“Lollapalooza” sem dúvida foi o assunto da semana. A pergunta é: por que? Você não tem vontade de ir até chegar na semana em que será realizado o tal evento. E aí desperta uma loucura atrás de dinheiro, de ingresso e às vezes é preciso se contentar com a cobertura do show na televisão. O fato é que, principalmente nesta edição, percebemos que o line-up é só um detalhe de tudo o que é o festival. Ele se resume em povos, música, clima bom e o melhor: sensação de liberdade.

É indescrítivel a sensação de entrar no Autódromo de Interlagos e ver aquela imensidão onde costumam passar carros de corrida e hoje, o que passaram foram experiências boas. E em uma velocidade quase igual de um carro da Fórmula 1. Isso é quando você chega cedo.

Os trens estão lotados de gente com pulseira e óculos de sol. No fundo idiomas diversos e o barulho do trem que para em cada estação para te avisar que chega mais perto da qual que todos vão descer. E todos descem.

É uma caminhada até lá mas é uma caminhada necessária. Venda de água, cerveja, camisetas, chapéus, tiaras e tudo que você cansou de ver no carnaval. A galera comprando, conversando, rindo e caminhando em direção à algo único que é sentido uma vez por ano. Aliás, cada festival, cada show, cada festa é uma sensação diferente. Ainda mais na cidade em que nunca dorme e tudo vê, e recebe gente de todo tipo e lugar nesta época do ano, afinal, os hostels estão cheios, as casas já vazias, e todos a caminho de um só lugar. Aquele em que vemos na TV e não conseguimos imaginar e nem compartilhar da sensação íntegra do que é estar ali ao vivo e em cores.

Foto: Divulgação

A entrada do segundo dia do festival vem acompanhada de uma trilha sonora: “Vance Joy”. Isso porque o palco dele já era o primeiro ali, e florescia ondas sonoras traduzindo um grande “seja bem-vindo” no seu coração. A gente não sabe se já filma aquilo ou contempla cada momento para só guardar na memória.

Quando você para e olha em volta aquilo tudo, aquele céu, aquela música, aquele artista, aquelas pessoas, aquela energia; são os sintomas da liberdade. Mas aquela música a gente nunca ouviu, aquele artista a gente nunca viu, e a energia que também nunca sentimos é contemplada pelo ineditismo das bandas ali apresentadas. E é esse o objetivo.

“Lollapalooza” é uma união entre os populares e os alternativos. E você sai de lá achando que é o guru musical. No dia seguinte para os seus amigos pergunta: “Mas como você nunca ouviu falar desse cara?”. É claro que não.

Talvez seu spotify esteja lotado de músicas novas agora, que irão se perder em uma nuvem em algum drive por aí, e o ingresso do ano que vem já vai ser comprado, com antecedência e sem enrolações. Porque você já sabe que uma semana antes o seu corpo vai pedir essa tal dessa sensação.

São para isso que eventos servem afinal. Vamos em um show, um teatro, um cinema e se vê num palco. Um palco de cultura e arte que te banham a alma e conseguem encher teu coração.

A novidade do ano foram as tais “Lollapalooza Axe Cashless”  que eram basicamente pulseiras eletrônicas que serviam de ingresso e comanda. Lá você podia carregar o valor que quisesse e gastar da forma que quiser no festival. Eram resistentes à água e não saiam do seu braço nem que você quisesse isso. Ela seria retirada até a sexta feira que antecedesse o sábado de festa e não houve problemas em relação à isso. Pelo contrário, a aceitação da galera foi imediata. Segundo o Eduardo Galante que prefere ser só chamado de Edu, “é muito mais fácil porque não preciso ficar levando carteira, dinheiro, ingresso…aí eu não perco.”  Afinal, quanto menos preocupação melhor. Para poder curtir o show do “Catfish and the Bottleman” só quem chegou cedo, a “Céu” também, única artista brasileira do dia que mais tarde aproveitou para cantar ao lado da banda clássica de “Duran Duran”, responsável até, pela diversidade em questões de faixa etária do local, nunca vista antes.

A pista eletrônica do palco “Perry” foi incendiada por “Bolgore”, “Nervo” e “Martin Garrix”. O palco “Skol”, o maior de todos eles, receberam “Two door cinema club” e o tão esperado “The Strokes”. O “Onix” foi onde “The Weeknd” colocou a galera para pular em meio a garoa fina. E o “DJ Flume” nos brindou no fim da noite com a apresentação surpresa da “Tove Lo” (sim, no segundo dia!) no palco “AXE”.

Tinham “Tattoo trucks” com vários tatuadores renomados prontos para gravar no corpo dos corajosos aquele dia tão inesquecível. A “lolla store” com aqueles produtos exclusivos para você guardar para sempre no guarda roupa. E as lojinhas com capinhas de celular, chapéus fedora e as camisetas mais estilosas que você respeita.

O que não faltou também foram os brinquedos no palco Onix e AXE. Kamikaze não poderia faltar, claro. Além disso tinham balanços, um brinquedo de queda livre, e várias redes e lugares de descanço aleatoriamente espalhados por todo o lugar, e sempre ocupados também.

A grama lisa deu lugar à cangas estampadas. A pista de corrida espaço para pessoas a caminho de um show ou outro, e tudo foi passando como se não houvesse o dia de amanhã. Na volta, burburinhos e comentários sobre o show daquele ou outro artista. “Você viu a Melanie?”, “o que foi MØ?”, “deixa eu ver a filmagem”. Essa filmagem, que já virou saudade, que virou memória, que virou o “já vamos no ano que vem”.

Por Julia Reis


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