E se uma plataforma determinasse o seu destino? Na obra “O Silêncio dos Livros”, um programa influencia, de forma aleatória, as decisões de seus usuários

Muitos sabem que “Black Mirror” faz uma crítica social com um salto pela contemporaneidade: são diversos os episódios que mostram um futuro no qual plataformas monitoram e controlam o modo de vida de seus usuários. Como em “Nosedive – Queda Livre” (1° episódio da terceira temporada), em que todos buscam constante aprovação nas mídias sociais, pois é a partir dessas avaliações nas redes que se define se alguém é bem aceito ou não na sociedade. Então, surge a constatação: junto com os inúmeros benefícios de cada avanço tecnológico, vem a possibilidade de seu uso para finalidades manipuladoras ou mesmo destrutivas.

Partindo de premissas semelhantes, mas num cenário que, apesar de futurista, não é tão distante da nossa realidade, a obra “O Silêncio dos Livros”, do promotor, fotógrafo e doutor em Ciências jurídicas Fausto Panicacci leva o leitor a refletir sobre como seria a humanidade se os livros fossem proibidos e a tecnologia controlasse os modos de vida de cada um.

Nesse universo distópico em que os possuidores de livros são considerados criminosos, um aplicativo randômico determina parte da vida das pessoas: sob a justificativa de tirar “o peso das responsabilidades pelas escolhas”, tal plataforma digital permite que seus usuários deleguem a ela a tomada de decisões cruciais – desde saber “se ama” alguém, até se deve ou não matar um vizinho. E, tornando o ambiente ainda mais sombrio e opressivo, um estranho sistema judicial usa algoritmos para decidir se alguém será solto ou permanecerá preso por décadas.

“O Silêncio dos Livros” carrega profundas reflexões sobre paradoxos da condição humana, num cenário em que o pensamento totalitário busca controlar a Literatura e demais formas de expressão artística, e, assim, o pensamento. Romance literário que trata de amor, amizades, egos, dores latentes e cicatrizes, “O Silêncio dos Livros” é, sobretudo, uma autêntica declaração de amor à Literatura, e uma aposta em que, através dela, ainda podemos nos colocar no lugar do outro, de forma a melhor compreender a diversidade e complexidade do ser humano.