Muito além de uma simples referência, samples e interpolações ajudam a criar alguns dos maiores hits da música. Entenda as diferenças e relembre casos marcantes
Os samples famosos fazem parte da história da música e ajudam a explicar como canções de épocas diferentes podem se encontrar dentro de um novo sucesso. Muito além de uma simples referência, esse recurso permite que artistas retomem sons, trechos e ideias já existentes para criar algo novo.
O sample ainda é bastante confundido com a interpolação porque os dois recursos são semelhantes, mas isso não os torna iguais. Segundo a definição do Portal KondZilla, o sample é uma pequena amostra de outra música. Essa amostra pode ser um som específico, uma voz, uma parte da letra ou um instrumento.
Em termos simples: um artista escreve uma música, escolhe o ritmo e a batida e, depois, adiciona, com a autorização necessária, uma amostra de outro trabalho musical. Isso é o sample.
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A interpolação segue por um caminho um pouquinho diferente. Nela, em vez de utilizar um trecho da gravação original como referência, o artista recria elementos da música, podendo manter sua base melódica ou rítmica, desacelerá-la, acelerá-la ou até substituir instrumentos.
Ou seja, a interpolação acontece quando uma música usa ritmo, melodia ou sonoridade de outra obra como base, mas regrava esses elementos em uma nova estrutura.
O tiktoker Jarred Jermaine, em vídeos publicados em suas redes sociais, costuma explicar com exemplos práticos a diferença entre os dois termos de maneira bastante didática. A Billboard Brasil também destacou que os conceitos ainda geram dúvidas e debates entre artistas e ouvintes.
Quando elementos de uma obra são utilizados sem a autorização necessária dos detentores dos direitos autorais, a prática pode gerar disputas legais e, dependendo do caso, ser caracterizada como violação de direitos autorais.
Alguns dos maiores hits surgiram de músicas lançadas muito antes deles. Do punk rock à bossa nova, confira seis samples famosos que transformaram clássicos em grandes sucessos.
Hung Up | Madonna
Em 2005, era lançado um dos maiores sucessos da carreira de Madonna. “Hung Up” é uma música extremamente alegre e agitada, marcada principalmente pelo som semelhante ao de um relógio no início da canção.
Seu refrão contagiante surgiu de “Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight)”, do grupo ABBA, lançada em 1979 e um dos maiores sucessos da era disco.
AmarElo | Emicida, Majur e Pabllo Vittar
“AmarElo” integra o repertório artístico de Emicida desde junho de 2019. Cantada em parceria com Majur e Pabllo Vittar, a faixa carrega uma mensagem de perseverança mesmo em tempos difíceis.
O sample veio de outra obra extremamente importante para a música brasileira: “Sujeito de Sorte”, do cantor e compositor Belchior, lançada em 1976 no álbum Alucinação.
Bum Bum Tam Tam | MC Fioti
O funk brasileiro mais assistido do YouTube foi lançado por MC Fioti em 2017. A repercussão foi tão grande que, até hoje, muitas pessoas de outros países têm “Bum Bum Tam Tam” como uma das principais referências do funk brasileiro.
Uma curiosidade que deixa tudo ainda mais interessante é que o sample utilizado na música veio de “Partita em Lá Menor para Flauta Solo”, composição de Johann Sebastian Bach criada no século XVIII, durante o período barroco.
Si Veo a Tu Mamá | Bad Bunny
Faixa que integra o álbum YHLQMDLG (Yo Hago Lo Que Me Da La Gana), lançado em 2020, “Si Veo a Tu Mamá” é um caso que divide opiniões.
A canção utiliza elementos de “Garota de Ipanema”, clássico composto por Tom Jobim e Vinicius de Moraes e eternizado mundialmente em diferentes gravações.
Por isso, muitos fãs discutem até hoje se o caso deve ser tratado como sample ou interpolação.
Fala Mal de Mim | Ludmilla
Na época em que “Fala Mal de Mim” foi lançada, Ludmilla ainda usava o nome artístico MC Beyoncé.
Uma curiosidade que passa despercebida por muita gente é que o sample utilizado no funk surgiu de uma versão de “Oh Happy Day”. A gravação usada pela cantora foi a que aparece no filme Mudança de Hábito 2, lançado em 1993.
Paper Planes | M.I.A.
M.I.A. foi uma das artistas mais experimentais de sua geração. Misturando influências indianas, eletrônicas, hip-hop e diversos outros estilos, ela também não deixou a desejar na escolha do sample de “Paper Planes”, single que integra o álbum Kala.
A música utilizada foi “Straight to Hell”, da banda britânica The Clash.
O tema abordado em ambas as obras é bastante semelhante. Em “Straight to Hell”, a banda critica a exclusão social e a xenofobia sofrida por imigrantes e grupos marginalizados. Já em “Paper Planes”, M.I.A. dá continuidade à discussão ao abordar imigração e os estereótipos frequentemente associados a pessoas vindas de países em desenvolvimento.
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Quando o passado vira matéria-prima
O sample permite que um artista dê continuidade a assuntos tratados em outra obra, experimente novos acordes e explore ainda mais sua criatividade.
Quando utilizado de forma consciente e dentro das regras de direitos autorais, ele pode transformar músicas de diferentes épocas em algo completamente novo.
E aí, você conhecia a origem de alguma das canções mencionadas?
Imagem Destacada: Divulgação/Gerado por inteligência artificial


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