“Cinco Segundos” começa arrastado, encontra força no meio e entrega um impacto honesto, ainda que irregular
O novo filme de Paolo Virzì, “Cinco Segundos” (“Cinque Secondi”), é daqueles casos curiosos em que a experiência do espectador muda completamente ao longo da projeção. O início é lento, talvez lento demais, e pode afastar quem espera uma narrativa mais direta. Mas, com o tempo, o filme encontra seu eixo e revela uma história mais profunda do que aparenta nos primeiros minutos.
A trama acompanha Adriano Sereni, interpretado por Valerio Mastandrea, um homem amargurado, preso a um estado constante de insatisfação. Nos primeiros 20 minutos, pouco se entende sobre o rumo da história. Adriano apenas existe em cena, reclama de tudo, demonstra indiferença pela própria vida e não estabelece uma conexão imediata com o público. É um começo que soa vazio, quase como se o filme ainda não tivesse decidido o que quer ser.
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A virada acontece quando surge a sequência da audiência, o momento em que Adriano está sendo julgado. É ali que a narrativa finalmente se revela. O espectador começa a entender que há algo mais profundo por trás daquele comportamento apático, e o interesse cresce naturalmente. A partir desse ponto, o filme ganha força, criando um envolvimento que antes não existia.
Com o desenvolvimento, outros personagens entram em cena, especialmente o grupo de jovens que ocupa a propriedade na Toscana tentando revitalizar um vinhedo abandonado. Entre eles, Matilde, vivida por Galatéa Bellugi, se destaca. Grávida e aparentemente indiferente à própria situação, ela provoca desconforto em Adriano e, ao mesmo tempo, desperta nele um sentimento quase paternal. Essa relação se torna um dos pilares emocionais do filme.
O roteiro ganha ainda mais densidade quando os filhos de Adriano são introduzidos. É nesse momento que a história realmente se estrutura e o contexto do julgamento passa a fazer sentido. A condução de Virzì se mostra eficiente ao transformar o que parecia um drama disperso em uma narrativa emocionalmente carregada, explorando temas como culpa, paternidade e silêncio emocional.

Tecnicamente, o filme entrega o básico com competência. A fotografia de Luca Bigazzi aproveita bem a ambientação rural da Toscana, criando um cenário coerente com o tom introspectivo da história. A trilha sonora, assinada por Carlo Virzì, é econômica, mas funciona quando aparece, especialmente nos momentos mais sensíveis, sem exageros, mas com intenção clara.
No elenco, Galatéa Bellugi se destaca com uma presença consistente, sustentando bem sua personagem ao longo da trama. Por outro lado, nem todos os personagens têm o mesmo peso. A participação de Valeria Bruni Tedeschi, por exemplo, soa dispensável. Sua personagem pouco acrescenta à narrativa, e sua ausência dificilmente faria diferença no resultado final.
No fim, “Cinco Segundos” é um filme simples, que encontra sua força no emocional, mas que sofre com um início pouco envolvente e algumas escolhas narrativas questionáveis. Ainda assim, quando finalmente se conecta com o público, entrega momentos sinceros e uma história que, apesar das falhas, consegue deixar sua marca.
Filme assistido no 2º Festival de Cinema Europeu Imovision
Imagem Destacada: Divulgação/Festival de Cinema Europeu Imovision

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