Novo formato Features aposta em vídeos horizontais, podcasts e episódios completos e já passou por testes com criadores no Brasil
Instagram está disposto a desafiar uma das regras que ajudou a consolidar nos últimos anos: vídeo de rede social precisa ser curto e vertical. A plataforma começou a testar nos Estados Unidos o Features, novo formato que permite a criadores selecionados publicar vídeos de 90 minutos em formato horizontal. A novidade é voltada principalmente a podcasts, entrevistas, programas de comédia, vlogs e outros conteúdos que normalmente encontrariam espaço no YouTube. O recurso já havia passado anteriormente por testes com criadores no Brasil.
A ideia vai além de simplesmente aumentar o limite dos vídeos. O Instagram quer transformar os próprios Reels em uma espécie de trailer para conteúdos maiores. Um criador poderá publicar um trecho curto e direcionar quem estiver assistindo para o episódio completo dentro da mesma plataforma. Segundo Tessa Lyons, vice-presidente de produto do Instagram, o objetivo é permitir que alguém encontre um trecho de podcast no feed e continue assistindo ao programa inteiro sem precisar sair do aplicativo.
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Instagram volta a olhar para o vídeo longo
A mudança chama atenção porque acontece depois de anos em que praticamente todas as redes correram atrás do modelo popularizado pelo TikTok: vídeos verticais, rápidos e pensados para consumo contínuo.
O próprio Instagram participou dessa transformação com os Reels. Agora, a empresa parece interessada em ocupar também o outro lado da experiência.
O Features utiliza formato horizontal e pode chegar a 90 minutos, duração suficiente para podcasts completos, entrevistas, especiais de comédia e episódios de programas produzidos diretamente por criadores. O Instagram também pretende recomendar esses conteúdos em áreas como o Explorar.
A estratégia coloca a plataforma novamente no território dominado pelo YouTube, principalmente porque o consumo de vídeos de criadores em televisores se tornou uma parte cada vez mais importante daquele ecossistema. O Instagram também trabalha numa experiência para TV, o que ajuda a explicar por que vídeos horizontais e mais longos voltaram ao radar da empresa.
Sim, o fantasma do IGTV voltou
Quem acompanha o Instagram há algum tempo provavelmente já viu esse filme.
A plataforma lançou o IGTV em 2018 justamente com a proposta de abrir espaço para vídeos maiores e competir com o YouTube. A experiência nunca conquistou o mesmo espaço que Stories e Reels e acabou sendo descontinuada alguns anos depois.
O cenário agora, porém, é diferente. Em vez de separar conteúdo curto e longo em ambientes distintos, o Features pretende utilizar o próprio alcance dos Reels para levar espectadores aos vídeos completos.
Essa conexão pode resolver um dos maiores problemas enfrentados pelo IGTV: convencer alguém a procurar deliberadamente uma área separada para assistir a conteúdos longos. Desta vez, o vídeo pode chegar até o usuário a partir de algo que ele já estava fazendo. Rolando o feed.
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A pergunta continua sendo: quem vai pagar os criadores?
É justamente aqui que o YouTube ainda possui uma vantagem importante. O Instagram não anunciou, por enquanto, um sistema de divisão de receita publicitária para o Features comparável ao modelo do YouTube. A empresa estuda possibilidades envolvendo anúncios antes ou durante os vídeos e formas de compartilhar essa receita com criadores, mas ainda não existe um modelo definitivo. Esse ponto pode determinar o futuro da experiência.
Permitir vídeos de 90 minutos é relativamente simples. Convencer podcasters, produtores e criadores a publicar seus programas completos no Instagram exige que exista alguma vantagem financeira ou de alcance capaz de justificar deixar de concentrar esse conteúdo em plataformas já estabelecidas. Ainda assim, o movimento mostra que a velha divisão entre “rede de vídeo curto” e “plataforma de vídeo longo” está ficando cada vez menos clara.
Depois de passar anos tentando fazer todo mundo produzir conteúdo cada vez menor, o Instagram agora quer descobrir se consegue fazer o público permanecer por uma hora e meia. E, dessa vez, sem mandar ninguém abrir o YouTube.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial


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