11 de dezembro de 2019

Nosso Portrait de hoje vai entrevistar uma mulher multifacetada! É atriz, apresentadora, comediante, jornalista, escritora, diretora e produtora (porque nessa vida você não pode escolher um único caminho, certo?!).

Trabalhou no Brasil, na Rede Globo, em Malhação. Foi para os EUA estudar improvisação e comédia na Upright Citizens Brigade, escola fundada pelos atores do programa “Saturday Night Live” e “O metódo” na Lee Strasberg Theatre & Film Institute, onde aprendeu a usar a memória emotiva ao atuar.

Participou de filmes como  “O Incrível Hulk”, com Edward Norton, fazendo voice over , “Somewhere”, de Sophia Coppola, “Blood Bond” e “Death of Evil”. Trabalhou como apresentadora da “Brazil Soul TV”, cobrindo o “Brazilian Day”, em Los Angeles, onde foi chamada para o Hollywood TV e teve a oportunidade de entrevistar astros de Hollywood no tapete vermelho por 5 anos.

Então vamos de Portrait com Julia Melim!

Aimée – Como surgiu a ideia de trabalhar nos EUA? Foi uma oportunidade ou você sempre teve isso como objetivo de vida?

Julia – Sempre tive vontade de estudar no exterior, desde a primeira vez que viajei pra fora com 15 anos. Ao invés de fazer festa de 15 anos, eu pedi uma viagem pros EUA. Queria ir para Nova York, mas acabei indo para Disney, e demorou alguns anos até realmente chegar em Nova York. Morei lá 5 anos depois de me formar na faculdade nos EUA, fui para Los Angeles e depois Nova York. Amo viajar, e morar em outras cidades, não como turista, mas realmente adotando uma cultura diferente. Sempre me vi como uma cidadã do mundo, não acredito em fronteiras, tenho paixão por conhecer outras culturas e ver como eles vivem. Vou falar disso no meu Stand up, vou me apresentar no verão carioca, começando no Kult Collector, todas as quartas (primeira edição foi dia 14 de dezembro) , e também no Pub Lord Jim em Ipanema todas as quintas. Também estou fazendo algumas esquetes de humor para o Barra World Shopping a partir de janeiro com notícias ao redor do mundo, que mostra justamente a vida em cada país, com o humorista Claudio Torres Gonzaga e participação de Guilherme Baroni que interpreta o Michael Jackson.

Aimée – Entre vários trabalhos que você esteve, e está envolvida, um deles é uma série esportiva chamada “Ultimate Beastmaster” que pertence a Netflix. Como foi essa experiência que pode compartilhar com Anderson Silva e Rafinha Bastos?

Julia -Foi uma experiência incrível, foi a maior produção que já trabalhei até hoje. Filmamos no deserto em Santa Clarita, e no set tínhamos mais de 15 câmeras acompanhando toda a ação, desde gruas, GoPros, e as câmeras que ficavam nos bastidores onde os atletas estavam se preparando para entrar. E foi tudo filmado como ação ao vivo. E as filmagens foram sempre a noite, então íamos para casa quando o sol estava nascendo. Já conhecia o trabalho deles e sempre admirei muito, tanto o Anderson Silva, que além de ser orgulho nacional como campeão de MMA, é uma das pessoas mais sensíveis e verdadeiras que conheço, adorei conhecê-lo pessoalmente e ainda mantemos contato. E Rafinha Bastos, que também admiro muito por tudo o que já conquistou como comediante, eu sei que ele causa polêmicas no Brasil, mas faz parte dos ossos do ofício! Foi muito legal trabalhar com ele e poder participar do processo de criação de perto, eu era responsável pelo roteiro, em revisar, passar com eles, e dar sugestões também – mas o Rafinha já sabe o que fazer, é muito fácil trabalhar com ele.

Aimée – Vamos falar de Hollywood! Sem dúvida alguma, o tema é uma das maiores curiosidades para quem deseja seguir a carreira no mercado cinematográfico. Você está para lançar o livro “Hollywood Nude”, no qual conta um pouco da sua experiência nos Estados Unidos, você poderia adiantar alguma coisa para nossos leitores do que vamos conhecer através do seu livro?

Julia – Através do livro “Hollywood Nude” eu quero mostrar que Hollywood tem uma verdade por trás, que as pessoas não vêem essa parte dos bastidores, mas que tudo isso tem um lado real. Eu vejo muitas celebridades lidando com dificuldades no lado emocional, e a maior luta sempre é a busca da felicidade, por isso comecei uma empresa chamada “Feed Your Soul,” para buscar aquilo que realmente alimenta a sua alma.

