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Crítica

Crítica: O Abraço Da Serpente

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Uma “Poesia” em P&B.

No dia 18 de fevereiro, quinta-feira, os cinemas nacionais receberam outro filme indicado a Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Estamos falando de “O Abraço da Serpente (El Abrazo De La Serpiente)”, que pode dar o grande premio à Colômbia em sua primeira indicação.

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Numa representação humana, surreal e poética ao mesmo tempo, o longa nos apresenta a história de Karamakate, um poderoso xamã da Amazônia e o último sobrevivente de seu povo que vive em isolamento voluntário nas profundezas da selva. Contado historicamente em paralelo, a trama se desenvolve em duas épocas diferentes: a primeira quando Karamakate (Nilbio Torres), ainda jovem, ajuda Théo (Jan Bijvoet) a encontrar a Yakruna, uma planta capaz de curar sua enfermidade e fazê-lo sonhar. A segunda, anos mais tarde, ele tem basicamente a mesma missão, mas dessa vez Karamakate (Antonio Bolivar) levará Evan (Brionne Davis) em busca da mesma planta, trazendo-lhe suas antigas memórias, visitando os lugares por onde passou anos atrás e presenciando as mudanças ocorridas.

Repleto de licença poética e inspirado em alguns fatos reais, o roteiro de Ciro Guerra, que também assina a direção, e Jacques Toulemonde Vidal baseia-se nas obras praticamente biográficas do explorador e etnologista Theodor Koch-Grunberg e do etnobotânico Richard Evans Schultes, que foram de extrema importância histórica para o conhecimento mundial sobre as nações indígenas brasileiras e sul-americanas. Trazendo fatos marcantes dos primeiros anos de 1900, e repletos de questionamentos sociais sob uma ótica natural e surrealista, o roteiro nos entrega nada mais do que a própria força da selva impregnada em seu sofrido povo.

Por mais que se pareça estranho e até possa incomodar, retratar a amazônia em preto e branco não só é um desafio, como também uma ousadia na direção de Ciro. Ao lado do Diretor de Fotografia, David Gallegos, foi possível capitar uma Amazônia selvagem que há décadas não se via nos cinemas. Além disso, ele ainda soube equiparar perfeitamente os trabalhos dos atores profissionais com os demais atores do filme que não possuíam nenhuma experiência.

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Foto: Divulgação

Falar sobre belíssimas e cruéis passagens do filme sem dar spoilers também é um desafio. Mas é importantíssimo citar a representação do hediondo Ciclo da Borracha e da catequização forçada aos nativos sul-americanos. A força da linguagem que é entregue ao espectador é de tamanha maestria que no sentimos afrontados a essa loucura humana que consideramos ser apenas passado.

“O Abraço da Serpente”, infelizmente, não é um filme para o grande publico. Lírico e singular, ele nos dá uma fruição poética e intelectual sobre a formação de nossos povos, a perda de nossa própria (nativa) cultura e o triste desenvolvimento de nossa história. O abraço ser torna o rio por onde os personagens passam e serpente é o próprio ser humano.

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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