14 de dezembro de 2019

Ainda choram Marias e Clarices, já são 35 anos sem Elis Regina. Entre as grandes  cantoras brasileiras nenhuma foi maior do que a baixinha de Porto Alegre, que se transbordou como artista e fez entender, também, em seus tantos papéis sociais: a mãe, a esposa, a amiga e a cidadã.

Elis não sabia apenas cantar, mas escolhia como ninguém o que cantar. Lançou diversos compositores e sucessos da música brasileira. Fez diversas parcerias que são lembradas até hoje como: “Elis e Tom”, com o mestre Tom Jobim, “Doce Pimenta” com Rita Lee e o “Fino da Bossa” ao lado de Jair Rodrigues. O Brasil era pequeno para Elis, e do Beco das Garrafas ela foi além: passou por cidades do mundo inteiro, e chegou a cantar no Teatro Olimpya, a mais antiga e famosa casa de espetáculos de Paris, neste foi a primeira cantora a se apresentar duas vezes em um só ano.

Sempre engajada politicamente e contra a ditadura militar, Elis chegou a chamar os governantes de “Gorilas” em uma entrevista. Não chegou a ser exilada graças a sua popularidade, mas foi obrigada a cantar o Hino Nacional em eventos do governo. A música “O Bêbado e a Equilibrista” foi denominada de “Hino da Anistia” e foi trilha sonora para a volta de artistas brasileiros do exílio.

Mãe de três filhos, Elis deixou grandes nomes da música. Pedro Mariano, João Marcelo Bôscoli e Maria Rita eternizam a obra, simpatia e graça da mãe pelo mundo. Entre os amigos saudosos que ficaram, Marília Gabriela fez, em seu primeiro episódio do programa “TV mulher” do canal Viva, uma homenagem a cantora e emocionou todos que assistiram sua carta para a amiga. Nela, a jornalista mostra para Elis tudo o que mudou e permaneceu do dia de sua morte, até hoje. O programa contava com a presença da cantora Maria Rita e sua filha, Alice, assim como Elis foi um dia.

É difícil definir Elis Regina. A melhor forma, talvez, seja usando uma das frases da própria cantora:

“Se ser geniosa, exigente e não gostar de ser passada para trás é ser mau caráter, então eu sou.” – Elis Regina

Autodenominada kamikaze, o temperamento forte de Elis hora era fogo e outra trovão, e andava lado a lado com seu potencial vocal, e devido a esse gênio forte, foi apelidada de “Pimentinha” pelo grande Vinicius de Moraes. Suas interpretações eram impecáveis e marcavam cada apresentação com seu jeito único de se movimentar e colocar a música para fora. Como sua atuação, ou não, impecável da música “Atrás da Porta” de Chico Buarque no DVD “Grandes Nomes”, sempre é lembrada pelos fãs por suas lágrimas insaciáveis. Chegou a dizer que neste país apenas duas cantavam: ela e Gal Costa. Há quem confirme esse comentário.

E em 19 de janeiro de 1982, este mundo também ficou pequeno para Elis e ela tomou o céu, deixando uma enorme discografia que passeia por sucessos como: “Falso Brilhante”, “Arrastão”, “Águas de Março”, “Casa no Campo” e muitos outros que ainda cantarolamos por todo o mundo. Mesmo aqueles que não viveram no tempo da “Elis-cóptero”, como era chamada por Rita Lee, buscam ter contato com sua obra, e se encantam com tamanha riqueza que ela nos deixou.

Elis ainda vive. Nos últimos cinco anos, tivemos uma homenagem realizada pela caçula, Maria Rita, aos seus 70 anos, a aclamada peça “Elis, a musical” com a brilhante Laila Garin no papel de Elis, e ainda temos, sua biografia por Julio Maria e o mais recente filme “Elis”, em que Andreia Horta mostrou que, realmente, a pimentinha ainda está presente no coração dos brasileiros.


Por Carolina Gomes

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13 thoughts on “35 anos depois de sua morte, Elis ainda vive

  1. Elis era mesmo diferenciada, cresci ouvindo meu pai e a minha mãe, rasgando elogios, por vezes pela voz, outras vezes pela irreverência, como ela agia nos palcos, sempre com extrema naturalidade, simpatia, e poder.
    Ela foi uma grande artista, e sempre estará na memória de todos nós brasileiros.

  2. Olha, é disso que o Brasil precisa de volta minha geeeeente! Mulher espetacular, graciosa, de gênero imbatível. Sempre fui muito fã do trabalho dela. E faz uma falta tremenda nos hits atuais, Parabéns pelo seu post. Me fez sentir aquela saudadezinha da minha infância (ela já tinha falecido, mas no toca fitas de casa, só dava Elis).

  3. A Elis é uma eterna diva, e marcou e continua marcando diversas gerações. Eu tive sorte porque tive a chance de participar de um projeto na Escola que contava sobre a vida dele, e mesmo tendo nascido após a sua morte, eu virei fã e me apaixonei pelas músicas dela. Hoje em dia, eu acompanho o trabalho da Maria Rita, que com todo louvor herdou o talento da mãe. bjs

  4. Esse post ta show eu amo Elis. Me lembro do dia em que ela se foi, eu ainda era pequena mas lembro de ter ouvido no rádio e minha mãe comentar, eu sempre ouvia Elis por causa da minha mãe, e passei a admira-la. Obrigada pela linda homenagem que fez eu sentir saudade da minha infância. Bju

  5. Que post legal! Sobre essa ultima frase: percebo que ela foi igual eu sou. hahaha Genioso, exigente e não gosto de ser passado para trás. Conheço ela por ser um nome muito forte na música brasileira, mas não sou aprofundado no seu trabalho. Legal saber mais sobre.

  6. Ela era simplesmente incrível. A voz, o jeito de ser, era tudo incrível. As letras são geniosas como ela. Faz falta, as músicas de hoje da uma tristeza kkkkkk

  7. Elis era maravilhosa, era não! Ainda é. Precisamos seguir o exemplo e ser como ela. Mostrar nossa força e alcançar patamares incríveis. Precisamos de mais Elis hj em dia. História incrível, eu não conhecia.

  8. Elis acho que é aquele tipo de mulher que nunca vai morrer rs pq sempre será exemplo de luta, de cantora, de compositora, de mulher e exemplo de tantas outras coisas. É engraçado como hoje em dia a molecada não está nem aí para esse tipo de exemplo, por isso posts como esse são tão importantes para difundir e quem sabe virar mais um exemplo para alguém 🙂

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