Em apresentação marcada por performatividade extrema, faixas do recente “Breach” e bênção de Jack White no telão, o duo de Ohio encerrou a noite no Palco Mundo provando maturidade artística diante de seus fãs mais fiéis
O Twenty One Pilots veio ao Brasil para tocar em um festival pela última vez no Lollapalooza de 2023. Na ocasião, todavia, a dupla estava substituindo o Blink-182, que cancelou de última hora por conta da lesão no pulso sofrida pelo baterista Travis Barker – ou seja, estavam se apresentando para um público que não pagou para vê-los. Cenário distinto do último dia do Rock in Rio 2026, em que se apresentaram para o seu próprio séquito de fãs.
O tempo chuvoso afastou muitos (foi o dia mais vazio desta edição), mas certamente não os que estavam berrando todas as letras a plenos pulmões em janeiro de 2025 logo ali ao lado, na Farmasi Arena, em show solo da turnê “The Clancy World Tour”.
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A evolução sonora e a mitologia de Ohio ao topo do mundo
Formado em 2009 no estado de Ohio como um trio de amigos de colégio – Tyler Joseph, Nick Thomas e Chris Salih -, o Twenty One Pilots construiu sua reputação no circuito do Centro-Oeste americano até a saída de Thomas e Salih, em 2011. Com a chegada do baterista Josh Dun naquele mesmo ano, a banda consolidou sua identidade como duo, inaugurando essa nova fase com o álbum “Regional at Best”.
A assinatura sonora do grupo mescla hip-hop, música eletrônica, pop, punk, rock e nuances de reggae, amarrando essa pluralidade a uma mitologia fictícia desenvolvida como metáfora para as angústias e dilemas emocionais do mundo real — arquitetura conceitual que levou a dupla ao topo do mercado global com o álbum “Blurryface” (2015). O show no Rock in Rio também celebrou os 10 anos da primeira passagem do grupo pelo país — quando fizeram uma esticada no Rio de Janeiro durante a edição de 2016 do Lollapalooza, sua estreia no Brasil, com um show no Sacadura Cabral.
Estética cênica, balaclava e as estreias do álbum ‘Breach’
No gargarejo do Palco Mundo, viam-se roupas pretas com detalhes vermelhos e correntes metálicas. Também eram notados diversos pescoços pintados de preto, referência direta ao estilo de Tyler, além de faixas da era “Clancy”. Desde a abertura com “Overcompensate”, Tyler Joseph e Josh Dun demonstraram esmero em reproduzir ao vivo a sonoridade de estúdio, sem esquecer a noção de espetáculo.

Em questão de minutos, Tyler surgiu trajando uma balaclava vermelha em formato de gato, ajoelhou-se no chão e subiu em um suporte elevado instalado sobre a plateia. A entrega performática teve continuidade com faixas do recente álbum “Breach” (2025), a exemplo de “The Contract” — cantada em uma plataforma redonda no meio do público com o microfone iluminado —, além das estreias de “Center Mass” e da melancólica “Drag Path”.
Resgate de clássicos, surpresa no TikTok e a bênção de Jack White
O setlist também revisitou os aclamados discos “Blurryface” e “Trench” (2018), resgatando “Tear in My Heart”, “Nico and the Niners” e “Heavydirtysoul”, além de uma demo crua de “Doubt”, popularizada no TikTok. Uma sequência de releituras incluiu “Stolen Dance” (de Milky Chance), a inserção de “Believe” (de Cher) e a celebração de “Seven Nation Army” (do The White Stripes). Tyler afirmando que recebeu autorização de Jack White e o próprio surgindo no telão dando a “bênção”.
Bateria no topo da torre e a performance sob tempestade
O Twenty One Pilots é conhecido por suas interações no meio do público durante as apresentações, e nessa passagem pelo Rock in Rio elas até aconteceram, mas de forma modesta — não se sabe se por conta da chuva ou do fato de se tratar de um festival e não de um show solo.
Houve a tradicional execução de “Drum Show”, mas ela não se deu em uma estrutura montada no meio da plateia, como na Farmasi Arena. Josh escalou sem camisa uma estrutura lateral do Palco Mundo e tocou bateria no topo da torre, levando a arena ao delírio. Em “Jumpsuit”, que abriu espaço para rodas punks, o baterista ainda carregou uma tocha acesa entre efeitos pirotécnicos que apareceram em vários momentos da apresentação.
Conexão direta com a plateia e o encerramento como headliners
Em “Ride”, Tyler desceu ao corredor e convidou o segurança Jonatan para cantar o refrão ao microfone. O encerramento se deu com “Stressed Out” e “Trees”; nesta última, a dupla se equilibrou em uma plataforma improvisada no gargarejo, batendo em um bumbo de confetes. Foi o momento que mais se aproximou do que normalmente fazem no meio da pista.
A despedida foi marcada pela gratidão expressa pela dupla aos fãs que permaneceram sob o temporal. No plano instrumental, o espetáculo sustentou-se na versatilidade e no vigor de Josh Dun. O baterista liderou o ritmo alternando grooves dançantes, pegadas de R&B e influências de disco music. O Twenty One Pilots apagou as luzes do Palco Mundo do Rock in Rio 2026 consolidando seu status de headliner em grandes festivais.
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Luz de vídeo ULANZI VL120 RGB, Luzes de vídeo de bolso LED On-Camera
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Setlist:
- Overcompensate
- The Contract
- Center Mass
- Shy Away
- Heathens
- Next Semester
- One Way
- Tear in My Heart
- Jumpsuit
- Nico and the Niners
- Heavydirtysoul
- Drum Show
- RAWFEAR
- Drag Path
- Doubt
- Ride
- Tally
- Seven Nation Army
- Stressed Out
- Trees
Imagem: Reprodução/Instagram (via @twentyonepilots)


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