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Há quem não goste de flores vermelhas 

Mais uma adaptação de livro chega aos cinemas e dessa vez é brasileira. O livro “O escaravelho do diabo”, originalmente publicado em série na revista “O Cruzeiro” em 1953, e só depois em livro na saudosa Coleção Vagalume, em 1972. Quase 50 anos depois a história ganha sua versão para as telonas na direção de Carlo Milani.

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O filme se passa em Vale das Flores e aborda a vida de Alberto (Thiago Rosseti), um menino que encontra seu irmão Hugo (Cirilo Luna) morto, despois de ter recebido uma caixa com um escaravelho. Logo depois outras pessoas, ruivas como Hugo, morrem depois de receber o mesmo “presente”. O delegado Pimentel (Marcos Caruso), encarregado do caso, recebe a ajuda do menino Alberto, que decide desvendar o mistério por conta própria.

Pela sinopse do livro de Lúcia Machado de Almeida, já da para saber que muita coisa é modificada, como o fato de Alberto ser criança e não um jovem estudante de medicina, ou de Vista Alegre, no interior de São Paulo, ser substituída pela fictícia cidade Vale das Flores. Porém as mudanças não alteram a ideia principal e o roteiro é muito bem construído. Várias dessas modificações se encaixam muito bem na adaptação, já que a história se passa nos dias atuais e não na época do livro. Isso muda a linha de investigação, que já conta com o auxílio da tecnologia que está cada vez mais avançada. Principalmente por parte de Alberto, que munido de notebook, smartphone e tablet, usa a internet para pesquisar sobre os insetos e outras informações que acabam ajudando a avançar no caso. E o fato de ser uma criança, conta como ponto de vantagem ao não ser levado muito a sério devido à sua idade, O que o possibilita ter mais liberdade para fuçar onde quiser, até levantar provas o suficiente que ninguém possa negar. Sem contar que, talvez, só um garoto como ele tivesse imaginação o suficiente para levantar hipóteses que a maioria dos adultos acharia que é apenas coisa de televisão.

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A escolha dos atores foi excelente! Marcos Caruso, brilhantemente, dá vida ao Delegado Pimentel, um homem que em meio à investigação dos assassinatos ainda tem que lutar com problemas de saúde. O menino, Thiago Rosseti, se encaixa como uma luva no papel do protagonista. Consegue ser engraçado como todo garoto, mas não perde a qualidade da atuação nos momentos tensos ou dramáticos. Sem falar de Jonas Bloch, no papel do Padre Alfonso, e outros atores maravilhosos no elenco.

Um dos maiores destaques nesse filme foi a maneira de apresentar o assassino, que mostra ao público o seu ponto de vista, uma visão quase turva evidenciando as madeixas vermelhas que tanto o incomodam. Aos poucos ele vai se revelando ao passo que nos conta a sua história com uma voz tenebrosa e respiração ofegante. No mesmo ritmo vamos conhecendo o seu ambiente e seu modo de agir. A maneira de utilizada para evidenciar o criminoso lembra muito os episódios de Criminal Minds, o que é brilhante, tanto na ideia quanto na execução.

E não tem como terminar essa crítica sem falar da incrível música-tema, composta e por Black Alien, Dom L, Paulo Miklos e Pepe Cisneros, interpretada pelos três primeiros. A canção foi feita especialmente para o longa em parceria com o produtor musical BID. Quando Paulo Miklos canta parece a voz do próprio assassino. Sensacional.

Vale a pena assistir a essa produção brasileira que estreia nos cinemas dia 14 de abril.

Gleicy Favacho é uma maquiadora com alma de artista. Quando pequena sonhava em descobrir um mundo fantástico através do armário muito antes de se ouvir falar em Nárnia. Essa imaginação a levou a seguir uma profissão onde ela pudesse participar da construção de vários mundos e histórias diferentes, sendo apaixonada por cinema, teatro e outras artes. Claro que, sendo adulta, já mantém um pouco mais os pés no chão, mas sempre olha dentro de um armário ou outro, afinal, vai que… né?