“Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” (Mário Quintana)

 

Todo leitor de carteirinha entende que a leitura transforma vidas. Muitas vezes, em certas situações, funciona, inclusive, como um remédio, que em doses homeopáticas, vai chegando de mansinho, trazendo a cura interior. Outras vezes, funciona como uma terapia e dá refrigério à alma. A literatura como terapia, aliás, é uma das melhores coisas criadas nos últimos tempos. E foi da união dessas duas coisas que surgiu a Biblioterapia, uma forma de tratar as mazelas da vida por meio do efeito terapêutico da leitura.

A palavra Biblioterapia é um substantivo feminino e sua origem vem da junção de dois elementos de origem grega: biblíon (livro) e therapeía (terapia). De acordo com o Dicionário Online de Português, é o “emprego de leituras selecionadas como adjuvantes terapêuticos no tratamento de desordens nervosas”. De forma mais prática, seria o tratamento de doenças com o auxílio da leitura. Pode até parecer algo novo, moderno, mas o termo foi criado no início do séc. XX, pelo norte-americano Samuel Crothers, num artigo publicado em 1916, no qual se refere à Biblioterapia como uma nova ciência.

Viajando um pouco na história, vemos que a leitura é utilizada como um método terapêutico desde o Egito antigo. As bibliotecas egípcias ficavam em templos conhecidos como “Casas de Vida”, lugar de conhecimento e espiritualidade. Foi nessa época que o Faraó Rammsés II ordenou que fosse escrito na fachada de sua biblioteca a frase “Remédios para a Alma”.
Já, na Idade Média, as leituras da Bíblia apareceram como processo de cura nos hospitais e o Alcorão era usado no Cairo como método terapêutico suplementar.
Existem também informações de que, durante o período da Primeira Guerra Mundial, o recurso ao poder terapêutico dos livros floresceu quando foram criadas bibliotecas nos hospitais de campanha. Mais tarde, no fim da Segunda Guerra, a mesmo voltou a acontecer. Alguns médicos passaram a recomendar a leitura a veteranos que sofriam de estresse pós-traumático para que relaxassem. Em meados de 1800, o médico norte-americano Benjamin Rusch praticava os princípios da biblioterapia não apenas em pacientes com transtornos psiquiátricos e idosos, mas também com conflitos internos, que implicam em melancolias, medos, ansiedades e manias, utilizando a leitura selecionada e adaptada de acordo com a necessidade individual no tratamento de cada paciente hospitalizado. E, no final do séc. XVIII, os livros foram introduzidos no tratamento para pacientes com transtornos psiquiátricos na França, na Inglaterra e na Itália.

Agora, trazendo para os dias de hoje, é conhecida como uma técnica que utiliza a literatura como terapia para questionar e responder as angústias da vida. É um método em que o profissional pode ir muito além da leitura de livros, podendo utilizar qualquer tipo de material bibliográfico para um melhor aproveitamento. Ele pode empregar a contação de histórias, letras de músicas e até textos teatrais como ferramentas terapêuticas. Isso vai, claro, de acordo com as necessidades de cada paciente com seus problemas emocionais, sociais e físicos.

Nas aventuras contadas em livros de ficção, por exemplo, a leitura pode levar a pessoa a se familiarizar com alguma situação do texto e, também, a se colocar no lugar do protagonista da história. É um processo de identificação o qual o indivíduo interioriza aspectos do personagem, experimenta situações que na vida real acha que não vai suportar e atribui a si mesmo qualidades deste “herói”, incorporando-as como se fossem suas.

O método pode ser aplicado em pessoas que estão hospitalizadas; em crianças e jovens, nas escolas e abrigos; em idosos que vivem em instituições para a 3a idade; em adultos encarcerados em penitenciárias; e ainda pode beneficiar pessoas com limitações ou necessidades especiais e dependentes químicos.

Como formação, existem cursos livres ou de extensão e também graduação e pós-graduação em faculdades.

Existem três tipos de Biblioterapia:
Clínica, institucional e desenvolvimento pessoal, para atender às necessidades individuais dos pacientes.

Vejamos as definições
– Biblioterapia Clínica:
Busca trabalhar com os problemas de comportamento social, moral, emocional, físico. É realizada em hospitais, clínicas e organizações de apoio psicológico e psiquiátrico. Tem como objetivo principal fazer com que os pacientes modifiquem suas atitudes e comportamentos, solucionando ou melhorando os problemas apresentados. Pode ser estruturado e aplicado por médicos, bibliotecários, terapeutas ocupacionais e psicoterapeutas, ou até por uma equipe multidisciplinar.
– Biblioterapia Institucional:
É aplicada em grupo ou individual, por meio de uma equipe de profissionais. O objetivo é auxiliar no desenvolvimento pessoal, na tomada de decisão e reorientação de um comportamento conforme o objetivo definido para o trabalho, fornecendo literatura sobre o assunto. Esta terapia pode ser aplicada por médicos, educadores, assistentes sociais e bibliotecários treinados, dependendo do trabalho a ser desenvolvido.
– Biblioterapia de desenvolvimento pessoal:
É uma assistência personalizada, específica para cada situação, de cada paciente. Auxilia no desenvolvimento normal e progressivo do indivíduo que está a procura de soluções. Sua finalidade é auxiliar em tarefas comuns e também a lidar com problemas do dia a dia, para melhorar o desenvolvimento pessoal. Tem o o caráter preventivo e corretivo. É utilizada em instituições educacionais, para a identificação de futuras e possíveis fontes de problemas e é realizada por bibliotecários, educadores e assistentes sociais.

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Então, fique ligadinho aqui na nossa coluna porque nas próximas semanas vamos trazer mais informações e indicações de livros e cursos sobre essa arte tão interessante.