Como já não é mais novidade, ontem, 31 de agosto, começou a XVIII Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que se estende até o dia 10 de setembro no Centro de Convenções Riocentro, e para este evento já podemos contar com a presença de mais de 300 autores, dentre eles R.G. Werther, que estará lançando seu primeiro livro da trilogia A Jornada de Tony Farkas – Operação Guarulhos , e nós da WooMagazine tivemos o privilégio de apreciar este livro de antemão, e hoje trazemos aqui uma breve resenha desta grande aventura, vamos lá?

A Jornada de Tony Farkas é um livro de ficção, que envolve aventura, suspense, mas muito mais que isto, traz um pouco de história, e esta, com uma visão futurista de uma sociedade abalada e deformada pelos problemas políticos e econômicos em que estamos passando na atualidade, podemos chamá-lo de apocalíptico.

Segundo o próprio autor, foi uma inspiração que surgiu a partir das grandes manifestações que ocorreram entre os anos de 2013 e 2014 no Brasil, e logo em seguida com os escândalos políticos e econômicos que romperam em 2015, dos quais ainda esperamos o desfecho, e assim, estes acontecimentos o levou a “visualizar” um futuro sombrio, não só em nosso país, mas também a nível mundial, dando origem a esta sua obra.

A história traz como personagem principal Antônio Almeida Farkas, que prefere ser chamado simplesmente por Tony Farkas. Este vive somente com a companhia de seu cachorro Max, no Rio de Janeiro, após perder toda a sua família pelas mãos de milicianos que têm por missão realizar uma “faxina” no país, e tudo isso se passa no ano de 2070.

Uma aventura narrada em primeira pessoa, por meio da visão do protagonista da história, que tem por missão chegar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos em busca de uma possível “salvação” que lhe é prometida diariamente através de um rádio de polícia.

O início da leitura leva o leitor a crer que a narrativa terá somente Tony e Max como personagens, e por ser contada em detalhes, com alguns “flashes” de lembranças passadas de Tony, consegue tornar cada cena como real no imaginário de quem desfruta da leitura. Há inclusive um momento em que é possível relembrar, para quem já assistiu, algumas cenas do filme “Eu sou a Lenda”, com Will Smith, onde é possível confundir o personagem e seu cão com Robert Weville e sua cadela Sam ao andar pela cidade arrasada de Nova Iorque à procura de comida.

Mas claro que a aventura não para por aí, pelo contrário, é o começo de uma longa jornada, no qual Tony encontra com outros sobreviventes, tão jovens e esperançosos em uma vida longe das guerras e destruições, e como já é de se esperar em muitas histórias, surge um grande romance e Tony, além de toda a aventura e adrenalina que irá passar durante todo o livro, se vê entre dois amores: Sofia e Ana Clara. Além do romance clichê, há também o vilão da história: Paco, o líder do grupo que Tony encontra e namorado de Clara.

Uma ficção muito bem construída em torno de seus personagens, que traz uma narrativa linear e coesa, rica em detalhes que são capazes de prender a atenção do leitor por horas à fio. Sem ser monótona, consegue trazer lembranças do passado com o intuito de explicar momentos históricos, e, por falar nisto, é uma boa leitura para compreensão do que se passa nos dias atuais, claro que, com um pouco de fantasia, exagero e teorias de conspiração, mas importantes para um despertar de consciência de muitos que ainda vivem alienados, longe do que acontece no cenário político e econômico.

A narrativa peca um pouco em relação à visão de futuro quando o assunto é tecnologia, uma vez que, se a história se passa no de 2070, deduz-se que já teremos muitos avanços tecnológicos, como por exemplo, o autor cita o uso de identidade de papel, coisa que sabemos que em pouco tempo será inexistente, até mesmo nos locais mais simples, assim também como a forma de alimentação, já que a apresentada no livro ainda é muito trivial.

Enfim, este é um dos detalhes irrelevantes que o livro traz, assim também como a coincidência já citada que dá a impressão de que houve um plágio do “Eu Sou a Lenda”, e alguns clichês usados para prender a atenção do leitor, mas são só alguns pontos que se deixam esmaecer e superar pela grandiosidade histórica e entendimento de como funciona a política e a manipulação midiática que o autor apresenta, fazendo valer a pena a leitura de suas 270 páginas, deixando água na boca para acompanhar o restante da trilogia.

Publicado pela Editora Autografia, RJ, será lançado no último dia da Bienal, no dia 10 de setembro às 18h30 no estande da editora.