Em 1982 a banda Blitz lançava um compacto de vinil com uma única música: “Você não soube me amar”. Uns dez anos depois disso, essa que vos fala recebia tal disco de presente do pai. E para uma criança de sete anos que foi criada num ambiente recheado de Blues e muito Rock in Roll, dançar no meio da sala de camisola, com uma colher de pau na mão (era meu microfone) cantando a plenos pulmões “Ai blá blá blá blá blá blá blá blá blá, Ti ti ti ti ti ti ti ti ti…Você diz pra ela: Tá tudo muito bom (bom),Tá tudo muito bem (bem)…”, era o máximo que eu chegava do show business.

E nessa última sexta-feira, dia 03 de fevereiro a banda “Blitz” trouxe de volta todas as lembranças perdidas nos recôncavos da minha memória. Eu não tinha mais uma colher de pau na mão e nem estava de camisola. Mas junto com a Woo!, fiz questão de trazer para vocês tudo que rolou nesse show mega animado.

Depois de seis anos a banda nos traz um álbum novo e completamente irreverente. Com convidados pra lá de especiais e músicas com cernes políticos-romances-atuais; a Blitz mostra que ainda sabe fazer história e que o tempo só os fez bem.

Ainda mantendo ritmos que são sua identidade, pudemos contemplar um show que teve de tudo. Samba, Rock, Blues, Reggae e até uma palinha do Seu Jorge na flauta doce. Evandro Mesquita interagia com o público de maneira muito íntima. Era como se estivesse fazendo um show para todos os seus amigos, com outros tantos amigos como convidados especiais.

Nessa lista tivemos: Seu Jorge, como já havia dito, Jorge Israel (ex-Kid Abelha), Davi Moraes (filho do incrível Moraes Moreira), Flávio Guimarães (compositor e integrante do Blues Etílicos) e outros músicos que fizeram essa noite ser tão especial. O álbum Aventuras II que estava sendo lançado, também contou com outras participações ilustres que infelizmente não puderam estar presente, mas mesmo assim não deixaram de ser lembrados. (O que aconteceu com Zeca Pagodinho, que não pôde comparecer porque estava organizado os preparos para o seu aniversário).

Foi um show para o público sentado, o que não inviabilizou a noite dançante e agradável da galera. Um ponto aqui, outro ali, podíamos observar pés batendo no chão, mãos batucando as cadeiras, bracinhos levantados e bocas que não paravam de cantar.

Algumas almas mais corajosas se alojavam nos corredores, ou no fundo do teatro porque não se contentavam com o limite que a cadeira lhes dava. Dançar era preciso. Prestigiar a banda também!

Aliás como ponto positivo da noite (além da Blitz, claro), tenho que ressaltar a acessibilidade do Teatro Bradesco. Algumas pessoas do público eram portadoras de necessidades especiais e foram altamente bem atendidas. Sim! Foi uma noite para todos.

E para coroar o final do show, além do pot-pourri Blitz-Jorge Ben e Blitz-Bob Marley, tivemos a participação do ator Eri Johnson, que estava na plateia, e foi convidado a subir ao palco para fazer uma pequena imitação de Evandro Mesquita.

Foi um show para ninguém colocar defeito. E no final tinha tanto, mas tanto amor no ar, que a plateia – já em pé – terminou a noite aos abraços sob o som de “One Love” de Bob Marley.

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Kinha Fonteneles

Érica nasceu no subúrbio do Rio de Janeiro, mas deveria ter nascido nesses lugares onde se conversa com plantas, energiza-se cristais e incenso não é só pra dar cheirinho na casa.
Letrista na alma, e essa bem... é grande demais por corpinho de 1,55 que a abriga.
Pisciana com ascendente E lua em câncer. Chora quando está feliz, triste, com raiva e até mesmo com dúvida.
Ah! É uma nefelibata sem cura.

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