Em “Querendo ou Não”, drama italiano transforma rotina quebrada em uma reflexão sensível sobre família, solidão e recomeços
Dirigido por Gianni Di Gregorio, “Querendo ou Não” (“Come ti muovi, sbagli”) parte de uma situação direta: um professor aposentado vive sozinho até que sua filha aparece, acompanhada dos filhos, após uma crise no casamento. A partir desse momento, a rotina tranquila que ele levava deixa de existir.
O início passa uma sensação de familiaridade, como se o filme fosse seguir um caminho já conhecido dentro desse tipo de história. Mas conforme a narrativa avança, ele encontra sua identidade ao trabalhar os personagens com mais calma e atenção. O roteiro, escrito por Di Gregorio ao lado de Marco Pettenello, não tenta impressionar pela complexidade, e sim pela forma como observa o cotidiano.
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O protagonista, que muitas vezes é chamado apenas de professor, pai ou avô, representa alguém que construiu uma rotina confortável dentro da própria solidão. A chegada da filha e dos netos quebra esse equilíbrio. Ele demonstra incômodo, dificuldade em lidar com a mudança, mas ao mesmo tempo não se afasta. Esse comportamento sustenta boa parte do filme. A relação com os netos cresce aos poucos, com naturalidade, e o vínculo com a filha ganha novas camadas ao longo da convivência.
A força do filme está nessa construção gradual. Não há pressa em transformar os sentimentos, e isso faz diferença. O apego surge em situações simples, no dia a dia, em pequenos gestos que vão mudando o olhar do protagonista. O que começa como uma obrigação acaba se transformando em algo essencial para ele.
A trama também acompanha Helmut, interpretado por Tom Wlaschiha, conhecido por “Stranger Things” e “Game of Thrones”. Ele é o marido de Sofia, vivida por Greta Scarano, e o responsável pela crise que desencadeia toda a história. Sua presença na narrativa amplia o olhar do filme sobre relações e consequências.
Outro ponto importante é a presença de Giovanna, interpretada por Laia Forte. Ela é amiga do protagonista e demonstra um sentimento que vai além da amizade. A relação entre os dois é trabalhada com sutileza, ampliando o tema da solidão e sugerindo que ainda existe espaço para novas conexões, mesmo em uma fase mais avançada da vida.

A direção de Di Gregorio mantém um tom equilibrado, sem exageros. Existe uma sensação constante de proximidade com os personagens, como se o filme observasse situações comuns com cuidado. A fotografia de Maurizio Calvesi contribui para essa atmosfera mais intimista, enquanto a trilha sonora de Ratchev & Carratello acompanha o ritmo da história com discrição.
“Querendo ou Não” segue até o fim fiel à sua proposta. É um filme que aposta na simplicidade e consegue sustentar isso com consistência. Ele não busca grandes momentos de impacto, mas constrói uma experiência baseada nas relações e na forma como elas evoluem.
No fim, o que fica é a percepção de que a mudança, mesmo quando desconfortável, pode revelar algo que estava faltando. O filme encontra seu valor justamente nessa observação direta da vida, sem precisar exagerar para emocionar.
Filme assistido no 2º Festival de Cinema Europeu Imovision
Imagem Destacada: Divulgação/Festival de Cinema Europeu Imovision

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