Crítica: Creed – Nascido para Lutar

O Retorno do Lutador

Em 1976, depois de rodar por vários lugares em busca de oportunidades, passar por situações financeiras complicadas e participar de alguns filmes, um ator ainda pequeno em Hollywood, consegue uma chance de ter seu filme produzido por um grande estúdio. O roteiro, escrito por ele, trazia um personagem realista, com aspectos parecidos com diferentes outras pessoas ao redor do mundo, incluindo ele mesmo. Esse mesmo roteiro, que chegou a ser rejeitado por diversos produtores, depois de realizado, foi indicado em 10 categorias ao Oscar, incluindo a de melhor filme, roteiro e ator, e tornou-se, em seguida, um dos grandes clássicos do cinema mundial. O nome do filme era “Rocky – o lutador” e o do ator e criador da história, Sylvester Stallone.

39 anos depois de ter sido indicado ao Oscar pela primeira vez, e depois de cinco sequências de Rocky, Stallone volta a interpretar sua personagem mais famosa na produção de “Creed – Nascido para lutar”, spin-of que serve como base para a continuação da Franquia sobre o lutador de boxe conhecido como “Garanhão Italiano”.

Aportando no mercado cinematográfico brasileiro em janeiro desse ano, o filme chega repleto de influências de seus antecessores e traz, dessa vez, um Rocky Balboa bem mais velho e experiente, como treinador de Adonis Johnson, ninguém menos que o filho do primeiro desafio de Balboa: Apollo Creed. Na história, Adonis nunca conheceu o seu pai que morreu antes dele nascer e, assim, vive em um reformatório até ser adotado pela verdadeira esposa de Creed. Entretanto, a sede pelo esporte está no sangue e ele cresce sonhando em se tornar um grande lutador. Depois de demitir-se de um emprego promissor, decide ir em busca de um treinador que possa ajuda-lo em sua carreira. Para isso, viaja até Filadélfia e conhece Rocky Balboa.

Produzido por Irwin Winkler, Richard Brener, Sylvester Stallone e outros nomes, “Creed” tinha tudo para se tornar o grande erro da franquia criada por Stallone, mas consegue ser superior aos cinco últimos filmes realizados, perdendo apenas para o original. Digo isso visando os aspectos criativos, contudo a nova franquia acaba sendo superior no que diz respeito ao desenvolvimento tecnológico.

O roteiro foi escrito à duas mãos, por Ryan Coogler e Aaron Covington. O primeiro teve uma boa experiência desenvolvendo o impactante “Fruitvale Station”, já Covington estreia com seu primeiro trabalho como roteirista. Embora muito bem estruturado com adversidades análogas a “eterna luta de Rocky”, novos e antigos personagens bem construídos, o mesmo falha ao desempenhar uma narrativa manjada e bastante batida. Todavia, ao abrir espaço para referencias aos demais filmes consegue se manter sem perder a qualidade.

O filme é dirigido pelo próprio Coogler que busca criar um estilo mais realista para história, com câmeras em movimento e pontuações emotivas com o uso do slow-motion (câmera lenta) em cenas que chegam a arrepiar durante a sessão. Um trabalho seguro e competente, principalmente por ser apenas o segundo longa do diretor.

O elenco principal é formado por um núcleo de três atores: Na ponta temos Michael B. Jordan, na pele do novo lutador. Embora, Jordan seja um bom ator, é impossível não compará-lo (mesmo que tenha um personagem diferente) a Rocky. Por essas e outras, o ator se perde nas cenas e não consegue desenvolver o seu trabalho da forma que deveria. Com a continuação da franquia, é provável que tenha uma chance de mostrar um outro lado de Adonis, podendo ser um Creed. Em seguida temos Bianca, a personagem feminina da trama, interpretada por Tessa Thompson. A atriz está bem, mas seu papel tinha espaço para ser melhor elaborado. Por fim, Rocky Balboa, vivido naturalmente por Sylvester Stallone. Sua personificação de Balboa é infinitamente superior ao seu trabalho no primeiro filme. Passamos todo momento torcendo para que ele tenha uma nova cena e nos impressione como a anterior. E, o melhor de tudo é que ele o faz com segurança e carisma.

A direção de fotografia fica a cargo de Maryse Alberti que, através de uma composição entre tons mais fechados, recupera a intensidade atmosférica de uma Filadélfia fria e obscura.

A cuidadosa direção de arte de Danny Brown e Jesse Rosenthal, por muitas vezes, nos ajuda a situar no universo do boxe de antigamente. O mais interessante é que, rapidamente, eles também conseguem trazer a visão do espectador para a atualidade. Mas, para isso, contam com um trabalho muito bem idealizado pelas figurinistas Antoinette Messam e Emma Potter.

A trilha sonora, desenvolvida e definida com cautela por Ludwig Göransson, demonstra a todo momento que trata-se de um novo filme, com nuances e estilo contemporâneos. Entretanto, ao inserir pequenas lembranças da antiga trilha, deixa claro que o mesmo precisa ainda passar por uma transição para que isso aconteça.

“Creed – Nascido para lutar”, não é somente um bom filme, é uma história de vida, sobre um personagem icônico que marcou uma época e continua presente. É a conexão entre o mito e o humano, as reviravoltas que a vida pode dar e os resultados que as escolhas certas podem trazer. É um filme para se divertir e emocionar. E, ainda por cima, nos premia com uma emocionante entrega de um dos atores mais queridos de Hollywood.

Crítica: Creed - Nascido para Lutar
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