“Já quis cuidar de uma fazenda? Se você me perguntar, eu mesmo diria: não. A experiência mais agrícola de minha vida foi plantar feijão no algodão quando era criança.” E aí veio “Harvest Moon” (game japonês que conheci no Super Nintendo). O jogo que tinha toda aquela aura e estrutura de JRPG’s noventistas, consistia em recuperar uma grande fazenda deixada por um parente falecido.

Cuidar daquela fazenda virtual era complicado, mas divertido. Seu conceito era basicamente cuidar de plantas e de animais, de acordo com as estações do ano, e até lidar também com a “vida social” do protagonista: frequentar os eventos na pequena cidade, a possibilidade de até casar seu personagem com outra… O game fez seu sucesso, e é claro que houveram sequências, principalmente nos portáteis nintendistas, como Game Boy Advance e Nintendo DS.

Os demais títulos traziam mais elementos ainda, outros animais, plantas, cidades e histórias, mas se apegar a algum deles foi difícil quanto ao simples, mas difícil “Harvest Moon” do bom e velho SNES. “Ficava me perguntando se um dia ainda veria uma sequência igualmente brilhante.”

Na década seguinte ao primeiro “Harvest”, a coisa mais parecida era a “Colheita Feliz”, no Orkut. Descanse em paz… No entanto, nem tudo estava perdido. O clássico que deixava saudades ganhou em 2016 um “sucessor espiritual”: “Stardew Valley”.

O jogo foi desenvolvido por Eric Barone, sozinho – toda história e diálogos do jogo, efeitos sonoros, elementos gráficos e programação, num processo que levou quatro anos. É basicamente um RPG, onde o principal ainda é cuidar da fazenda, adicionando mais ainda ao que já se conhecia e se amava nos antigos jogos que serviram de inspiração. Para compará-lo a um exemplo mais contemporâneo: o game lembra “Don’t Starve” – no entanto, é muito mais fácil e menos obscuro.

A história acompanha um protagonista, que cansado da rotineira vida urbana, muda-se para o campo, para cuidar da fazenda herdada de seu avô. Parece a mesma história do antigo “Harvest Moon”, porém a trama ganha mais de profundidade: a própria cidade onde fica seu novo lar é afetada pela vida contemporânea: desde que uma tal Corporação Joja instalou-se nos arredores, a comunidade vem se alterando, e velhos costumes vem sendo perdidos. Não é nada para tirar lágrimas de ninguém, mas é sempre interessante ver como a vida real pode ser inspiradora de forma crítica, principalmente nos games.

Com um colorido visual 16-bits, “Stardew Vallew”, que foi lançado primeiramente para Windows, Linux e MAC, foi também recentemente disponibilizado para XboxOne e PlayStation 4, além de chegar ainda este ano ao Nintendo Switch, com um inédito modo multiplayer.

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Cesar Rezende

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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