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Por que Meninas Malvadas é um guilty pleasure?

Muitos filmes adolescentes acabam por fazer mais barulho depois que o público dessa mesma idade vira adulto e é capaz de analisar melhor as nuances do roteiro dele. Eles fizeram sucesso na época de seu lançamento e anos depois ressurgiram entre seu próprio público, ou um mais novo, que tirou outros ensinamentos ou deu mais profundidade a ele.

Um “guilty pleasure” é, em tradução literal, um prazer culposo, ou seja, algo que uma pessoa pode gostar muito, mas é meio vergonhoso de se dizer. O filme mais famoso de Lindsay Lohan ganhou ares de filme pop cult, com suas frases virando meme e sendo repetidas em piadinhas nos foros da internet.

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Pode parecer confuso, mas por que “Mean Girls”, o título original, se tornou tão pop anos depois? Há várias explicações possíveis, e vamos passar por algumas. A mais clara foi quão bem o elenco foi escolhido. Lindsay teve a oportunidade de fazer a personagem mais icônica do filme, Regina George, mas por causa da imagem que tinha na época, a de boa moça, ela preferiu ficar com a Cady, a mocinha da história. É uma boa personagem na verdade e Lindsay está bem no papel da mocinha que se torna um pouco vilã, mas acaba voltando as origens e fazendo uma revolução dentro da sociedade escolar na qual está inserida.

Ainda temos Amanda Seyfried, em um de seus primeiros filmes, como uma garota bonita, mas com cérebro de ameba, que acredita que pode prever a previsão do tempo por seus mamilos. Na mesma turma de Amanda, aparece Lacey Chabert, popular, bonita, mas superficial, fazendo uma boa parceria com Seyfried na parte cômica da obra. Porém, a personagem mais icônica do filme é sem dúvidas Regina George, interpretada de maneira excepcional por Rachel McAdams. Ela, que era descrita como a abelha rainha do lugar, popular, bonita e cruel, fazendo todos jogarem seu jogo. As quatro protagonistas vestiram a camisa de seus personagens de maneira incrível, e isso é um dos pontos positivos da produção.

A crítica social que o filme faz também não passa incólume. Já foi mostrado diversas vezes que as escolas americanas vivem seu próprio programa de sobrevivência. Eles estão divididos em castas, e estas divisões são bastante rígidas. Quem não se encontra dentro de uma, é ignorado (como o Charlie de “As Vantagens de Ser Invisível”, você pode ler uma análise sobre ele bem aqui). Ali, Cady, personagem de Lohan, precisa se encontrar, depois de ter sido educada na África pelos pais. Ela não tem como saber se encaixar na comunidade de sua escola porque nunca participou de vida social nenhuma. Quando se arrepende das coisas que faz, ela simplesmente quebra esses paradigmas inflexíveis que acontecia por lá. “Meninas Malvadas” mostra o quão superficial pode ser os motivos que fazem pessoas ficarem amigas e quão cruéis todos podem ser.

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Tina Fey estreou como roteirista de cinema com esse filme. Ela já tinha certa experiência na TV americana, mas o passo para a 7ª arte é desafiador e poderia ter destruído sua carreira de maneira definitiva. Positivamente, isso não aconteceu. O texto dela funcionou no longa e suas piadas cheia de duplo sentido, suas ironias e críticas a sociedade estudantil de seu país funcionou e fez muita gente se render ao seu talento. Ela ainda participa da obra como professora, a única adulta com alguma razão e sensibilidade na história.

A parte técnica também traz boas surpresas. A direção de Mark Waters não é inovadora ao extremo, mas é divertida e sincera, fazendo com que todos os pontos citados acima, mais a parte técnica – figurino, trilha sonora, fotografia – brilhassem. Ele não reduz o filme a mais uma história bobinha adolescente. Ao não julgá-lo, acaba entregando um produto divertido, e deliciosamente vergonhoso de alguém admitir tê-lo como um de seus filmes favoritos.

Não é atoa que Lindsay Lohan esteja tentando fortemente arranjar pessoas que se interessem em fazer uma segunda parte do filme (existe um segundo filme, mas ele é totalmente desnivelado), com o mesmo elenco. O apogeu de sua carreira aconteceu justamente com esta obra. E mesmo mais de uma década depois do lançamento, “Meninas Malvadas” ainda nos faz querer revelar que Regina George trai o Aaron Samuels toda quinta na sala de projeção em cima do auditório ou que alguma coisa é mesmo tão barro!

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Seja pelas lembranças que traz ou pelos memes que virou, tomara que Lohan ache alguém que se interesse pelo trabalho. E que as frases para meme sejam renovadas com sucesso.  

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Marya Cecília é goiana de nascimento, mora em São Paulo há seis anos e ainda assim não consegue lidar com o clima 4 estações em um dia que rola nessa cidade. Tem umas manias esquisitas, tipo ver um filme que gosta várias vezes, mas esta tentando lidar com isso (ou não). Falando nisso, ela não faz questão nenhuma de ser normal, então podemos apenas seguir em frente!

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