Protagonismo feminino e música negra são as bases do MIMO Festival, que oferece programação internacional gratuita em locais históricos do Rio de Janeiro e, pela primeira vez, em São Paulo, com 80 atividades durante seis dias

Se aproximando da sua 50º edição, acumulando 16 anos de estrada e mais de um milhão e setecentas mil pessoas de público, o MIMO, Festival Internacional de Música Inteiramente Gratuito, chega em 2019, mais uma vez, com artistas de peso de diversos cantos do mundo. Este ano, de 22 a 24 de novembro – semana da Consciência Negra, o MIMO Festival terá como palco, pela primeira vez, a Praça das Artes, o Theatro Municipal de São Paulo, o Centro Cultural São Paulo e o ícone da arquitetura religiosa da cidade, o belo Mosteiro de São Bento, na região central.

No Rio de Janeiro, o MIMO também ocupará pela primeira vez a Fundição Progresso, espaço que acaba de ser tombado como Patrimônio Cultural Imaterial do Rio, em reconhecimento à sua importância arquitetônica, histórica e cultural; o Museu da República e o Cine Odeon, de 29 de novembro a 01 de dezembro. Idealizado por Lu Araújo, que também assina a curadoria, o festival propõe destaque para a diversidade de estilos, foco na música negra e muita representatividade feminina, tendo 60% da programação 2019 composta por mulheres, questão cada vez mais importante para o festival.

O MIMO Festival conta com patrocínio do Bradesco, Certisign, Estácio, Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e Secretaria Especial da Cultura, Ministério da Cidadania e Governo Federal.

Imagem: Divulgação/MIMO Festival

Sempre afirmo que o MIMO é um festival feminino, de liderança e alma feminina. É democrático, inclusivo, inovador, multicultural e de vanguarda.“, explicita Lu Araújo. Sua extensa programação está voltada para a universalidade da música e reúne shows, filmes, poesia, workshops, palestras e um programa educativo de alto nível. Além de promover o turismo cultural e o incremento da economia de belíssimas cidades do Brasil e de Portugal.

Entre o MIX de estilos, sempre valorizando o intercâmbio cultural, sons do rap, blues, pop, rock, fado e muitos outros ritmos irão marcar presença. Compondo o time de artistas, nomes de notoriedade e diversidade ocupam a programação que possui line-up diferente nas cidades palco. São eles: diretamente da África Ocidental chegam ao Brasil Amadou & Mariam, o aclamado casal de artistas cegos do Mali, para apresentar a singular combinação de ritmos tradicionais africanos ao blues, pop e rock e que os alçou como referência mundial da música pop-africana. Amadou & Mariam já tiveram como produtores musicais artistas como Mano Chao e Damon Albarn, vocalista das bandas Blur e Gorillaz e se apresentam no Brasil com exclusividade no MIMO Festival São Paulo (23/11) e Rio de Janeiro (30/11).

Também da África, agora da região do deserto do Saara, a cantora e compositora Noura Mint Seymali (SP e RJ) acompanhada da inseparável “ardine”, instrumento que lhe ajudou a ganhar fama internacional, semelhante à harpa e exclusivamente tocado por mulheres no seu país. Mas não espere nada tradicional, Noura é a grande estrela contemporânea da Mauritânia e a sua música apresenta uma fusão psicodélica intrigante.

De Portugal vem Marta Pereira da Costa (SP e RJ), a primeira e única mulher profissional da guitarra portuguesa a nível mundial. Da prata nacional, a cantora e compositora baiana Xenia França (SP e RJ), referência na propagação da cultura Afro-brasileira e de empoderamento negro e feminino, mostrará porque foi indicada ao Grammy Latino 2018 pelo seu álbum de estreia, em duas categorias. De São Paulo, o rapper Edgar (SP e RJ), apresenta “Ultrassom”, disco que chamou a atenção do público, cheio de pulsações eletrônicas, rimas ácidas e estilos variados. Artista brasileira reconhecida na cena musical por suas pesquisas e melodias que carregam a identidade, feridas e tradições judaicas, Fortuna se apresenta em São Paulo acompanhada pelo Coro de Monges Beneditinos do Mosteiro de São Bento e o no Rio de Janeiro com o seu trio.

Imagem: Divulgação/MIMO Festival

Dois grandes instrumentistas atuam no MIMO 2019: Egberto Gismonti Quarteto (SP), um dos mais importantes nomes da música instrumental brasileira no mundo e Hamilton de Holanda (RJ), mantendo a tradição do festival em oferecer uma programação eclética e que oferece sempre lugar de destaque para a música instrumental.

Representando o melhor da música brasileira, o irreverente Jards Macalé (RJ), que concorre ao Grammy Latino 2019 na categoria de “Melhor Álbum de Música Popular Brasileira”, apresenta o seu elogiadíssimo álbum “Besta Fera”. A dupla Ana Oliveira & Sergio Ferraz convidam Marcos Suzano (RJ) para o lançamento do CD “Carta de Amor e outras histórias”, que contou com a colaboração de artistas, como Roberto Frejat e Egberto Gismonti e o próprio Marcos Suzano.

Garantindo lugar para as novidades musicais, o MIMO Festival recebe a instrumentista Luísa Mitre Quinteto (RJ), artista vencedora do Prêmio MIMO Música Instrumental 2018. A jovem mineira possui sonoridade marcada pelo equilíbrio e refinamento técnico, oscilando suas composições entre a classe da música de concerto e o balanço da música popular brasileira. Chico da Tina (SP), foi o artista vencedor da primeira edição do Prêmio MIMO de Música, em Portugal e um nome em ascensão em seu país. Com uma proposta meta-irônica do trap subvertido ao linguajar e costumes do universo da região do Minho, o artista contrapõe os estilos norte-americanos e lusitanos desafiando os limites do politicamente correto com um corajoso atrevimento lírico em suas músicas.

Investindo no contexto dos sistemas de som característicos da cultura Jamaicana e na promoção da linguagem do reggae como expressão contra a opressão sobre as questões de gênero, o coletivo de DJs Feminine Hi-Fi (SP), é focado na valorização da mulher e traz um formato de discotecagens com intervenções de cantoras, singjays e MCs no microfone. Já o DJ Montano (SP e RJ), é residente do MIMO desde 2015, promove em seus sets uma conversa entre a música brasileira e de outras partes do mundo. Ele também assina todas as intervenções de vídeografismos do festival.

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