Estrelado por Giulia Be e Any Gabrielly, longa de Diego Freitas transforma dez cartas deixadas por uma amiga em uma jornada emocionante sobre aprender a viver após uma perda
Inspirado no livro homônimo de Fernanda de Castro Lima, “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você”, dirigido por Diego Freitas, teve pré-estreia nesta quarta-feira (7), no Festival do Rio, em sessão especial no Cine Odeon. Com 106 minutos de duração, o longa chega aos cinemas em 29 de outubro e reúne Giulia Be, Any Gabrielly, Regiane Alves, Pâmela Germano, Sheron Menezzes, Juliano Floss e Daniel Rangel.
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Duas amigas, personalidades opostas
Julia (Giulia Be) e Gabi (Any Gabrielly) são amigas desde a infância, mas encaram a vida de maneiras diferentes. Extrovertida e impulsiva, Julia se entrega às experiências; Gabi, mais reservada, teme sair da própria zona de conforto. As diferenças, porém, não as afastam: as duas se completam, e Julia parece ter uma vontade de viver capaz de arrastar a amiga para fora de seus receios.
Tudo muda quando uma mentira desencadeia uma tragédia, e Gabi perde sua pessoa favorita. Em meio ao luto, ela revive a culpa e a frase de Lili (Regiane Alves): “A Julia só está ali porque você mentiu. A culpa é sua”. Além da ausência, pesa a sensação de não ter dito à amiga o quanto a amava e o quanto ela era importante.
A virada acontece quando Gabi descobre dez cartas que Julia deixou antes de morrer. Cada uma traz um desafio para ajudá-la a continuar vivendo: pular de paraquedas, aprender a dançar, distribuir abraços, se apaixonar, realizar o sonho de alguém e cantar em público estão entre as tarefas. A proposta não é apagar a dor nem esquecer quem partiu, mas seguir adiante levando essa presença consigo.
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A amizade que abre espaço para recomeçar
Ao se aproximar de Lorena (Pâmela Germano), uma repetente que conhece de maneira inesperada após um desentendimento em sala de aula, Gabi encontra alguém com quem dividir a experiência da perda. A nova amiga compara as cartas a um pingente que recebeu da mãe e explica que os objetos não existem para manter o sofrimento vivo, mas para ajudar a seguir em frente. As cartas tornam-se lembranças que acompanham Gabi sem impedi-la de construir novas experiências.
“As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” encontra força justamente nessa mensagem. A jornada da protagonista mostra que o luto não precisa significar um fechamento completo para o mundo e que novas amizades, paixões e descobertas não diminuem o valor de quem morreu. Pelo contrário, seguir em frente também pode ser uma forma de preservar aquilo que aquela pessoa representou.
O elenco funciona bem, com destaque para a dinâmica entre Giulia Be e Any Gabrielly, responsável por sustentar emocionalmente a relação central. A conexão entre as duas é fundamental para que a ausência de Julia continue sendo sentida ao longo da história.
A trilha sonora também merece destaque, reunindo músicas de Billie Eilish, Giulia Be e outros artistas. As escolhas ajudam a reforçar a dimensão emocional da narrativa e acompanham bem os momentos de descoberta, saudade e transformação vividos por Gabi.

Entre lágrimas e novos começos
“As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” emociona ao falar de culpa, saudade e da dificuldade de continuar após uma perda. Ao mesmo tempo, não abandona o humor e os momentos leves, equilibrando a tristeza com situações capazes de trazer respiro à narrativa.
A mensagem sobre aproveitar a vida aparece nos desafios que Gabi enfrenta e na maneira como, aos poucos, volta a se permitir sentir. Cada tarefa deixada por Julia funciona menos como uma lista a ser cumprida e mais como um empurrão para que a protagonista volte a olhar para o mundo ao redor.
O longa também acerta ao não tratar o luto como algo que simplesmente desaparece. A dor permanece, mas começa a dividir espaço com novas experiências, relações e possibilidades. Essa escolha torna a jornada de Gabi mais humana e ajuda a evitar que a história transforme o recomeço em um processo rápido ou simples.
No fim, “As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você” funciona como um convite para sair da zona de conforto, acolher novas possibilidades e demonstrar afeto enquanto ainda há tempo. A experiência é intensa, capaz de arrancar risadas e muitas lágrimas, mas encontra justamente nesse equilíbrio sua maior força.
Se a ideia é assistir sem se emocionar, vale levar uma caixa de lenços.
Imagem Destacada: Divulgação/Paris Filmes



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