Reunimos alguns bons filmes que torcemos que estejam na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo
A 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, marcada para o período entre 15 e 29 de outubro, já confirmou nomes de peso em sua programação (caso de “Tigre de Papel”, de James Gray), escolhido para abrir a edição comemorativa, e de “Minotaur”, novo trabalho do russo Andrey Zvyagintsev. Mas o ano de 2026 tem sido generoso demais com o cinema de festival, então haverá muito mais. Entre Cannes, encerrado em maio, e Veneza, que está com sua 83ª edição em cartaz até o dia 12 de setembro, uma safra e tanto de filmes aclamados ainda não tem presença confirmada na Mostra paulistana.
Esta lista é, portanto, um exercício de torcida: reunimos os títulos que mais gostaríamos de ver crescer o formato paulistano da Mostra, seja pelo prestígio dos prêmios conquistados, pela repercussão entre a crítica internacional ou simplesmente pelo nome dos diretores e atores envolvidos. Nenhum deles tem confirmação oficial até o momento, mas, historicamente, a curadoria da Mostra costuma buscar justamente esse tipo de título vindo direto da Croisette e do Lido, então a esperança é grande.
Fjord — o vencedor da Palma de Ouro
Difícil imaginar uma Mostra de 50 anos sem o grande campeão de Cannes 2026. Dirigido pelo romeno Cristian Mungiu, que já havia levado a Palma em 2007, “Fjord” reúne Sebastian Stan e Renate Reinsve em um drama que consolidou a sétima Palma de Ouro seguida da distribuidora Neon. É o tipo de vencedor consensual que o público paulistano adoraria discutir em sessão cheia.
La Bola Negra — a explosão queer que emocionou a Croisette
Vencedor do prêmio de Melhor Direção em Cannes (dividido com Pawel Pawlikowski) e dono de uma ovação de quase 20 minutos, o filme espanhol de Javier Calvo e Javier Ambrossi atravessa três décadas distintas (1932, 1937 e 2017) para reconstruir histórias de homens gays separados pela repressão e pela violência política, com ecos da obra inacabada de Federico García Lorca. Com Penélope Cruz e Glenn Close no elenco, é um dos títulos mais comentados do ano e faria bonito em qualquer mostra competitiva.
Parallel Tales — o retorno de Asghar Farhadi com estrelas francesas
O diretor iraniano volta a Cannes com um elenco de peso raramente reunido em um único filme: Isabelle Huppert, Vincent Cassel, Virginie Efira e Catherine Deneuve. Livremente inspirado em um episódio do Decálogo de Krzysztof Kieślowski, o longa acompanha uma escritora que passa a espionar os vizinhos em busca de inspiração, até que a linha entre ficção e realidade começa a se confundir. Mesmo dividindo opiniões da crítica, é um nome grande demais para ficar de fora do radar.
Bunker — Penélope Cruz e Javier Bardem juntos em Veneza
Um dos filmes mais aguardados da competição de Veneza 2026 reúne o casal Penélope Cruz e Javier Bardem em uma história de suspense construída em torno da construção de um abrigo subterrâneo. Com dois dos maiores nomes do cinema espanhol dividindo a tela, dificilmente passaria despercebido em uma sessão na Mostra.

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Primetime — Robert Pattinson sob a direção de Lance Oppenheim
Também na disputa pelo Leão de Ouro, “Primetime” marca mais uma escolha ousada de Robert Pattinson, que segue construindo uma carreira pautada por projetos autorais. A direção é de Lance Oppenheim, nome que vem ganhando espaço no circuito de festivais pela abordagem particular de temas contemporâneos.
Cavalo Selvagem Nove — Martin McDonagh reúne Sam Rockwell e John Malkovich
Depois de “Os Banshees de Inisherin”, Martin McDonagh volta com “Cavalo Selvagem Nove”, apostando de novo em um elenco afiadíssimo: Sam Rockwell e John Malkovich à frente. É um dos nomes mais cotados para a temporada de premiações que se aproxima, e justamente por isso um dos mais desejados para desembarcar em São Paulo antes da corrida do Oscar esquentar de vez.
Bucking Fastard — o retorno de Werner Herzog à competição
Werner Herzog, um dos cineastas mais influentes ainda em atividade, está de volta à competição de Veneza depois de anos, desta vez com as irmãs Rooney Mara e Kate Mara no elenco. Para quem cresceu assistindo “Fitzcarraldo” e “Aguirre”, a “Cólera dos Deuses”, ver um Herzog novo na telona da Mostra seria motivo de fila dobrada na bilheteria.
Torcendo pela confirmação
Com Cannes já encerrado e Veneza ainda distribuindo prêmios até o dia 12 de setembro, a expectativa é que a curadoria da Mostra de São Paulo continue anunciando novidades nas próximas semanas, e não seria surpresa se um ou mais desses títulos aparecerem na programação final. Até lá, fica a torcida: com uma edição de 50 anos pela frente, o público paulistano merece o melhor do que Cannes e Veneza tiveram a oferecer em 2026.
Imagem destacada do filme “A Bola Preta”: Divulgação/Netflix


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