Apesar de trazer de volta grandes nomes da franquia, a temporada desperdiça seus personagens em uma trama confusa, incoerente e sem propósito
No último dia 29, “American Horror Story 13” chegou ao fim. E, diante do resultado apresentado ao longo da temporada, uma coisa que muitos espectadores provavelmente desejam é que este também seja o encerramento definitivo da série.
Ao longo de seus episódios, a produção apresentou um roteiro sofrível, com diálogos artificiais e uma construção narrativa que, em diversos momentos, parece ter sido montada sem qualquer preocupação com a coerência. Ryan Murphy conseguiu reunir alguns dos maiores nomes da história da franquia, mas também demonstrou que contratar atores pelo Grindr e pelo OnlyFans não garante boas atuações, muito menos uma boa história.
Desde a estreia, a temporada já dava sinais de que algo não estava funcionando. Os cortes abruptos entre cenas pareciam levar a lugar nenhum, enquanto o mistério envolvendo o Sr. Nas se transformava em uma sucessão de acontecimentos confusos, sem impacto ou desenvolvimento satisfatório.
LEIA MAIS
Klara e o Sol | Entre o Artificial e o Humano, Uma Lição Sobre Amor e Existência!
Pinóquio: Maldição de Madeira | Quando o Conto de Fadas Vira um Banho de Sangue
Cuidado Com o Que Deseja (2026 | Uma Boa Ideia Amarrada a Um Suspense Medíocre!
O retorno das lendas desperdiçadas

Jessica Lange aceitou retornar à franquia sob uma condição: interpretar novamente personagens que marcaram sua trajetória na série. A produção atendeu ao pedido, mas fez pouco com uma oportunidade que deveria ser um dos grandes atrativos da temporada.
Logo no primeiro episódio, somos apresentados novamente a Constance Langdon, personagem de “Murder House”, a primeira temporada da antologia, que agora aparece cuidando de um idoso, o Sr. Nas. Também temos o retorno de Fiona Goode, a Suprema de Coven, que surge com uma personalidade consideravelmente diferente daquela que conhecemos. Aparentemente, seu tempo no inferno foi suficiente para deixá-la mais amena.
Elsa Mars, de “Freak Show”, também faz uma participação rápida e deixa a produção com uma fala que provavelmente representa o sentimento de boa parte dos espectadores: “Vocês me trouxeram de volta para isso?”. Por fim, a Irmã Jude, de “Asylum”, aparece em uma reviravolta que, em vez de acrescentar algo relevante à história, acaba sendo mais um elemento jogado em meio à confusão narrativa.
E os retornos não param por aí. Tate Langdon, novamente interpretado por Evan Peters, e Adelaide Langdon, vivida por Jamie Brewer, também reaparecem, mas recebem participações pouco expressivas e sem qualquer peso real para o desenvolvimento da trama.
É difícil entender qual era a intenção de reunir tantos personagens queridos quando a temporada não demonstra interesse em dar a eles histórias minimamente relevantes.
Uma aposta entre Deus e Satanás que não leva a lugar nenhum

A trama principal gira em torno de uma aposta entre Deus e Satanás: caso o Diabo conseguisse viver cem anos como um mortal, a Terra seria inteiramente sua. Naturalmente, a entidade responsável pelo caos não pretende respeitar as regras e passa a trapacear para alcançar seu objetivo mais rapidamente.
A premissa, por si só, até apresenta possibilidades interessantes para uma temporada de American Horror Story. O problema está na execução. O roteiro se perde em cortes desconexos, personagens introduzidos sem propósito e reviravoltas que parecem existir apenas para provocar alguma reação nas redes sociais.
Em vez de desenvolver os mistérios apresentados, a produção prefere recorrer à descaracterização de figuras conhecidas e à repetição de elementos que já não possuem o mesmo impacto. Alguns episódios são praticamente descartáveis, pois pouco ou nada acrescentam à narrativa principal.
Ben, o novo protagonista, por exemplo, apresenta um medo do número 13 que a série praticamente ignora durante toda a temporada. A questão só volta a receber atenção no episódio final, quando uma revelação tenta justificar o elemento, mas acaba criando ainda mais problemas para uma história que já estava longe de fazer sentido.
A cada episódio, acompanhar a trama se torna uma experiência mais cansativa. Personagens passam boa parte do tempo repetindo frases marcantes de suas temporadas originais, aparentemente reduzidos a referências, memes e possíveis cortes para TikTok e Instagram. A nostalgia, que deveria funcionar como um complemento à narrativa, acaba se tornando o próprio conteúdo.
Jeffrey Dahmer novamente? Ryan Murphy precisa superar essa obsessão

