O documentário Squel – Confissões de uma porta-bandeira acompanha a trajetória de Squel Jorgea, porta-bandeira da Portela, e aborda os desafios da maternidade solo, a força feminina e os bastidores do Carnaval.
A rotina de uma porta-bandeira exige dedicação aos ensaios, preparo físico e domínio de uma técnica que envolve anos de aprendizado. Para Squel Jorgea, essa rotina ganhou novos desafios com a maternidade. Em “Squel – Confissões de uma porta-bandeira”, dirigido por Celina Torrealba e Zeca Brito, o público acompanha uma fase importante de sua vida, marcada pelas mudanças pessoais e pelo retorno à avenida.

Em 2022, Squel anunciou sua aposentadoria da função. No ano seguinte, recebeu o convite para defender o pavilhão da Portela e retomou o caminho que a levaria de volta à Marquês de Sapucaí no Carnaval de 2024, quando a escola apresentou o enredo “Um Defeito de Cor“. O retorno aconteceu em um momento diferente de sua vida, agora também atravessado pelas responsabilidades da maternidade.
Um dos aspectos que merecem atenção nessa trajetória é o fato de Squel ter voltado aos ensaios quando seu filho ainda era recém-nascido. A preparação para o desfile exige tempo e disposição, enquanto os primeiros meses de vida de uma criança demandam cuidados constantes. Conciliar essas duas rotinas representa um desafio significativo, especialmente para uma mãe solo.
O filme permite observar como a maternidade passa a fazer parte de suas decisões profissionais. A chegada de um filho modifica a organização do cotidiano, e a retomada de uma carreira artística exige adaptações que envolvem tanto a vida familiar quanto a preparação para o Carnaval. No caso de Squel, continuar na profissão significa encontrar uma maneira de conciliar essas responsabilidades sem abandonar uma trajetória construída ao longo de muitos anos.
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A força feminina aparece justamente nesse contexto. É importante reconhecer a determinação de Squel, mas também considerar as dificuldades que acompanham a maternidade solo. Muitas mulheres precisam administrar o cuidado com os filhos e as exigências do trabalho, frequentemente com pouco tempo para si mesmas. Por isso, a experiência da porta-bandeira permite uma reflexão que vai além de sua história individual.
Outro ponto importante é a relação de Squel com o Carnaval. A porta-bandeira tem a responsabilidade de conduzir o pavilhão da escola e representar sua identidade na avenida. Seu bailado exige técnica, equilíbrio, concentração e conhecimento de uma tradição transmitida entre gerações. A dedicação necessária para exercer essa função ajuda a compreender por que o retorno aos ensaios representa uma etapa tão exigente de sua trajetória.
Atualmente à frente do pavilhão da Portela, Squel também carrega a experiência de sua passagem pela Mangueira, duas escolas tradicionais do samba carioca. Sua carreira permite discutir o reconhecimento das mulheres que dedicam anos à cultura popular e o trabalho que existe por trás dos desfiles acompanhados pelo público.
O retorno pela Portela, em 2024, ocorreu com o enredo “Um Defeito de Cor“, inspirado no romance de Ana Maria Gonçalves. A obra aborda temas como escravidão, maternidade e memória da população negra brasileira. Essa relação amplia o contexto cultural em que Squel atua, embora sua experiência como mãe e artista tenha questões próprias que merecem ser observadas em sua singularidade.

A proposta do documentário ganha relevância ao acompanhar uma mulher em um período de mudanças, sem limitar sua trajetória à atuação na avenida. A experiência de Squel permite discutir a continuidade da carreira depois da maternidade e as condições necessárias para que mulheres possam conciliar o trabalho com a criação dos filhos.
Também é importante que a força feminina não seja compreendida como a obrigação de dar conta de tudo sozinha. A determinação de Squel merece reconhecimento, mas a maternidade solo não deve ser romantizada, nem a sobrecarga tratada como parte natural da vida das mulheres. A discussão sobre sua trajetória passa igualmente pela importância de apoio e condições que permitam a conciliação entre responsabilidades pessoais e profissionais.
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“Squel – Confissões de uma porta-bandeira” aproxima o público da experiência de uma artista que precisou rever seus planos e encontrou na Portela a oportunidade de continuar sua história no Carnaval. Ao abordar a maternidade e o retorno aos ensaios, o documentário oferece elementos para compreender os desafios enfrentados por mulheres que procuram preservar seus projetos profissionais durante as transformações da vida familiar.
Imagem destacada: Divulgação/Riotur (Crédito: Raphael David)



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