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CríticaFilmes

Crítica: A Garota Dinamarquesa

Paulo Olivera
1 de fevereiro de 2016 3 Mins Read

era5hsYzjs4VC9Pac5IWWDVRFipO poder e a beleza da vulnerabilidade.

No dia 11 de fevereiro, chega aos cinemas nacionais “A Garota Dinamarquesa (The Danish Girl)” que está indicado ao Oscar de Melhor Ator, para Eddie Redmayne (que levou o mesmo prêmio no ano passado por “A Teoria de Tudo”), Melhor Atriz Coadjuvante, para Alicia Vinkander, Melhor Figurino e Melhor Design de Produção. Com roteiro de Lucinda Coxon e direção de Tom Hooper (“Os Miseráveis – 2012” e “ O Discurso do Rei – 2010”), o longa pode emocionar seus expectadores.

A trama é inspirada no livro ficcional, de mesmo nome, escrito por David Ebershoff e lançando pela primeira vez em 2000. Nele, conta-se a história do pintor dinamarquês Einar Wegener que se tornou o primeiro homem a submeter-se à cirurgia de mudança de sexo para se tornar Lili Elbe. Com o foco no relacionamento entre Einar/Lili e sua esposa, também pintora, Gerda, o longa conta a trajetória e a dualidade do casal afim de aceitar e se descobrirem como pessoas.

O roteiro adaptado, ou inspirado se preferirem, de Coxon não apresenta muita substancia narrativa para se contar a história. De fora trivial, mas com até bons diálogos, o encantamento pelo filme vem através da equipe, que trabalhou em cima do texto que lhes foi entregue e o transformou em algo de real valor. O poder do tema, tem como foco o desenvolvimento de uma história humana e fantástica, mas se apega ao melodrama.

Parte responsável pela transformação da qualidade é do diretor Hopper, que já nos emocionou com seus longas anteriores, trata a trivialidade do roteiro com delicadeza e atenção para que não se torne vulgar ou “mal contada”. O uso de texturas para exemplificar emoções e sensações ao expectador, o cuidado em estabelecer enquadramentos favoráveis às cenas e a pontuada direção para a atuação de seu elenco fazem de seu trabalho, mais uma vez uma tocante estrutura. Mesmo com excessos de cenas externas para ambientar a história, seu trabalho consegue se manter com uma boa execução.

O compositor Alexandre Desplat, deu à trilha sonora uma unidade melodramática cheia de sensibilidade e fugacidade. O filme, repleto de detalhes subliminares, fez com que tivesse uma casamento ideal com as melodias executadas. Existe a presença de uma dualidade entre o choro e o riso, entre a compreensão e a não aceitação do que é traduzido em imagens.

A garota Dinamarquesa

Se existe algo de impecável nos filmes de época dirigidos por Tom, são o Design de Produção, muito nominado no Brasil como Direção de Arte, e o Figurino. As indicações não são atoa e talvez sejam os grandes favoritos ao prêmio. Em sua cenografia há a presença do ausente, mesmo que os cenários apresentam composições, mobiliário e ornamentos, há sempre a sensação de vazio, como a vida de Einar/Lili. A palheta de cor apresentada é um mix entre tons frios e escuros à “glamurizadas” cores, como o dourado. Aplicadas nos ambientes e nas vestes do elenco, que apresenta cortes, estruturas e volumes presentes na época, essa composição fez com que a fotografia envelhecida de Danny Cohen se tornasse uma obra de arte para nosso deleite.

Mas algo que realmente se destaca, são as interpretações de Eddie e Alicia. Mesmo que ele tenha vencido o Oscar no ano passado por uma boa interpretação do físico Stephen Hawking em “A Teoria de Tudo”, em “A Garota Dinamarquesa” sua atuação é verdadeiramente uma condecoração. A notória sensibilidade aplicada para a criação de Lili, a delicadeza em seus movimentos e a não necessidade de usar falcetes, quando vestido de mulher, dá à ele uma inegável visibilidade em sua qualidade como profissional. Enquanto isso, a apaixonante Alicia traz uma carga dramática e uma compaixão em seu olhar, que há muito não se vê nos cinemas. A sua feminilidade e postura faz de Gerda um personagem tão tocante e cativo quanto o(a) próprio(a) protagonista.

Irão existir aqueles que não gostarão do filme por sua temática e outros por ser um drama leve, mas “A Garota Dinamarquesa” é uma exuberante obra ficcional, é sempre bom ressaltar isso, sobre uma história emocionante e real. Em tempos de revoluções pessoais e lutas pelos direitos de minoria, o longa reafirma a importância de ser e viver, mas não perecer.

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Tags:

Cinema

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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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