Drag queen, cantora, compositora, atriz, dubladora e apresentadora, a artista construiu uma trajetória marcada pelo talento e pela versatilidade, transitando por diferentes segmentos da arte e da cultura brasileira
Daniel Garcia, o artista por trás do glamour e da persona Gloria Groove, nasceu cercado pela música e pela televisão. Sua mãe, Gina Garcia, é cantora e foi backing vocal do grupo de pagode Raça Negra durante 29 anos. Ainda criança, Daniel teve contato com o grande público ao integrar a Galera do Balão, última formação do grupo infantil Balão Mágico, dando os primeiros passos de uma carreira que anos mais tarde ganharia novas proporções.
O artista também construiu uma trajetória na dublagem. Daniel emprestou sua voz a diferentes personagens ao longo dos anos, entre eles Chase, da animação “Patrulha Canina”. Em 2019, também dublou o protagonista de “Aladdin”, na versão brasileira do live-action da Disney.
Na transição entre a adolescência e a vida adulta, Daniel descobriu na arte drag uma nova forma de expressão. Em meio às descobertas pessoais, aos dilemas da vida adulta e às questões relacionadas à própria identidade, encontrou na criação da persona Gloria Groove uma maneira de transformar experiências em arte.
A carreira musical começou a ganhar força em meio à efervescente cena de drag queens que passou a ocupar cada vez mais espaço na música brasileira. Gloria se aproximou de nomes como Pabllo Vittar, Lia Clark e Aretuza Lovi e decidiu investir profissionalmente na música.
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O artista também contou com o apoio do marido, Pedro Luís, com quem mantém um relacionamento há cerca de 11 anos. Ao longo dessa trajetória, Pedro se tornou um dos principais incentivadores de Daniel em sua dedicação à arte e à carreira artística.
O caminho escolhido também representava um desafio. Gloria iniciou sua trajetória musical principalmente no rap, gênero historicamente ligado à resistência, à representatividade e à expressão das periferias, mas que também enfrenta episódios de preconceito dentro e fora da própria cena.
Em 2017, Gloria Groove lançou “O Proceder”, seu primeiro álbum, apresentando ao público uma artista que não pretendia se limitar a uma única identidade musical. Daniel não entrava na música apenas com o próprio nome: levava consigo todo o glamour, a personalidade e a força de sua persona.
Gloria chegou à cena com impacto. Faixas como “Proceder”, “A Caminhada” e “Greta” ajudaram a apresentar a artista a um público cada vez maior e fizeram com que seu nome ultrapassasse as fronteiras da cena drag.

Mais do que o talento, Gloria passou a ser reconhecida pela coragem, autenticidade e liberdade com que constrói sua carreira.
E, como sua trajetória sempre esteve ligada a diferentes segmentos artísticos, Gloria também decidiu não ficar presa a um único gênero musical. Ao longo dos anos, passou pelo rap, pop, R&B, reggae e pagode, demonstrando uma capacidade de transitar por diferentes sonoridades sem abandonar a identidade construída desde o início da carreira.
Ao longo de sua discografia, Gloria também deu voz a sentimentos que encontraram identificação em seu público. “A Tua Voz”, “Suplicar”, “LSD” e “Eu Odeio o Dia 12” são exemplos de músicas que exploram diferentes formas de vulnerabilidade emocional e apresentam um lado mais íntimo da artista, marcado por vocais potentes e interpretações intensas.
A carreira também é marcada por grandes colaborações. Nomes como Ivete Sangalo, Preta Gil, IZA, Anitta, La Cruz, Carlinhos Brown, Pabllo Vittar, Aretuza Lovi, MC Cabelinho, Xamã, Negra Li, Valesca Popozuda, Sorriso Maroto e Iggy Azalea já dividiram trabalhos com Gloria Groove.
Entre as parcerias de maior repercussão está a colaboração com Ludmilla na “Lud Session”. A união entre as duas artistas ganhou enorme repercussão nas plataformas digitais e também nos palcos. Gloria e Ludmilla voltaram a dividir os vocais em apresentações especiais, incluindo o Réveillon de Copacabana, na virada de 2023 para 2024.
A versatilidade de Gloria também chegou à televisão. A artista comandou o “TVZ” e a oitava temporada de “Música Boa Ao Vivo”, programas nos quais recebeu diferentes nomes da música brasileira para apresentações e conversas sobre a produção musical do país.
Entre os convidados que passaram pelo “Música Boa Ao Vivo” estiveram artistas como Delacruz, Péricles, Fat Family, MC Hariel, Filipe Ret, Anavitória e Menos É Mais, entre diversos outros nomes.
As participações também permitiram que Gloria mostrasse uma de suas principais características: a capacidade de dividir os vocais com artistas de diferentes estilos e transformar essas apresentações em encontros musicais que despertaram a atenção do público.
Além da música, Daniel também se dedicou à atuação, integrando o elenco de projetos como a novela das seis da TV Globo, “Garota do Momento”, e a adaptação teatral brasileira do musical “Wicked” expandido seu talento para as telas de televisão e para o teatro.

