Crítica: Deadpool

O sucesso merecido do mercenário tagarela

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“Deadpool”, o mais desestruturado e sarcástico personagem da Marvel, depois de ter um “test footage” liberado na internet, tornando-se um enorme hit nas redes sociais, enfim, chega aos cinemas no dia 11 de fevereiro em grande estilo, destronando vários outros filmes de heróis, e posicionando-se como o melhor e mais bem desenvolvido produto cinematográfico criado pela empresa até o exato momento.

O ator Ryan Reynolds nunca escondeu seu desejo de voltar a interpretar o ácido personagem, principalmente depois da tentativa frustrada dos estúdios em colocá-lo no filme “X-mens Origins: Wolverine” em 2009. Por isso, se envolveu por inteiro desde o início da produção proporcionando, juntamente com vários outros nomes, um projeto sólido, cheio de referências e ótimos efeitos especiais. Mantendo-se, assim, a altura do original criado para os quadrinhos.

Rhett Reese e Paul Wernick, roteiristas do filme, embora não sigam a risca todos os detalhes do surgimento do herói, ainda conseguem manter a fidelidade das personagens criadas por Rob liefeld e Fabian Nicieza, possibilitando-os emergirem para o cinema com sensatez. Com uma narrativa bem amarrada, o desenrolar da história acontece com “leveza” fazendo-nos apaixonar pelos diálogos perturbados e cada uma das cenas existentes no filme. E ainda mantém um ótimo trabalho com a quebra da quarta parede, colocando o espectador como cumplice direto do mercenário durante suas ações.

O estreante, em longas metragens, Tim Miller, não só aporta no cinema como diretor, mas como atravessa gigantes da indústria que adormeceram tentando construir uma boa direção para diversos projetos do seguimento que afundaram como fracasso ao chegar no mercado. Perspicaz, Miller mantem um trabalho seguro e afiado, proporcionando uma visão minimalista, repleta de planos e movimentos de câmera audaciosos, com o toque certo de câmera lenta que faz total diferença durante a projeção.

Deadpool (Ryan Reynolds) reacts to Colossus’ (voiced by Stefan Kapicic) threats.A escolha do elenco funciona quase que perfeitamente para história, tendo uma pequena ressalva em relação ao ator Ed Skrein, o qual mantém uma interpretação maçante na pele de Ajax. Sua assistente, Weasel, mesmo com poucas falas, torna-se mais interessante que ele no decorrer de toda história. A Brasileira Morena Baccarin, além de emprestar uma beleza escultural a personagem de Vanessa Carlyste, possui uma construção muito bem feita. No entanto, o Show é mesmo de Ryan Reynolds encarnando o personagem e seu traje vermelho. O ator está tão a vontade com a personagem que faz você sair do cinema querendo voltar para assistir mais cenas do filme com ele.

A fotografia de Ken Seng, juntamente com a direção de arte Nigel Evans e figurino de Angus Strathie, são tratadas de forma simples, todavia extremamente leais a história em quadrinhos. Focando o vermelho e preto como as cores principais da paleta, conseguem direcionar com precisão o seguimento artístico escolhido pela história.

A trilha sonora composta por Junkie XL é imprescindível do inicio ao fim, envolvendo-nos nas loucuras da personagem, enquanto mescla referencias açucaradas e satíricas. E isso sem perder, nem por um segundo, o ritmo da obra em si.

Cheio de deboches, lições com traços de insanidade, a chegada do anti-héroi nos cinemas tem tudo para ajudar a mudar o curso dos filmes do estilo, mantendo a qualidade que esse tem. Sem questionamento, Deadpool, é superior a muitos produtos do gênero, desde os créditos (Iniciais e finais) mais criativos dos últimos anos, o detalhado contexto e até o marketing realizado. Pode até não ultrapassar as maiores bilheterias, mas fará bonito e com direito a algumas chimichangas no final.

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