Quase uma década após revolucionar as pistas, a obra-prima de Charli XCX prova que o verdadeiro pop vanguardista nunca envelhece
Lançado no final de 2017, “Pop 2” não foi apenas mais um projeto na discografia de Charli
XCX; foi um divisor de águas que redefiniu os limites da música pop comercial. Sendo a quarta
mixtape da artista britânica — e sucedendo a aclamação de “Number 1 Angel”, lançada no
mesmo ano de 2017 pelo selo Asylum Records —, o projeto nasceu com a audácia de quem
não queria apenas seguir tendências, mas ditar o futuro delas. Quase uma década após o seu
lançamento, o trabalho permanece surpreendentemente atual, consolidado como um manifesto
vanguardista e atemporal.
O calor do momento e a alquimia da PC Music

A produção do disco levou cerca de dois meses antes do seu lançamento para ser concluída e
ficou sob o comando de A. G. Cook, amigo de longa data de Charli e dono da PC Music. Em
entrevistas da época, Cook afirmou que “queríamos que parecesse um recomeço completo em
termos de imagem e estilo”, em comparação com o projeto anterior, “Number 1 Angel”.
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O resultado foi uma fusão meticulosa de texturas eletrônicas com um forte uso de auto-tune —
algo que já marca a identidade musical de Charli —, onde A. G. Cook realizou experimentações
e manipulações em algumas das faixas.
Em entrevistas, os dois falaram bastante sobre a mixtape ser um experimento divertido que
fizeram no calor do momento, então não havia um tema específico definido. Cada faixa tem seu
próprio tema e estilo únicos, mas de alguma forma o trabalho forma um corpo muito coeso.
Mais do que um projeto individual, “Pop 2” se destaca por seu caráter comunitário. O trabalho
conta com colaborações de Carly Rae Jepsen, Pabllo Vittar, Tommy Cash, Tove Lo, entre
outros artistas. A própria Charli afirmou em entrevista que a mixtape não é necessariamente
sobre ela, mas sobre oferecer a todas as colaborações o seu próprio espaço nas músicas em
que participam.
Sem as pressões logísticas da indústria

A decisão de lançar “Number 1 Angel” e “Pop 2” como mixtapes, e não como álbuns de estúdio
oficiais, foi uma estratégia cirúrgica de Charli para driblar as amarras da indústria fonográfica.
Em uma entrevista de 2019 para a The Fader, ela explicou detalhadamente esse posicionamento:
“Talvez eu simplesmente não tivesse certeza se as pessoas queriam isso de mim, honestamente. Além disso, eu assinei com uma grande gravadora, então, no momento em que você chama algo de álbum, surge todo esse estresse, medo, pressão e problemas de cronograma.
Eles ficam tipo, ‘Ah, ela vai lançar um álbum. Quando o Ed Sheeran vai lançar o dele? Temos que garantir que não chegue nem perto disso’, e tudo mais. É como um cronograma. No momento em que você simplesmente muda a linguagem para mixtape, ninguém se importa. Então, eu pensei, ‘Cool, então vou fazer mixtapes‘. Aí não havia nenhum tipo de estresse logístico, mesmo sendo a mesma coisa. Quer dizer, são 10 músicas originais, tem arte, tem participações especiais, é tudo a mesma coisa.”
O legado de um clássico cult e atemporal
Para promover o lançamento, Charli fez uma mini turnê para esta mixtape, com essa estrutura
de cinco datas, chamada Pop 2 Tour. Além das apresentações da Pop 2, ela apresentou e se
apresentou em diversas afterparties durante a Reputation Stadium Tour de Taylor Swift nesse
período, promovendo ainda mais o projeto e consolidando o seu alcance.
O impacto cultural dessa era foi imenso e reconhecido pela crítica especializada. Em 2019, a
prestigiada revista Pitchfork classificou “Pop 2” como o 40º da lista dos “200 Melhores Álbuns da
década de 2010″.
Na crítica da lista, Hazel Cills considerou-o o “melhor álbum de Charli XCX até à data” e sentiu
que, através dele, ela “solidifica o seu domínio do estranho e maravilhoso novo mundo pop que
continua a construir”
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Hoje, a mixtape tem quase uma década e, mesmo assim, continua parecendo um projeto extremamente atual, podendo ser considerado genuinamente atemporal e futurista.
O que parecia estranho e puramente experimental em 2017 ajudou a pavimentar o caminho
para o que hoje conhecemos como Hyperpop, provando que a visão de Charli XCX e A. G.
Cook estava muito à frente de seu tempo.
Imagem Destacada: Divulgação/Charli XCX


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