A Importância da presença de Gloria Groove

Nos grandes festivais, Gloria Groove também consolidou seu espaço. A artista já passou por eventos como Rock in Rio, The Town e Lollapalooza, levando para grandes palcos uma carreira que ultrapassa as fronteiras do pop.
Gloria Groove também levou sua versatilidade para projetos especiais, como o Tiny Desk Brasil, cuja apresentação ultrapassou 1 milhão de visualizações no YouTube, tornando-se uma das performances mais assistidas da versão brasileira do projeto. No YouTube Music Nights, a artista revisitou seus próprios sucessos ao lado de clássicos da música, dando novas interpretações a músicas que já fazem parte de sua trajetória.
Sua presença em projetos ligados à cultura urbana e à representatividade LGBTQIAPN+ também reforçou a importância de sua trajetória. Um dos exemplos é o “Poesia Acústica #14”, projeto no qual Gloria retomou elementos do rap e do R&B presentes em sua formação artística e dividiu versos com nomes de diferentes gerações da música brasileira.
Daniel Garcia e Gloria Groove representam, em diferentes formas, o mesmo amor pela arte. Essa relação fica evidente em projetos que revisitam as origens da artista e transformam referências pessoais e culturais em música.
Um dos maiores exemplos é “Lady Leste”, álbum que resgata referências da Zona Leste de São Paulo, região onde Daniel cresceu. O projeto conta com a participação de MC Hariel e traz, em “Vermelho”, uma referência à obra de MC Daleste, reforçando a conexão de Gloria com a cultura e a cena musical da região.
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Anos depois, Gloria voltou a explorar outra importante influência musical em “Serenata da GG”. O projeto mergulhou no pagode e na música romântica e contou com participações de nomes como Alcione, Belo, Ferrugem, Thiago Pantaleão e Gina Garcia.
A escolha do gênero também dialoga com as referências musicais presentes na trajetória familiar de Gloria, especialmente pela ligação com sua mãe, Gina Garcia, que construiu uma longa carreira no universo do samba e do pagode.

Seu trabalho mais recente, o single “O Chá”, retoma o reggae, gênero que já esteve presente em diferentes momentos de sua discografia. A faixa integra um projeto que os fãs especulam ser o próximo álbum da artista e rapidamente ganhou destaque entre os lançamentos do ano, tornando-se um dos grandes sucessos de sua carreira recente.
Entre diferentes gêneros, palcos e personagens, Gloria Groove construiu uma trajetória que vai muito além da música. Daniel Garcia transformou experiências pessoais, referências culturais e diferentes formas de arte em uma das personas mais reconhecidas da cultura pop brasileira.
Do Balão Mágico à dublagem, do rap ao pop, do R&B ao pagode, da televisão aos grandes festivais, Daniel Garcia e Gloria Groove seguem construindo uma carreira marcada pela liberdade de experimentar.
Mais do que uma artista que transita entre gêneros, Gloria Groove se tornou uma das principais representantes da diversidade e da liberdade artística na música brasileira — e continua ampliando os espaços que uma drag queen pode ocupar dentro da indústria cultural.
Imagem Destacada: Reprodução/Instagram (@gloriagroove)


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