No tempo que eu estava lá, foram 5 anos, realmente não tem tanta violência como no Rio de Janeiro, mas existem muitos suicídios que são pouco divulgados na mídia, como uma menina que pulou de um bar no rooftop (telhado) no meio de uma festa e todos continuaram bebendo fingindo que nada tinha acontecido.

Até poderia falar que Nova York tem prédios altos que é mais fácil de você se jogar…falava de suicídio desde o meu primeiro Stand up. O meu Stand up tem humor negro, eu falo do que realmente estou vendo a minha volta e o que estou vivendo, é uma forma de sublimar tudo isso. Esse é o maior problema de Hollywood que quase ninguém aborda: desde Brittany Murphy, Robin Williams, Philip Seymour Hoffman, até Whitney Houston – eu cobri o enterro de Whitney Houston em New Jersey – todos morreram enquanto eu estava trabalhando em Hollywood, e inclusive a perda de um colega do tapete vermelho com quem trabalhei durante anos,  Jeffrey Slonim, que pulou do Lincoln Center, onde acontecem vários eventos, local da estréia de Harry Potter e vários filmes do Steven Spielberg, eventos que normalmente estávamos presentes.

Hollywood afeta a sua auto-estima por ser um mercado em que todos se sentem tão “descartáveis” que você começa a questionar a sua importância e qual seria a verdadeira perda se você não estivesse mais ali.

A mentalidade é que a sua vida vai perdendo o significado, porque a maquina continua, “the show must go on”. Isso tudo começa a fazer você questionar o estilo de vida de Hollywood, e o que está levando essas pessoas a acabarem com as próprias vidas.

Vou desglamourizar a vida em Hollywood, não é o que aparece nas redes sociais. Sempre falo que a melhor coisa de fazer o tapete vermelho é você poder fingir pros outros que a sua vida é maravilhosa, e tudo o que você posta na rede social. Mas lembro de cada situação, que mesmo tensa, triste, nervosa, você tem sempre que dar um sorriso e seguir em frente. Essa é a verdadeira Hollywood Nude!

Aimée – Você já entrevistou muiiiiiitas estrelas! Qual é a sensação de estar lado a lado com pessoas como George Clooney, Richard Gere, Robert De Niro, Neil Patrick Harris e vários outros? Teve algum momento no qual você ficou muito nervosa ou foi muito tranquilo?

Julia – Sim, já entrevistei muitas estrelas. Acho que no início eu ficava mais nervosa, fiquei nervosa com George Clooney que foi uma das minhas primeiras entrevistas, uma coisa que aprendi é que quanto mais eu trato eles como pessoas normais, mais a conversa flui. O Clooney é muito simpático e brincalhão, então isso ajudou bastante. Eu perguntei “Como vai?” e ele disse “Vou bem, e você também fica muito bem nesse vestido.” A partir daí ele me fez rir, e começamos a conversar, mas já tinha todas as perguntas impressas e também no celular. Depois de um tempo, você já sabe tudo o que vai perguntar, e tem que ser você mesma, como se estivesse conversando com um amigo. O Neil Patrick Harris falou que queria consertar o meu batom, e eu falei tudo bem, até perguntei se ele precisava de ajuda com a maquiagem também, porque ele fazia “Hedwig” na Broadway. É todo um jogo de improviso, e sempre existe a regra do “Yes and,” você tem que dizer que sim a brincadeira que eles propõe e vice-versa. Então me sentia orgulhosa de poder improvisar com tantos talentos.

O Robert De Niro todo mundo falou que não dava entrevista, e na verdade já tinha visto ele posar para fotos, mas só fui entrevistar ele na estréia de “Grudge Match,” com o Sylvester Stallone. E realmente ele não parou para falar com ninguém, só comigo. Eu falei: “Você gosta do Brasil?” E ele parou e disse que sim, que gostava muito do Brasil. E começamos a conversar e ele me contou tudo sobre o filme, e como foi fazer outro filme de boxe numa referência a Raging Bull, foi uma das melhores entrevistas. Eu sempre pesquiso antes e descubro algo que ninguém mais sabe, e uso isso na entrevista, o que faz toda a diferença, por exemplo, sei que o filho do De Niro é casado com uma brasileira e por isso ele já passou vários Réveillons em Copacabana.

Sempre estudei antes, na hora que começa a entrevista, você já tem que saber o que vai perguntar, só da tempo de pensar “qual vai ser a próxima pergunta,” você tem que se concentrar e quando vê já acabou, é muito rápido. A maioria das entrevistas são em torno de 5 minutos. E quando você faz a entrevista no estúdio, você consegue fazer de 10 a 15 minutos. Mas tem que ter perguntas para 1 hora. Você nunca pode parar de fazer perguntas antes de acabar o tempo, tem sempre que aproveitar ao máximo, ou fazer alguma brincadeira, tirar situações inusitadas e perguntas interessantes que sejam diferentes do que já foi feito antes.

