Experimente jogar sem música e veja como pode um jogo épico perder a graça. A sensação de que falta algo ali. Ao menos, imagine. É claro que alguns games tem lá seus momentos de silêncio, mas assim como no cinema, a trilha sonora é utilizada com mais ou menos intensidade para ajudar a construir o clima ao se contar uma história. Cada um de nós tem suas “nerdices, mas num mundo em que alguns de nós até ouvia os esquecidos CD-ROMs dos anos 90-2000 nos (também) esquecidos CD-Players, somente para escutar as músicas dos jogos, não é de se espantar que crescessem comunidades virtuais e shows ao vivo de Game Music.

Um exemplo de comunidade virtual de Game Music é a OverClocked ReMix. Trata-se de uma organização fundada em 1999, com o objetivo de promover a música dos video games como uma forma de arte. Sua página, a OCRemix.org, reúne um acervo de milhares de faixas das trilhas de milhares de jogos, performadas por artistas independentes. Elas podem ser escutadas no canal de YouTube da OCRemix, mas também podem ser baixadas em seu organizado catálogo de álbuns – e tudo gratuitamente!

Há também músicos que trabalham sozinhos e conseguem sucesso com seus canais de YouTube, e um bom exemplo é o canal FamilyJules, com mais de 240 mil inscritos. O guitarrista Jules arranja e toca todos os instrumentos em versões Metal de músicas de jogos de seus games favoritos.

Mas, e se você pudesse sair da frente da tela para conferir tudo de perto? Também dá para ver essa magia toda ao vivo. OK: “magia” pode soar forçado, mas não é. Ouvir as trilhas sonoras de certos games ao vivo, com uma orquestra ou banda é muito mais poderoso do que parece ser em palavras. E é para isto que temos o concerto da Video Games Live, viajando pelo mundo desde 2005, vindo frequentemente ao Brasil!

O concerto foi idealizado por Tommy Tallarico e Jack Wall, combinando a performance de orquestra com arranjos de rock. Tallarico é um lendário compositor de Game Music, tendo em seu currículo a música de “Earthworm Jim” e “Advent Rising”, além de outros. Além de Tommy, a turnê traz sempre convidados já conhecidos, sendo presenças frequentes no palco nos últimos anos da turnê, como Russel Brower (Diablo 3, Starcraft II, World of Warcraft) e Laura Intravia, que surgiu viralizando na internet como o Flute Link.

O show brilha em sua interatividade com o público. Tommy apresenta o show, contando sempre com sua guitarra e seu carisma evidente nas conversas com a plateia. Antes, durante e depois do show, ele e o elenco sempre se mostram dispostos a ouvir o feedback dos fãs, além dos pedidos musicais para quando a turnê voltar à cidade.

Ele também é um fã confesso do público brasileiro, sempre guardando as estreias do repertório para nosso país, mesmo que isso custasse agradar públicos imensos e concertos importantes em outros locais do mundo.

É claro que no Brasil há também amantes da game music, que além de esgotarem prontamente os ingressos da VGL por aqui, sempre que anunciada (a próxima deve ser em novembro, com datas e locais a definir), também gostam de criar e tocar! Um exemplo é a banda Mega Driver, que pode ser encontrada em eventos geek, mas também no YouTube e Spotify.

É claro que a Game Music ainda não é reconhecida como um “produto”, então os músicos frequentemente contam com o apoio de fãs. A própria VGL já lançou álbuns usando de crowdfunding, e outro surgido recentemente foi o de Nathan McCree, compositor da trilha sonora da trilogia original de Tomb Raider.

Nos moldes da Video Games Live, ele fez o arranjo da apresentação Tomb Raider Suite, que foi apresentado em Londres no ano passado, como parte da comemoração dos vinte anos da série de games estrelada por Lara Croft.

E então? Tudo isso basta para te convencer a prestar atenção na game music? Tem a OCRemix com tudo de graça, e a MegaDriver e a Video Games Live estão aí nas plataformas digitais, como Spotify e iTunes!

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Cesar Rezende

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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20 thoughts on “Nerdice do dia: Game Music importa sim!

  1. Jogos e músicas são temas complicados para mim.
    Eu não costumo jogar nada e tem muitos anos que não paro para ouvir músicas. Acabo sabendo de algum lançamento pelo meu namorado ou em festas.
    Acho que preciso ouvir mais músicas.
    E realmente tem uns jogos que a trilha sonora é ótima.
    Beijos
    @maetoescrevendo

    1. Oi Letícia!

      Uma coisa legal de música de jogos é que tem muitas com som de orquestra, perfeitas pra ouvir lendo! Termina sendo interessante até para quem não joga!

      Grande abraço!

  2. Eu particularmente não jogo, mas acho bacana jogar e escutar música dá uma sensação boa. Já ouvi falar do canal FamilyJules no Instagram, Muito legal essa mistura da orquestra com arranjos de rock. Depois do seu post fiquei bastante interessada na game music é muito interessante, abraços.

  3. olá, bem eu não gosto de jogos mas as vezes eu jogo alguns e sinceramente nunca tinha parado para associar musicas e jogos kkkk tipo sempre jogava e ouvia as musicas mas nunca pensei nelas sem, legal gostei muito do seu post kkkk

    Beijoss

  4. Oi, tudo bem?
    Desde que joguei Undertale comecei a ficar mais exigente e para mim música importa sim em um jogo. Eu não conhecia a OverClocked ReMix. Preciso dar uma olhada. Game music proporciona uma emoção além enquanto a pessoa joga, fica mais eletrizante jogar assim. Mas sempre uso fones porque a música incomoda o pessoal. :/

    1. Ainda não joguei Undertale. Assim que vi seu comentário fui procurar o game e parece ser MUITO bom! Clima totalmente retrô nos gráficos e a trilha sonora me lembrou o Zelda do Nintendo de 8-bits!!

      E quanto às pessoas ficarem incomodadas, é meio chato, não? Mas a vantagem de ouvir em fones é que músicas de trilhas sonoras de games ou filmes tendem a ser MUITO imersivas, então dá pra viajar!

      Obrigado por comentar!
      Grande abraço!

  5. Que legal sua postagem falando sobre musicas de games, realmente não conhecia e achei bem interessante. Embora não seja muito de jogar games, as vezes trabalho com alguns tópicos nesta área. Abraço

  6. olá!
    Não sou muito ligada ainda nesse mundo dos games, mas meu filho já reclama quando eu peço para ele tirar o som dos jogos do tablet, então, entendo que com certeza faz muita diferença o som num jogo.
    Abraços.

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