Outro problema está na utilização de personagens históricos e figuras controversas como ferramentas para provocar choque. Cordelia (Sarah Paulson) e Queenie (Gabourey Sidibe), por exemplo, parecem ter recebido uma espécie de marcador de morte: durante boa parte da temporada, suas participações se resumem a aparecer e morrer, sem que exista um desenvolvimento minimamente interessante para elas.
E, pelo amor dos deuses, alguém precisa avisar Ryan Murphy de que o público não precisa de Jeffrey Dahmer em absolutamente tudo.
O criador de “Monster: A História de Jeffrey Dahmer”, produção da Netflix protagonizada por Evan Peters, aparentemente considerou uma ótima ideia inserir novamente o assassino em “American Horror Story 13”, desta vez interpretado por outro ator. Em uma das cenas mais constrangedoras da temporada, ele mata Madison Montgomery (Emma Roberts), que ainda tem tempo de dizer que é uma honra ser a primeira garota assassinada por ele.
A escolha é questionável por diversos motivos. Não se trata de uma tentativa de ser excessivamente politicamente correto, mas de perguntar: onde está o respeito pelas famílias das vítimas? E pela própria comunidade LGBTQIA+, considerando que Dahmer assassinou diversos homens gays e pessoas negras?
Transformar um assassino em série conhecido por seus crimes brutais em mais uma referência de entretenimento, especialmente com uma abordagem que flerta com a glamourização de sua figura, demonstra uma falta de sensibilidade bastante preocupante. Murphy já explorou essa história em outra produção. Não havia necessidade de trazê-la novamente para uma temporada que já sofre com a falta de ideias próprias.
Uma mitologia que desrespeita a própria cronologia

Conforme a temporada avança, descobrimos que Ben é o Anticristo. A revelação, que deveria funcionar como um dos grandes momentos da história, acaba abrindo uma série de questionamentos sobre a própria mitologia da franquia.
Afinal, como essa existência se encaixa na história de Michael Langdon, que também era o Anticristo e esteve no centro dos acontecimentos de “Apocalypse”? A série parece não se importar muito com essa contradição. Curiosamente, o roteiro estabelece limitações para a existência de uma única Bruxa Suprema por linha do tempo, mas não demonstra a mesma preocupação quando o assunto são os Anticristos.
E as revelações ainda conseguem piorar a situação. Descobrimos que Constance e Fiona são irmãs gêmeas e filhas da Irmã Jude com Satanás, que também esteve presente em “Asylum” por meio do corpo da Irmã Mary Eunice (Lily Rabe). Uma conexão que, além de parecer extremamente conveniente, surge sem o desenvolvimento necessário para justificar sua existência.
Essa tentativa de Ryan Murphy de conectar todas as temporadas em uma única mitologia acabou produzindo justamente o efeito contrário: em vez de enriquecer o universo da antologia, expõe suas inconsistências e cria problemas para histórias que já haviam sido concluídas.
Transformar a Irmã Jude em uma figura ligada a Deus, por exemplo, é uma decisão que exige muito mais cuidado do que a série demonstra ter. A personagem possui uma trajetória própria, construída ao longo de “Asylum”, e sua utilização aqui parece ignorar boa parte do que tornou sua história interessante.
Nem toda conexão precisa ser explicada, nem todo personagem precisa retornar e, principalmente, nem toda reviravolta precisa transformar o passado da franquia para tentar parecer grandiosa.
COMPRE AQUI
Amazon Echo Show 8 (Geração mais recente) – Com novo design, tela vibrante HD de 8,7
Hollyland Lark M2 Microfone de Lapela sem Fio(2TX+3RX), Transmissão Sem Fio de 1000ft
Soundbar TCL com Subwoofer sem fio Bluetooth 2.1 Canais HDMI ARC S55H
O fim de uma era?

O encerramento de “American Horror Story 13” deixa uma impressão bastante desagradável: a de que a criatividade da equipe responsável pela série está se esgotando. Reunir personagens icônicos apenas para transformá-los em participações nostálgicas, mortes descartáveis e momentos pensados para viralizar nas redes sociais é desperdiçar o legado de uma produção que já entregou algumas das melhores temporadas do terror televisivo.
A própria Hulu deveria ter percebido que havia algo errado nessa proposta, mas, infelizmente, a série já foi renovada para uma 14ª temporada.
Resta esperar que, na próxima oportunidade, o Grindr entregue bons atores para Ryan Murphy, porque, se depender do que vimos aqui, nem mesmo seus nomes mais conhecidos e queridinhos parecem capazes de salvar uma história sem direção. E, considerando o fiasco desta temporada, não seria surpreendente se mais integrantes do elenco decidissem abandonar o barco.
“American Horror Story” já foi uma das antologias mais interessantes da televisão. Agora, parece cada vez mais preocupada em revisitar a própria nostalgia do que em contar histórias que realmente mereçam ser lembradas.
Imagem Destacada: Divulgação/Disney+



Sem comentários! Seja o primeiro.