A trajetória camaleônica de Poppy até o metal e o que esperar de seu show no Rock in Rio 2026
Poppy chega ao Rock in Rio 2026 como uma das artistas mais singulares de sua geração. Entre o synth-pop, a performance conceitual e o heavy metal, a cantora construiu uma carreira marcada por mudanças radicais, rupturas e reinvenções. Mas como ela chegou até aqui — e o que podemos esperar de seu show no festival?
Meia-volta ao Metal
Com um novo auge da carreira, boa parte do fandom já conheceu Poppy como essa estrela do metal cheia de atitude — e abordaremos um pouco sobre a fase anterior na seção seguinte —, porém a virada da cantora para o gênero não foi fácil, embora ela própria faça parecer ser.
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Saindo de “Poppy.Computer” (2017), “Am I a Girl?” (2018) já dava indícios de que havia alguma coisa de diferente rolando. Apesar da sonoridade majoritariamente mais pop, o quinto e último single da era, “X”, em retrospecto serviu como uma “ponte espiritual” com a estrutura de pop hiperproduzido para um som diferente, com vocais e guitarras pesados, e que gerou uma baita confusão em alguns fãs.
Se essa primeira parte da nova fase fez um giro em cento e oitenta, podemos dizer que essa foi só Poppy “testando as águas”, porque a partir daí foi uma sequência de trabalhos que pareciam experimentar as relações entre performance, identidade, forma e conteúdo; o terceiro álbum, “I Disagree”, foi a virada de chave ao aderir ao heavy metal. Foi também seu último trabalho com o antigo colaborador, Titanic Sinclair.
Sobre sua identidade artística antiga, Poppy já chegou a comentar no seu canal do Discord que tem orgulho do que fez, mas que tanto não se sente confortável em performar os trabalhos anteriores de novo — associando a experiência à sensação de “transtorno de estresse pós-traumático” —, quanto dizendo que, na verdade, não se identifica ou tem memórias de ter gravado suas canções antigas, embora seja possível que comente mais a respeito no futuro.
Interesse multimídia
Uma das primeiras coisas que costuma se falar sobre Poppy são suas origens ainda no início da década passada, com uma sonoridade muito puxada para o synth-pop e o bubblegum pop, bem como seu projeto com o canal ThatPoppyTV, onde postava vídeos conceituais, muitos deles esquetes aparentemente non-sense, impersonificando uma figura ingênua, de voz monótona, ao mesmo tempo em que claramente se podia notar um desconforto, tanto pelo apelo ao vale da estranheza, quanto pelas temáticas sombrias — a noção de que havia algo de perturbador em contraste à estética de calmaria perfeitamente higienizada.
No entanto, optamos por não iniciar esse artigo tratando sobre isso. Embora faça cronologicamente sentido, e não deixe de ser importante para sua construção e amadurecimento artístico, além de revelar um interesse na interseccionalidade multimídia, parece que ela tem preferido deixado de lado esse passado, sobretudo o mais associado às eras mais “pop” e os trabalhos com seu antigo parceiro artístico, Titanic Sinclair, com quem rompeu em 2019, em um longo e desgastante processo em que o acusou de abuso psicológico — coisa semelhante ocorreu com a parceria anterior de Titanic, Brittany Sheets (ou Mars Argo). Conforme comentado, músicas dessa fase não integram seu repertório atual.
Ruptura essa na carreira que nos leva de volta ao ponto um, mas para além disso revela como a cantora não tem receio de fazer uma mudança quando sente ser necessário, isto é, quando já não mais acredita no que produz. Foram mais de 400 vídeos produzidos entre 2014 e 2022, ao que a própria declarou, em um tweet hoje deletado, que sentia que fazer esses vídeos tinha perdido a graça; simples assim.
Isso não quer dizer que ela deixou de lado o interesse nas artes visuais. Além de estar profundamente envolvida no desenvolvimento da estética de suas “eras”, a cantora lançou em 2025 uma outra série de vídeos seus, “Improbably Poppy”, uma web série episódica, até o momento com seis segmentos lançados, mas, dessa vez, assumindo o controle da narrativa — e não tendo medo de ser polêmica.
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O que esperar do show no Rock in Rio 2026?
Poppy não deixou de escanteio seu lado “diva pop” — o que também é discutível em sentido estrito, afinal, suas canções possuem “revezes” e flertes com uma sonoridade mais pop, mesmo na fase metal —, e quem não a conhece e nem se familiariza com o gênero pode ter uma ótima porta de entrada, além de ter, com certeza, um espetáculo de uma artista que se preocupa em entregar vocais, visuais, performance e, evidentemente, atitude — porque, se ainda não ficou claro, Poppy consegue extrair desse seu lado camaleônico não só muita resiliência, como a segurança de poucos de quem sabe seu lugar na música.
Com o “Empty Hands” (5) lançado esse ano, boa parte da setlist de sua turnê leva canções da nova, fase; a maior parte está com o “Negative Space” (7), álbum de 2024. Não podemos cravar com certeza, pois deu para perceber que Poppy é cheia de surpresas, mas com base em seus shows recentes é bem provável que as canções que executará no Rock in Rio possam ser as seguintes:
- have you had enough?
- the cost of giving up
- Concrete
- Bruised Sky
- Scary Mask
- crystallized
- vital
- negative spaces
- Eat the Hate
- the center’s falling out* [se pulada, provável que ‘halo’ seja executada]
- Public Domain
- Time Will Tell
- V.A.N. (cover do Bad Omens)
- If We’re Following the Light
- halo* [se the ‘center’s falling out’ não entrar na setlist]
- new way out
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio


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