Hoje, vamos falar de mangá! E melhor ainda, uma obra de excelente qualidade totalmente produzida por brasileiros. Estou me referindo à Holy Avenger, uma revista que foi publicada mensalmente em 42 edições ao longo de três anos no início da década de 2000. A revista foi descontinuada, mas gerou algumas edições especiais, além de versões em outras mídias. E prêmios, claro, a série foi bicampeã do Troféu HQ Mix em 2001 e 2002 na categoria revista seriada.

Criada em 1998 por Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e J.M. Trevisan, e ilustrada por Érica Awano, “Holy Avenger” se passa num universo fantástico, mais especificamente no mundo de Arton, uma terra de fantasia medieval povoada com elfos, anões, deuses e artefatos mágicos.

Inicialmente este universo foi criado como uma aventura RPG para os sistemas Dungeons and Dragons e GURPS Fantasy. Inclusive o nome Holy Avenger foi inspirado em uma espada de mesmo nome usada por Paladinos em D&D. Devido ao sucesso da saga publicada na revista especializada em RPG, Dragão Brasil, Marcelo Cassaro decidiu transformá-la em uma revista em quadrinhos. Para isso, chamou a ilustradora Érica Awano que possuía um excelente traço de mangá.

O enredo básico da saga se dá em torno da personagem Lisandra, uma jovem de 19 anos criada na floresta, que está em busca de um parceiro que a ajude a encontrar os Rubis da Virtude. Com essa joia, ela deseja trazer de volta o herói Paladino de Arton que desapareceu tempos atrás. Em meio a um incidente no Palácio Imperial, Lisandra acaba conhecendo Sandro, filho do ladrão Leon Galtran, e se aproveita dele para conseguir o primeiro Rubi. Posteriormente, Sandro se torna aliado da poderosa e divertida elfa Niele com o intuito de, juntos, conseguirem encontrar os Rubis. Em uma trama paralela, Lisandra segue em sua busca pelas joias acompanhada de seu guardião Tork, um lagarto troglodita, mercenário e mal-humorado. Em meio às aventuras e desventuras destas duplas, surgem vilões poderosos como Mestre Arsenal, o sumo-sacerdote do deus da guerra Keenn e um dos principais rivais do Paladino.

Os roteiros escritos por Marcelo Cassaro são muito consistentes e criativos. Como a série nasceu de uma saga de RPG, área em que o autor é especialista, todo o universo é recheado de seres fantásticos, magia e tramas bem elaboradas. Os personagens diversos que surgem e desaparecem ao longo das histórias em arcos secundários tornam as tramas mais ricas e complexas. Mistérios e conspirações se alternam a momentos bem humorados e divertidos. Por tudo isso, Holy Avenger é uma diversão garantida para os fãs de RPG.

Se a saga de Lisandra se destaca por tramas bem elaboradas, é nas artes de Érica Awano que o título ganha ares de obra de arte. Embora não se considere uma especialista em mangá, o talento da ilustradora nesse estilo de quadrinhos é espetacular. Traços suaves e expressivos com uma riqueza de detalhes impressionante compõem cenas de ação de alto impacto visual e cenários deslumbrantes. A colorização em tons intensos dá ainda mais vida às HQs e a diagramação criativa dos quadros proporciona uma narrativa que flui facilmente. Enfim, só lendo pra entender tudo isso.

Além das 42 edições em formato americano, Holy Avenger ainda teve 6 edições especiais, um artbook e uma série de tiras denominadas “The Little Avengers” desenhadas no estilo Super deformed. Após o fim da série, as histórias contidas em “Holy Avenger” e “Holy Avenger Especial” foram publicadas em 6 edições encadernadas. Mais tarde, o incansável criador da série passou a publicá-la quinzenalmente pela editora Mythos sob o título de “Holy Avenger Reloaded”, mas a revista só durou 10 edições. Fora tudo isso, o universo da saga gerou projetos para um game e uma série animada, além de um cenário de Role Playing Game Tormenta.

As edições originais podem ser encontradas em bibliotecas, gibitecas, sebos e livrarias especializadas em quadrinhos. Já os especiais encadernados são bem mais fáceis de encontrar, inclusive em lojas online.


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Tercio Strutzel

Tercio Strutzel ama ler, escrever e desenhar histórias em quadrinhos. Foi editor do fanzine Paralelo, mas hoje quase não consegue tempo pra desenhar. Se especializou em Presença Digital, mas tem diversos projetos fervilhando na mente. Está sempre em busca de atividades culturais por São Paulo. Também é serial reader de Ficção, Fantasia e Terror e viciado em séries.

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