“Nada se cria, tudo se copia”
. Já dizia nosso querido e imortal Chacrinha.

Essa tão conhecida frase, que foi popularizada pelo velho guerreiro, veio na verdade da citação original “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, dita pelo cientista francês Antoine Lavoisier, a respeito da lei de conservação de massa. Conhecido como o precursor da química moderna, ele afirmava que a matéria está sujeita a constantes transformações, mas jamais à criação ou destruição.

Alguns – muitos – anos depois, pulamos para o mundo das artes e chegamos ao escritor e desenhista americano, Austin Kleon, que segue a mesma temática para escrever o livro “Roube como um artista“, afirmando simplesmente que nada é totalmente original e que todo o trabalho criativo é construído sobre o que veio antes. Ou seja, nada vem do nada.

“Tudo que precisa ser dito já foi dito. Mas, já que ninguém estava ouvindo, é preciso dizer outra vez.”

O título é no mínimo curioso. “Como assim, roubar como um artista?” Você lê e pensa. Mas não se assuste. O autor não está te incentivando a praticar o plágio. Isso é outra história. É apenas para chamar atenção. E com certeza ele conseguiu pensar uma forma inusitada de atrair os olhares para seu livro. Primeiro chegamos pela curiosidade com a capa, mas depois somos sugados com conselhos sobre como sermos mais criativos, mesmo não sendo totalmente originais. Aliás, vamos chamar de dicas porque, segundo a teoria de Kleon, quando as pessoas dão conselhos, estão na verdade conversando com elas mesmas no passado.

“Esse livro sou eu conversando com uma versão anterior de mim mesmo.”

Ele começa dizendo que as dicas que dá no livro, são coisas que aprendeu durante quase uma década tentando descobrir como fazer arte. Durante esse processo, ele foi entendendo que essas ideias não servem só para artistas, mas sim para quem quer injetar alguma criatividade na vida e no trabalho, independe da área de atuação.

“Esse livro é pra você. Quem quer que você seja, o que quer que você faça.”

Baseado em uma palestra feita na Universidade do Estado de Nova York, que em pouco tempo viralizou na internet, a obra é um manifesto ilustrado sobre como ser criativo na era digital. Nesse momento onde tudo é muito rápido e temos o mundo na ponta dos dedos através da internet no nosso celular, somos bombardeados com uma enxurrada de informações todos os dias, o tempo todo. E aí, como decidimos o que usar e de que forma criativa, já que parece que tudo foi dito ou usado?

Com muito humor e simplicidade, Austin nos mostra que para sermos criativos não precisamos ser gênios. “Apenas seja você mesmo”, é a dica. Ele nos encoraja a estudar e pesquisar a arte que gostamos. Para ser bom no que se faz, é preciso conhecer bem o assunto. Precisamos investir tempo estudando e trabalhando nas ideias. A arte não vive só da inspiração, ela também precisa de dedicação. E muita!

“Desenhe a arte que deseja ver, comece o negócio que deseja executar, reproduza a música que deseja ouvir, escreva os livros que deseja ler, crie os produtos que deseja usar – faça o trabalho que deseja ver.”

São 160 páginas que são devoradas em algumas horinhas. A tradução para o português de Leonardo Villa-Forte não deixa nada a desejar. O texto foi super bem adaptado, sem perder a ideia original. O projeto gráfico também é impecável.

Agora, depois de todas essas dicas, temos certeza que aquela duplazinha bloquinho + caneta, que a gente já carrega na bolsa pra anotar tudo que acontece, vai ganhar a companhia de Roube como um artista. Imprescindível andar com ele coladinho no nosso dia a dia.

E se você ainda não leu, aproveite a curiosidade que ficou depois de tudo o que falamos aqui e corra pra ler. E depois de explorar cada capítulo e anotar todas dicas, passe aqui pra nos contar o que achou, ok?!


Vakinha

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Erika Kohler

Jornalista (com diploma), escritora metida a cronista e decoradora. Não necessariamente nessa ordem. É uma artista múltipla! Tem a arte no DNA e por isso é amante do mundo das artes. De todas as formas: Cênicas, Visuais e Plásticas.
Carioca, já foi rata de praia, mas hoje prefere o inverno. É gateira de carteirinha e apaixonada por pinguins. Os livros fazem parte da sua vida e estão sempre por perto. Talvez tenha nascido no século errado porque ama o Vintage e o retrô. Adora assistir filmes e séries, sempre acompanhada por um baldão de pipoca. Torce para encontrar com o gato da Alice, pra ele indicar a estrada dos tijolinhos amarelos, que vai direto para a Fantástica Fábrica de Chocolate!!

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