Não é mistério que as adaptações de Resident Evil para o cinema são no mínimo polêmicas. No entanto, os fãs da consagrada série de survival horror poderiam achar refúgio nos longas animados – sendo que o mais novo, “Resident Evil: A Vingança”, chega oficialmente ao Brasil no dia 26 de julho.

O sucessor de “Degeneração” (2008) e “Condenação” (2012), segue a mesma premissa: uma história canônica, protagonizada por personagens importantes da série dos jogos. De fato, Leon Kennedy, estrela de vários games da série, está presente em todos filmes. Um belo dia a CAPCOM decidiu que a gente não cansa do Leon – será que arranjam um jeito de enfiar o agente por um DLC no “Resident 7”?

A recentemente finalizada série de live-actions, estrelada por Milla Jovovich, com todos seus problemas de história e baixa fidelidade ao material original, conseguiram certo sucesso de bilheteria, rendendo seis filmes que pelo menos eram divertidos. Agora, precisamos ser francos: os filmes de computação gráfica de Resident Evil conseguem, na maioria do tempo serem simplesmente chatos. Sim, temos personagens dos jogos, uma história muito mais costurada que as criadas por Paul W. S. Anderson – não que isto seja difícil. Mas o grande problema com as animações é que você só assiste até o final porque os personagens com os quais jogamos por anos estão ali na tela.

“Resident Evil: Vendetta” (no original), apela bem mais para a ação que seus antecessores, e o faz de uma forma mais “hollywoodiana”. O resultado é a mesma ação dos filmes com Alice, personagem que nem existe nos games de RE, só que desta vez protagonizadas por Leon e Chris Redfield. Mas eles são personagens dos jogos, então ninguém reclama, desde que a ação fique só nos longas.

Há sempre uma tentativa de criar tensão entre os dois protagonistas, mas o que conseguimos é só um Bad Bromance

Vendetta tenta construir seus personagens, mas falha miseravelmente

Uma das principais iscas lançadas para nós, pobres fãs, foi a presença da sumida Rebecca Chambers. A ex-agente dos S.T.A.R.S. (descansem em paz), que deu as caras no primeiríssimo “Resident Evil”, lá em 1996, e estrelou “Resident Evil 0”, finalmente voltou para  descobrirmos qual rumo que sua vida tomou. Não esperem nada demais, afinal,  a talentosa sobrevivente é rapidamente “donzelizada” e retirada da ação pelo resto do filme.

Quem  acaba ficando com toda a ação, são Chris Redfield e Leon Kennedy, respectivamente os protagonistas principais dos dois primeiros games da série. Viva a novidade! Viva a ironia! Após os eventos de “Resident Evil 6” (game protagonizado por ambos), vemos um Leon que finalmente perde a postura  de “mamãe-sei-tudo” e encontra-se surpreendentemente deprimido. O veterano, Chris, passava pela mesma situação em “RE6”. Boa parte do longa é desperdiçada com Chris tentando pôr Leon de volta aos eixos, e é uma pena como não usam a história mostrada nos games, neste momento para trazer alguma empatia entre os dois. É o que teria tornado o momento “parado” do filme mais interessante. O que temos é a mesma briguinha de sempre, e desta vez com Rebecca tentando intervir.

Há outros personagens, que praticamente só servem para preencher a cota de mortes aleatórias, e o vilão, Glenn Arias. O contrabandista de armas biológicas é o típico “malvadão” que vemos na série dos jogos também, com suas ideias de mundo ideal, vingança e uma tendência à megalomania. Há toda uma tentativa de justificar a raiva de Arias com o universo, que não convence tanto. Ao menos eles tentaram, certo? #SaudadesWesker

Uma nova tentativa de Nemesis. Tentativa.

O vilão-mestre, é claro, tem seus capachos: Maria Gomez, que cumpre o papel da mulher fatal numa roupa sexy – aquele clichê que já deu, mas a CAPCOM insiste em usar em cada título de RE ultimamente – e seu pai, Diego Gomez, que é basicamente um sucessor espiritual do Nemesis, o inesquecível monstro Resident Evil 3.

Se seguirmos a lógica de “Degeneração” e “Condenação”, “A Vingança” terá pouco ou nenhum impacto sobre a franquia de games, cujo título mais recente é “Resident Evil 7”. E é aí uma outra grande oportunidade perdida: as animações pegam elementos dos jogos para desenvolver suas histórias, mas parecem nunca fazerem ao contrário. É como se os próprios desenvolvedores não confiassem no que estão fazendo. Uma das principais críticas aos filmes era justamente a falta de conexão entre os universos, e quando finalmente temos as duas mídias distintas na mesma linha do tempo, é apenas isca para fazer fãs perderem tempo com o que termina sendo basicamente um filler.

Ainda assim, se você quer uma continuação direta de todo drama em que Chris, Rebecca e Leon estiveram envolvidos na última vez que os vimos, é melhor aproveitar a chance. Quem sabe, essa não é a última vez, por um bom tempo, em que veremos estes heróis?