Paul – Holly, estou apaixonado por você.

Holly – E daí?

Uma moça caminha pela quinta avenida, em Nova York. Ela está bem vestida e usa seus cabelos presos em um coque arrumado. Com um tubinho preto e luvas longas, ela segura um croissant até mordê-lo em frente à vitrine da Tiffany’s. Parece familiar? E é. Bonequinha de Luxo é um clássico do cinema, não por um particular brilhantismo cinematográfico, mas pela sua boa história e pela competência da carismática Audrey Hepburn na pele de Holly Golightly.

Adaptado da obra de Truman Capote, “Bonequinha de Luxo” está na lista daqueles filmes icônicos, aqueles que até os objetos colocados pela direção de arte são memoráveis (quem consegue esquecer o sofá-banheira?). Mas por quê? Além do que já foi falado, o que há nesse filme de mágico?

Recentemente vimos em “La La Land” que os finais felizes não são lá mais tão felizes assim. De certa forma, a nova geração carrega um suave tom de sarcasmo e cinismo (um pouco distante do humor dos baby boomers), banhado pela quebra do “sonho” do jovem millennial. Aquele que chegou ao mercado de trabalho esperando ser o presidente da empresa, quando não se sente qualificado para ocupar um cargo júnior.

Holly foi concebida antes da quebra do mundo lógico sofrida pelos nascidos após 1982 (a personagem original é dos anos 40). Holly Golightly é prostituta. Mora em um apartamento praticamente sem móveis. Seu maior companheiro é seu gato, a quem ela chama, ora ora, de cat. Mas o filme é leve, mesmo em seus momentos possivelmente mais melancólicos ele não é gráfico ou hiperssexualizado para o lado da Holly, que conhece um jovem escritor bancado pela amante.

Holly: Figura Unapologetic do Cinema

Apesar das frustadas tentativas de casar-se com um milionário, Holly persiste e mantém a atmosfera de esperança. A simples cena do croissant em frente à vitrine representa a não desistência do que quer que seja. Distante de moralismos, a personagem de Holly é unapologetic, ela é DELA, não se importa com opiniões externas e se distancia de qualquer figura engessada do que representa dignidade e bons costumes. Os costumes dela não são bons – fuma, dá festas regadas à bebida, é materialista – mas pouco importa. O carisma da personagem que é lindamente vestida pela Audrey Hepburn reside justamente nisso.

No conto original não há final feliz com romance e a Holly sai dos Estados Unidos sem que saibamos o seu destino. Mesmo com o verniz hollywoodiano do filme, Holly é uma heroína com cara de anti que se coloca em primeiro lugar. Não pede desculpas por ser quem é e mesmo com os tombos da vida, permanece centrada em seus objetivos pessoais.

Holly Golightly está na Netflix e é facilmente encontrada na sessão de dvds de qualquer loja. Bom café da manhã com Audrey e hasta la vista.

Para finalizar, fica aqui Audrey com a música tema do filme:


Por Érika Nunes


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