O século 21 logo foi dando as caras, mostrando que o interesse na comunicação através das mídias sociais afetariam nosso comportamento em várias esferas da nossa vida. Desde profissões a relacionamentos amorosos. Muitas relações se estabelecem primeiramente através do grande alcance promovido pelo avanço da tecnologia no que se refere ao nosso comportamento social. Com isso, o trabalho de designers gráficos, editores de vídeos, profissionais em fotografias e outras áreas que trabalham com a arte visual ganhou mais visibilidade e importância.

O Grammy Award é o Oscar da música. E entre as categorias premiadas encontra-se a de Melhor Projeto Gráfico de um Álbum. Neste ano, na 17ª edição do Grammy Latino, a Quartel Design teve um dos seus trabalhos concorrendo nessa mesma categoria. O trabalho em questão é do artista Marcus Mota, para o CD Relevante do cantor Mario Diniz.

Foto: Divulgação

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Nós sabemos que a venda de CD’s se tornou uma prática de poucos atualmente, devido a motivos que citei no começo da matéria. Mas há fãs e admiradores da arte e toda produção das músicas que ainda consideram importante ter em mãos a arte original trabalhada pelos músicos e artistas. Podemos usufruir do material através de plataformas e há os que priorizam adquirir em uma loja o trabalho físico em conjunto ao conteúdo sonoro produzido. Ambas as maneiras podem favorecer o artista a alcançar muitas pessoas.

Você sem dúvida já passeou por entre sessões dedicadas a CD’s e DVD’s em livrarias, ou em algumas sobreviventes lojas de discos. Muito provavelmente pegou algum CD que chamou-lhe atenção a capa por algum aspecto contido nela, e de repente, quando viu do que se tratava o gênero musical e as mensagens transmitidas logo o devolveu para a prateleira, ou não. Mas algo ali naquele trabalho em conjunto chama atenção.

Me incluo nesse tipo de “fã” que gosta de ter em mãos a arte do trabalho de artistas que me agradam. Desde a playlist no Spotify, quanto a ir em um show e adquirir aquele trabalho que, de alguma forma, se tornou um marco na minha vida.

O trabalho que envolve a produção gráfica não costuma ser alvo de atenção ao fazer críticas positivas ao trabalho todo. Alguns são responsáveis pelas capas mais marcantes da música popular. Vistos como visionários. Uma vez que é criada uma arte gráfica que procura expressar o conteúdo das músicas contidas no CD, nos instrumentos e letras.

Venho como objetivo chamar atenção para um trabalho que enriqueceu e enriquece, o trabalho do músico que, principalmente hoje em dia, pode alcançar mais pessoas ao serem atraídas por um bom serviço de arte gráfica. Logo no começo, demonstrei um exemplo de como a produção visual artística enriquece ainda mais a obra. Logo em seguida, demonstrarei algumas artes gráficas que se tornaram verdadeiras marcas em grandes obras de músicos que influenciam muitas gerações.

  • Queen – A Night At the Opera 

Desse disco podemos encontrar sucessos que transcendem décadas como “Bohemian Rhapsody”, single que ficou em primeiro lugar nas paradas britânicas. Música introduzida pela marcante do piano. Buscando trabalhar com a junção do rock com ópera. Solos de guitarra distorcida, piano, cantos tradicionais em ópera e como resultado o reconhecimento devido pelos ouvintes. E não podemos deixar de mencionar da histórica “Love of My Life” que é uma das preferidas de um grupo grande que são fãs de Queen ou nem tanto. O projeto gráfico é de David Costa.

  • Elvis Presley – Elvis Presley

Elvis Presley é o nome do primeiro álbum do músico. É composto por 7 faixas e não se tornou um álbum com grandes contribuições sonoras para a crítica. Na época em questão, Elvis ainda não tinha uma imagem marcante para o público que pudesse, inclusive, ser imitada. Porém a capa desse disco é historicamente lembrada como uma das mais simbólicas da trajetória de Presley. A foto da capa foi tirada por William V. Robertson.

  • Elvis Costello and The AttractionsImperial Bedroom

A arte incrível se descreve por inteiro. Álbum produzido por Geoff Emerick, produção que resultou em uma ótima coleção de músicas na vertente pop. Mesmo que contenha letras com um fundo de melancolia, culpa e sentimentos que causam uma certa aflição, que não são sentimentos trabalhados geralmente em música pop. Veja a produção gráfica por Barney Bubbles.

  • The Flaming LipsYoshimi Battles The Pink Robots

Sobre potencial comercial e uma banda que conta com a capacidade de transmitir um som com muita atitude. Já colocou Justin Timberlake para realizar o trabalho de baixista, vestido de golfinho. Ouvidos atentos observam as influências do som de Pink Floyd nas obras de The Flaming Lips. O trabalho visual incrível é de George Salisbury.

  • Joy DivisionUnknown Pleasures

O álbum trabalha com elementos um tanto ‘obscuros’. Efeitos digitais, gritos abafados são alguns exemplos da mensagem que precisava ser expressada. Nos anos 70, década em questão, prevaleciam as tendências mais voltadas para as cores básicas, busy design. Na capa, presenciamos ondas de rádios de uma estrela em extinção com um marcante fundo preto. Projeto visual de Peter Saville.

Todos esses álbuns têm reconhecimento e importância crucial na história da música e do mercado fonográfico.

Analisando nossa realidade, a forma como a arte gráfica e a música vem se relacionando vai além de “apenas” capas de CD’s. Em algumas situações, a arte gráfica que acaba se tornando uma espécie de ‘vitrine’ convidativa para o trabalho musical. E essa arte que caminha com a música (de diferentes formas de acordo com a época) também deve ser valorizada.

A imagem utilizada como foto em destaque é do CD El Poeta Halley Love, criada por Sergio Mora e ganhadora do prêmio de Melhor Projeto Gráfico de um Álbum, no Grammy Latino de 2016.

Por Letycia Miranda