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Lançamento de Elza Soares é uma ‘Desconstrução em Massa’!

Elza Soares nasceu em uma das primeiras comunidades do Rio de Janeiro, hoje chamada de Vila Vintém. Filha de um operário que tocava violão nas horas vagas e de uma lavadeira. Com 12 anos seu pai obrigou a casar, tendo seu filho primeiro filho logo no ano seguinte. Elza participou de um show de calouros apresentado pelo músico brasileiro Ary Barroso, já que tinha o sonho de cantar e precisava comprar remédios para seu filho. Recebeu as maiores notas ganhando o concurso. No fim da década de 1950, fez uma turnê de um ano pela Argentina, juntamente com Mercedes Batista. A voz rouca se tornou sua marca registrada. Nos anos 2000 ganhou o título de “a melhor cantora do universo” dado pela emissora BBC em Londres. Elza Soares teve inúmeras músicas no topo das listas de sucesso no Brasil ao longo de sua carreira; alguns dos maiores sucessos incluem: “Se Acaso Você Chegasse” (1960), “Boato” (1961), “Cadeira Vazia” (1961), “Só Danço Samba” (1963), “Mulata Assanhada” (1965) e “Aquarela Brasileira” (1974).
O que você esperaria de um álbum lançado por alguém com esse gabarito em 2015? Uma desconstrução em massa, totalmente atemporal, parece um de seus melhores discos. Suas ideologias e pensamentos não acompanham o tempo e mesmo assim se encaixam perfeitamente para cada momento. É o trigésimo quarto álbum em estúdio!
Estamos passando por um processo de desconstrução da ideologia machista que permeia a nossa sociedade e claro que a grande Elza não poderia nos deixar sozinhos nessa. Com a produção nada menos que incrível de Guilherme Kastrup, A mulher do fim do mundo, é uma chacolhada em quem ainda insiste em dormir.
Muito samba, rap e beats perfeitos, sem tirar e nem por, fazem parte da mulher do fim do mundo. Machismo, violência, transexualidade, caos urbano.
Maria da Vila Matilde (Porque Se a da Penha é Brava, Imagine a da Vila Matilde), é a 3ª faixa do álbum e de cara vai mostrando porquê esse trabalho precisava ser lançado ao mundo, logo.
“Cadê meu celular?
Eu vou ligar prum oito zero
Vou entregar teu nome
E explicar meu endereço
Aqui você não entra mais
Eu digo que não te conheço
E jogo água fervendo
Se você se aventurarEu solto o cachorro
E, apontando pra você
Eu grito: péguix guix guix guix
Eu quero ver
Você pular, você correr
Na frente dos vizinhos
Cê vai se arrepender de levantar
A mão pra mim(…)”
Pra mulher do fim do mundo, violência doméstica, não passará. E mesmo que não pareça, é inspirador ouvir uma mulher cantar essa mensagem e permitir que ela fale com você.
O CD está cheio de histórias, frases, situações, momentos que traduzem nossos pensamentos.
Elza Soares é um dos maiores tesouros da música popular brasileira. E ainda está reluzindo.
Por Letycia Miranda

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