Alfred Hitchcock é um dos diretores de cinema mais famosos de todos os tempos, até para quem nunca assistiu a um de seus filmes, sabe que seu nome está ligado intrinsecamente ao mundo cinematográfico, celebrado e estudado por críticos e profissionais da área, é sempre lembrado por clássicos como “Psicose”, “Um corpo que cai”, “Janela Indiscreta” e “Pássaros”, não é à toa, já que representam o auge de sua fase americana (iniciada em 1940 com o filme “Rebecca”), no qual o cineasta tinha total domínio sobre a narrativa cinematográfica, além de grande controle criativo.
Entretanto, o “mestre do suspense” tem uma carreira extensa com mais de 50 longas no currículo e uma parte significativa deles são da época anterior aos filmes realizados nos Estados Unidos, conhecida como a fase britânica, que acaba ficando um pouco à sombra do que veio posteriormente, mas de forma alguma merece ser ignorada e aqui indico três filmes desse período:
O Inquilino Maldito ( The Lodger, 1927)
Um assassino em série está matando mulheres loiras em Londres e sua descrição bate com o mais novo hóspede do hotel, do casal Bounting, um homem misterioso com hábitos suspeitos que começa a aproximar-se de Dayse, filha do casal e também loira.
Temos aqui assassinatos, voyeurismo, a insinuação de sexo sem de fato mostrá-lo, um homem sendo acusado de um crime, alguns dos elementos que vão perdurar por toda a sua carreira. Apesar de uma forte influência do expressionismo alemão e de nessa época o cineasta já ter dirigido outros filmes, considerava esse, de fato, o primeiro hitchcockiano, por começar a empregar seu estilo buscando sempre soluções visuais e tratando de temas que viriam a ser recorrentes em suas produções.
É curioso pensar que o criminoso do filme matava mulheres loiras e o diretor iria fazer isso por toda sua filmografia.
Os 39 Degraus ( The 39 Steps, 1935)

Um turista em Londres, suspeito de um assassinato tem que ir até a Escócia em busca de pistas sobre os verdadeiros assassinos, além da polícia, o protagonista vai ter que lidar com espiões e dezenas de outras adversidades que vão surgir em sua jornad
O filme entrega toda a aventura que promete em sua sinopse, potencializada pela direção nos diversos momentos em que o personagem principal, interpretado por Robert Donat, está em perigo.
As situações inusitadas que o personagem passa, funcionam bem como capítulos soltos de uma trama maior, soltos a ponto de terem personalidade própria, mas sem fugir da trama principal além de nunca perderem o ritmo. O longa também aparenta ser uma espécie de irmão mais velho de “Intriga internacional” (North by northwest), outro aclamado filme de Hitchcock da sua já citada fase americana e se posto em uma prateleira, teria que estar entre os filmes da franquia 007 e Indiana Jones.
A Dama Oculta ( Lady Vanish, 1938)

O penúltimo filme de sua fase britânica e um sucesso na época, a trama gira em torno do desaparecimento de uma mulher idosa, que ninguém, além de Iris ( Margaret Lockwood), parece ter se dado conta
Além de todo o suspense que o diretor emprega na busca dos personagens por respostas sobre o ocorrido, o fato da história acontecer quase que inteiramente dentro de um trem contribui com toda tensão sobre as respostas que encontram.
O filme também é muito bem escrito, tendo uma trama instigante que vai aumentando de proporção progressivamente, os personagens são muito carismáticos e carregam boa parte do humor do filme, a química do casal principal (Lockwood e Michael Redgrave) é ótima e uma boa parte do charme do longa, que acaba sendo um dos mais divertidos na carreira de Hitchcock.
Por Augusto Dias


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