Os anos passam, a tecnologia avança, a moda se atualiza e se renova, muitas mudanças acontecem. Mas o racismo, esse infelizmente, não deixa de existir. A única coisa que se muda, vez ou outra, é a maneira como se pratica. São ataques diretos, frases que começam com: “não tenho preconceito, mas…”, entre outras. E nesse meio as crianças vão crescendo. Umas, aprendendo a ser preconceituosas, outras, descobrindo a dor de saber que muita gente acha que elas não são bonitas, que sua pele é vista como sinônimo de sujeira e marginalidade. E crescem sofrendo por isso.

E esse assunto, caro leitor, infelizmente não é ficção. Está tão dentro da nossa realidade, que constantemente temos visto nas redes sociais e, vez ou outra, no noticiário. Há muito o que se mudar e a ser falado.

Por isso, o Bookland de hoje traz uma lista com alguns exemplos de racismo sofrido por crianças e adolescente. Podem ser fictícias, no entanto, são inspiradas em muitas pessoas que vivem essas histórias no dia a dia, ouvindo e lendo o pior de pessoas bem reais.

Saudade da Vila – Luiz Galdino (1995)

O livro é bem curto, então não se pode entregar muito aqui. Trata-se da história de Benê, filho de empregada doméstica que se mudou com a mão para o casarão dos patrões. O garoto sente a solidão de ser novo em outro bairro e sente saudades da vila onde morava e tinha muitos amigos com quem jogava pião, bola de gude e andava de carrinho de rolimã. Ao avistar alguns garotos da sua idade no bairro novo, deseja se aproximar para fazer amizade, mas fica com receio por não saber como será recebido.

Apesar de não querer dar spoiler, deve-se adiantar que aqui não tem final feliz. O final é amargo e um soco no estômago. Uma leitura curta, mas com peso maior que um livro de 1000 páginas. Uma lembrança de que o universo infantil também pode ser cruel quando se é criado em um ambiente de preconceito e intolerância.

O correspondente estrangeiro – Lino de Albergaria (1988)

Mori começa a se corresponder com Konare, um garoto africano de Guiné-Bissau, através do Clube de Jovens Correspondentes do Mundo. De início fica decepcionado com a origem de seu novo amigo, já que para os dois melhores amigos de Mori, foram selecionados menino da Europa e dos Estados Unidos, mas, aos poucos. Nasce um sentimento de amizade sobre o qual o protagonista conta em suas cartas para Konare. Com isso, Mori começa a notar os colegas na escola com quem não tem muita intimidade por serem pobres, repetentes e negros. Ele começa a perceber que muito do que ele achava e dizia (ou repetia) está inserido nesse preconceito enraizado da sociedade.

Mori começa a se chocar com diversos fatos dentro de sua própria realidade e a mudar sua forma de agir e de pensar, além de mudar a forma como vê o outro e a si próprio.

Flávia e o bolo de Chocolate – Mirian Leitão (2015)

A jornalista Mirian Leitão aborda assuntos delicados e atuais, como adoção e o racismo que leva uma criança a crescer odiando a própria aparência.

Em “Flávia e o Bolo de Chocolate”, conhecemos a história de Rita, uma mulher branca que encontrou a felicidade ao se tornar mãe de Flávia, uma menina negra. As duas faziam tudo juntas: Brincavam na praça, liam histórias e se divertiam. Uma convivência bonita e feliz entre mãe e filha, que de repente sofre ataques de uma vizinha invejosa, fazendo Flávia questionar por que a sua cor é tão diferente da sua mãe, passando a detestar tudo que é marrom assim como sua pele. Um tema tão atual que temos visto no noticiário.

Rotina no Brasil, acontece todos os dias e nem todos ganham voz. Há muito o que se debater e ensinar sobre o assunto, não adianta fingir que não existe. Ainda há ignorância e não é por falta de informação.


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Gleicy Favacho

Gleicy Favacho é uma maquiadora com alma de artista. Quando pequena sonhava em descobrir um mundo fantástico através do armário muito antes de se ouvir falar em Nárnia. Essa imaginação a levou a seguir uma profissão onde ela pudesse participar da construção de vários mundos e histórias diferentes, sendo apaixonada por cinema, teatro e outras artes. Claro que, sendo adulta, já mantém um pouco mais os pés no chão, mas sempre olha dentro de um armário ou outro, afinal, vai que… né?

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