. Confesso que ainda a contragosto, mas estou lá. Nesse momento o canal deu uma parada por conta de alguns trabalhos que estou fazendo, mas em breve vou voltar a gravar e lançar semanalmente. Espero fazer algo interessante para o público.

D.A.: Além de atuar, e agora ser youtuber, quais outras habilidades artísticas Rodrigo Zingano possui? Pretende mostrar alguma delas no canal?

Eu tenho que confessar…

Infelizmente eu não danço nada e canto menos ainda. Nao toco instrumento algum e nem sei sapatear. Não que eu não quisesse, mas simplesmente foi por falta de grana mesmo e tempo pra me dedicar a aprender essas outras habilidades. Adoraria aprender sapateado ou tocar um violão, ser um pé de valsa. Quem sabe mais pra frente, não é mesmo? Se tiver algum curso que queira me dar uma bolsa, estou aí… (rsrsrs)

D.A.: Mesmo com o canal, sua carreira de ator continua. Sabemos que você participou da novela “Jesus” da Rede Record. Conte um pouco mais sobre isso.

R.Z.: Foi uma experiência maravilhosa! Mesmo sendo uma participação pequena, eu gostei muito. Gravei com o Dudu Azevedo, que fez o Jesus. Coincidentemente, foi com ele também a minha primeira participação na Record, na novela “O Rico e Lázaro”. A cena foi muito emocionante.

D.A.: A Netflix lançou, recentemente, a segunda temporada de “O Mecanismo”, na qual você também fez uma participação. Como surgiu o convite e como foi a experiência de fazer parte de um projeto que conta uma história que ainda está sendo discutida Brasil a fora?

R.Z.: O convite veio através da produção de elenco da série. Foi uma surpresa, pois eu nem esperava mais. Já havia mandado meu material de ator alguns meses atrás, quando de repente… o telefone tocou.

A experiência de participar de algo que ainda está acontecendo, que você viu e está vendo acontecer, é totalmente diferente. Você está fazendo parte da história, mesmo que na ficção. Durante a filmagem, pude trocar boas ideias com os outros atores da série, é sempre bom ter essa troca, aprender.

D.A.: Você está gravando o longa metragem “Looping”. Do que se trata o projeto e qual é o seu personagem?

R.Z.: O roteiro é assinado pelo diretor geral da Comnic – Companhia de Atores, Luiz Duarte. A narrativa do filme é o resultado de 15 histórias, que vão se sucedendo, uma após outra, num “looping” em forma de cachoeira, quando uma história deságua na seguinte. Sempre no final da trajetória de uma das personagens, esta modifica para sempre a vida e o destino das personagens anônimas posteriores a ela. Funciona como um espelho da própria vida, no qual nós mesmos, a cada instante, estamos modificando a vida das pessoas a nosso redor – seja para o bem ou para o mal – e sempre de forma não intencional. Em “Looping”, cada uma das histórias tem uma densidade emocional muito alta, alternando o drama e humor constantemente.

Meu personagem é o Tony. Ele faz parte de uma família que pertecence, digamos, a um tipo de máfia que controla a política em âmbito mundial. Só que ele se apaixona por uma mulher e, pra ficar com ela, ele quer sair dessa organização. Contudo, as coisas não serão nada fáceis pra ele conseguir isso.

D.A.: Quais são suas inspirações como ator?

R.Z.: Em relação aonde eu quero chegar, minha inspiração é um misto de vários atores, como Wagner Moura, Rodrigo Santoro, Tony Ramos, Fernanda Montenegro, Rodrigo Lombardi, Lilian Cabral, Al Pacino, Tom Hanks, Antonio Fagundes, Alexandre Nero, Robert de Niro e tantos outros. Bebo um pouco da fonte de cada um, dos caminhos de cada. É uma alegria tão grande quando vejo eles em cenas memoráveis, que parece que sou eu lá fazendo. E um dia quero estar nesse patamar, quem sabe sendo a inspiração pra algum novo ator.. (hehehe)

D.A.: E o que vem por aí no futuro? Fala pra gente o que poderemos esperar dos próximos trabalhos?

Então, estou envolvido em alguns novos projetos aí pra frente. Tem um curta metragem que vou gravar em breve, que fará parte de uma trilogia, juntando-se a outros dois que já foram gravados. Tem também a volta da peça “Entre o Céu e o Inferno”, que está procurando pautas e mais alguns trabalhos que ainda não posso falar. (rsrsrs).