Confira um pouquinho dessas entrevistas: 

 Aimée – Atuar, dirigir, produzir, apresentar e entrevistar, qual desses você curte mais?

Julia – Eu curto mais atuar, eu sou uma atriz com muitos talentos, e um pouco impaciente (rsrs). Eu gosto muito de criar, então comecei a escrever, produzir, dirigir, mas tudo isso pelo meu amor a arte. Ser apresentadora foi algo que surgiu também porque queria me aproximar do mundo do cinema, e gosto de fazer personagens mas também ser eu mesma na frente da câmera. Gosto de poder falar o que penso e não ser politicamente correta, e daí surgiu a comédia. Nunca consegui fazer o tipo de pessoa perfeita que não faz nada errado, e sempre me falaram que eu tinha cara de santa, acho que isso ajuda na comédia, porque ninguém espera que eu vá falar as coisas que eu falo no palco, então tem um elemento surpresa. Eu não tenho papas na língua! Acho que se eu fosse um dos príncipes da Inglaterra, eu seria o Harry.

Foto: Don Hannah

– Peça “Relationships”- Julia atuou no papel de “Jules”, que ficou em cartaz durante o mês de outubro, em Los Angeles, no teatro “The Dorie”, no Complex Theatres em Hollywood.-

Aimée – Em relação aos mercados artísticos brasileiro e americano, uma vez que você já viveu nesses dois “mundos”, qual é a grande diferença entre eles?

Julia – Acho que a grande diferença é que como brasileira você pode usar isso ao seu favor. Um conselho que eu dou, que no início eu não escutava, é que você deve ser você mesmo, não tentar ser o outro. Então não tente fingir que você não é brasileiro. Quando comecei a trabalhar como apresentadora, eu trabalhei muito o sotaque, e tentava fazer uma personagem americana, depois que falei que era brasileira, tudo começou a fluir muito mais. As portas foram se abrindo quando eu comecei a ser eu mesma, sem pedir desculpas.

Eu tenho orgulho de ser brasileira, e simplesmente assumindo quem eu era com orgulho tudo começou a dar mais certo, todo mundo ama o Brasil fora do país (só quem reclama é o próprio brasileiro!).

Então, acho que tem um pouco daquele ditado: “The grass is always greener” ou “A grama do vizinho é sempre mais verde.” Quem mora nos EUA ama o Brasil e daria tudo para morar aqui, e quem mora aqui quer ir embora. Brinco muito com os esterótipos do brasileiro lá fora, e tenho que brincar com a visão do americano aqui no Brasil também.

Aimée – Inaugurando o meu Speedy Portrait! (Esse é o momento em que eu te dou uma palavra e você me diz um sentimento.)

Teatro – Amor, faço aquilo que amo!

TV – Gratidão. Meu sustento diário, obrigada!

Brasil – Muitas saudades. Camarão, praia e caipirinha.

Estados Unidos – Stress. Todo mundo sempre ocupado, ninguém tem tempo…Inverno, neve, metrô lotado.

Amigos – Lealdade. Sempre ao redor do mundo.

Família – Valorizo acima de tudo, importante cultivar os valores.

Aimée – E para finalizar, conte-nos um pouco da Julia Melim como pessoa e qual a diferença para a artista profissional?

Julia – Acho que a Julia Melim apresentadora é um personagem, as vezes as pessoas confundem. Eu posso fazer a personagem glamourosa dos tapetes vermelhos, mas não é quem eu sou. Acho que por isso dá certo nas entrevistas, sou bem sucedida porque não ligo para essas coisas, nunca liguei para roupa de marca, sapato, não acho que ninguém seja mais importante que ninguém, somos todos seres humanos lutando por um lugar ao sol e todos merecemos ser valorizados como pessoa, sendo famoso ou não, quero ressaltar isso. Eu sou uma pessoa bem mais simples, gosto das coisas simples da vida, comida feita em casa, amo ficar de pé descalço, sem maquiagem e com as pessoas que amo do meu lado. Por isso gosto de voltar para casa para me lembrar constantemente quem eu sou de verdade.

Finalizando nosso Portrait com Julia Melim.

#meuportrait #umportraitcomvoce #juliamelim

Show Full Content

About Author View Posts

Avatar
Aimée Borges

Aimée Borges gosta de dançar ao vento, beber água gelada e sorrir para Lua. Apaixonada por contos e fadas, deixa-se levar por sua curiosidade que a transporta para um mundo ainda mais louco que o da Alice.

Previous Os reis da música eletrônica no Brasil, que estão conquistando o MUNDO
Next Crítica (2): Sully – O Herói do Rio Hudson

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close

NEXT STORY

Close

Trilhando em Portugal Part.11: Óbidos

18 de março de 2016
Close