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Crítica

Crítica: A Favorita

A Favorita
Imagem: Divulgação/Fox Film do Brasil

A Favorita

A manifestação de poder parte de diferentes formas e em diversos meios. A influência que um membro exerce sobre o outro em um relacionamento é uma forma de poder, assim como o lobby feito por agentes de um governo para fazer valer suas vontades perante um soberano, parlamento ou congresso. Em “A Favorita”, Yorgos Lanthimos mostra o governo da rainha Anne (Olivia Colman) da Inglaterra no início do século XVIII. O país está em guerra contra a França e possui uma líder doente, com emocional abalado devido a um passado sombrio e sofrendo por causa do romance com Sarah Churchill (Rachel Weisz), sua assessora mais próxima. Sofrimento por não saber se Sarah realmente a ama, já que se acha uma mulher feia e velha. A situação se agrava quando a serva Abigail Masham (Emma Stone) chega à corte e atrai a atenção da Rainha, criando o agente de conflito da história.

Sarah usa Anne como fantoche para dar vida aos seus ideais e aprovar leis que favorecem a guerra (apesar do marido estar no front de combate) e pune o povo com impostos abusivos, mesmo tendo a oposição de membros da câmara dos lordes liderados por Harley (Nicholas Hoult), um sujeito com pensamentos progressistas, mas que usa artifícios não tão ortodoxos para alcançar seus objetivos. No entanto, agora ela também terá como adversaria Abigail, que quer apenas um lugar ao sol no reinado e voltar a sua antiga posição de dama. As duas entrarão em uma batalha pelas preferências da monarca das formas mais sujas possíveis, principalmente usando seus dotes de sedução e atrativos sexuais.

Evidentemente, Lanthimos não conta tudo isso de forma tradicional, afinal, se trata de um dos cineastas que mais causou estranhamento nos últimos anos. Fugindo totalmente do academicismo que passou a ser comum em filmes de época, ele filma os longos corredores do palácio com grande angulares para distorcer as imagens e gerar vertigem ao espectador, mostrando que aquele mundo é totalmente atípico, parecendo outra realidade ou mesmo um pesadelo. O uso de câmeras baixas em close enche a tela do cinema com rostos imponente, trazendo a sensação de magnificência, como superiores aos seres da plateia. Como reforço, há as rápidas panorâmicas horizontais que parecem pegar todos os personagens de surpresa no meio de atos reprováveis e a fotografia que leva a rasa luz de velas para os cômodos sofisticados, cheios de luxo. Por vezes, apenas os corpos são vistos iluminados e, ao seu redor, reina o negro da noite, retratando suas prisões emocionais nas trevas. Apesar de toda essa carga dramática, o filme possui ocasiões de humor (negro) entre as três mulheres, sobretudo nos diálogos difamatórios afiados escritos no roteiro de Deborah Davis e Tony Macnamara.

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Claro que esses diálogos não funcionariam se atrizes do porte de Colman, Weisz e Stone não estivessem em cena. Se a primeira constrói uma rainha geralmente confusa, sem qualquer trato com os súditos e até ingênua e suas atitudes juvenis para depois começar a se impor, mas definhando no processo, a segunda mantém seu status intelectual superior durante toda a projeção, mesmo que, em alguns momentos, saiba que foi derrotada. Suas atitudes são nobres, nunca deixando que transpareça qualquer tipo de teor mesquinho nas feições de seu rosto. A última é uma espécie de alpinista social que traz em seus olhos inocentes a forma de enganar sua presa. Stone parece ter nascido para esse papel, graças a sua fisionomia aristocrática, porém, com um ar plebeu. A mudança do gentil para ofensiva numa mesma cena, comprovam o seu talento.

Dito como o filme “mais normal” de Lanthimos, “A Favorita” poderia muito bem ter caído na sarjeta junto com as prosaicas obras hollywoodianas de autores consagrados na Europa. No entanto, o grego prepondera novamente com uma trama complexa sobre o relacionamento lésbico entre mulheres poderosas e suas consequências. O poder, como dito no início do texto, é o foco, seja ele no amor, na política ou na guerra.

Essa crítica faz parte da cobertura da 42ª Mostra de Cinema de São Paulo

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A Favorita
Sinopse
Na Inglaterra do início do século 18, uma frágil Rainha Anne ocupa o trono e sua amiga, Lady Sarah, governa o país em seu lugar. Quando uma nova serva, Abigail, chega, seu charme a torna querida por Sarah.
Prós
Fotografia Deslumbrante
Ótimas Atuações
Contras
Pode não agradar aos não iniciados na obra de Yorgos Lanthimos
4.3
Nota
Written By

Formou-se como cinéfilo garimpando pérolas nas saudosas videolocadoras. Atualmente, a videolocadora faz parte de seu quarto abarrotado de Blu-rays e Dvds. Talvez, um dia ele consiga ver sua própria cama.

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