História de Pinóquio ganha versão terror slasher sarcástica com enredo quase totalmente reimaginado
A clássica história de Pinóquio já foi contada de diversas formas anteriormente. Do romance original de Carlo Collodi, passando pela animação fofinha da Disney dos anos 1940, até a versão de Guillermo Del Toro na Itália fascista, a história ganhou várias interpretações. E não seria diferente na versão slasher “Pinóquio: Maldição de Madeira”, que aproveita muito pouco do enredo original e de interpretações anteriores para criar uma narrativa totalmente nova, que nem sempre funciona, mas que é salva por boas escolhas do diretor para o que se apresenta na tela. Confira a seguir a crítica do longa de Rhys Frake-Waterfield, com spoilers leves:
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O filme “Pinóquio: Maldição de Madeira” do diretor e roteirista Rhys Frake-Waterfield traz para a tela uma versão completamente nova da clássica história do boneco de madeira que quer se tornar menino. Na trama, após perder os pais e o melhor amigo, o jovem James (Cameron Bell) vai morar com seu avô Gepeto (Richard Brake). Para ajudá-lo a superar a dor, Gepeto apresenta o boneco Pinóquio a James, que ganha vida e se torna amigo do menino. Porém, Pinóquio desenvolve uma obsessão perturbadora por se tornar um menino de verdade, acreditando que precisa de partes de corpos humanos para isso.

O principal ponto fraco do filme é a maior inovação da história. Temos uma mudança completa da motivação de Gepeto para a criação de Pinóquio em relação à obra original e adaptações anteriores. A solidão deixa de ser a motivação do marceneiro, que tem como objetivo o poder do controle da vida e da morte, construindo bonecos com base em conhecimentos ocultos e antigos. Ainda que essa premissa seja o que transforma Pinóquio em um slasher em busca de partes de corpos, é algo já muito explorado em filmes de terror.
Para não dizer que o roteiro é inteiramente ruim, ele ganha pontos exatamente quando não se leva tão a sério como um filme slasher. Como de cara já sabemos quem está matando e a motivação, as cenas mais cômicas que abusam do grotesco e do gore são bem encaixadas, e podem conquistar fãs de franquias que desenvolvem bem esse recurso, como “A Morte do Demônio” (Evil Dead). Há que se destacar também que a abordagem de um Pinóquio mal, que faz tudo para atingir seu objetivo, contribui e muito para o bom encaixe dessas cenas.

O sucesso do filme como terror slasher é potencializado pela escolha inteligente da direção em priorizar o uso de animatrônicos, deixando o CGI para momentos pontuais. Além disso, a fotografia faz um bom trabalho nas transições entre os momentos de conto de fadas obscuro dos subterrâneos da casa para as cenas cheias de sangue e violência. O trabalho de maquiagem e efeitos visuais práticos até tem falhas pontuais, mas o resultado final é garantia de entretenimento.

A boa qualidade técnica não foi acompanhada por boas atuações, principalmente no núcleo adolescente. O coprotagonista Cameron Bell nem de longe se parece com alguém vivenciando o luto. Nem mesmo o experiente Richard Brake (“Os Estranhos: Capítulo Final”) conseguiu gerar alguma empatia ou trazer alguma carga mais dramática ao Gepeto que tem como propósito de vida desvendar o segredo da imortalidade. Os únicos destaques positivos aqui são as excelentes dublagens de Robert Englund (o eterno Freddy Krueger) para o Grilo Falante e a de Jude Evan Lloyd para Pinóquio.
Em resumo, “Pinóquio: Maldição de Madeira” supera o roteiro raso quando se assume um filme de terror slasher, com cenas debochadas e bem executadas tecnicamente. Em tempos de Inteligência Artificial e o excesso de uso de CGI, apostar em efeitos visuais práticos é um verdadeiro ato de resistência.
Imagem Destacada: Divulgação/A2 Filmes







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