Continuação atualiza universo da moda para 2026 e levanta discussões sobre poder, mídia e transformação do mercado
Alerta de spoilers! Este texto contém revelações completas do enredo, twists e final de “O Diabo Veste Prada 2” (2026). Se você ainda não assistiu, pare agora.
O filme, dirigido novamente por David Frankel e escrito por Aline Brosh McKenna (a mesma dupla do original de 2006), chega 20 anos depois e não é apenas uma continuação nostálgica. Ele atualiza o universo da Runway para o mundo real de 2026: crise da mídia impressa, pressão por lucro, IA substituindo criatividade humana e o choque entre jornalismo de qualidade versus “conteúdo” barato. Muita gente saiu do cinema comentando que “não entendeu” certos pontos, achou o enredo “forçado” ou “repetido”. Na verdade, o filme explica tudo, mas de forma sutil, com diálogos rápidos e referências visuais.
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1. Por que Emily vira a “vilã” do filme? (E não, não é forçado)

Muitos saíram achando que a reviravolta de Emily (Emily Blunt) foi “do nada”. Na verdade, o filme planta a semente desde o começo: Emily nunca perdoou Miranda por tê-la “empurrado” para a Dior anos atrás (depois dos eventos do primeiro filme). Ela construiu uma carreira de sucesso no varejo de luxo, mas carrega ressentimento profundo. Quando surge a chance de comprar a Runway junto com o namorado bilionário Benji (Justin Theroux), ela finge ajudar Miranda e Andy para, na verdade, tomar o controle e demitir Miranda.
A cena da revelação em Milão (com imagética clara de “Judas e Última Ceia”) é intencional: é a vingança pessoal de Emily. Miranda responde com a frase icônica: “Você não é uma visionária, você é uma vendedora”. O público que não entendeu isso provavelmente perdeu o flashback sutil de como Miranda a tratou no passado. É o famoso ciclo completo de “o que vai, volta”.
2. Miranda não está “fraca”, ela está evoluindo (e o filme mostra isso de propósito)

Várias pessoas reclamaram que Miranda Priestly (Meryl Streep) “perdeu a força” e até viajou de classe econômica. E isso não tem nada a ver com erro de roteiro, pois o filme mostra exatamente o quanto o mundo mudou. A Runway está em crise de imagem (por causa de uma matéria sobre fast fashion que Miranda aprovou e que deu backlash), o presidente Irv Ravitz morre e o filho Jay (B.J. Novak) quer transformar a revista em “conteúdo barato”. Miranda voa de coach porque o orçamento foi cortado.
Ela tem momentos de vulnerabilidade (inclusive uma cena cômica em que ameaça “se matar” — mas esclarece que é só ela mesma, nunca os outros), mas isso humaniza a “diaba”. No final, ela reconhece o valor real da equipe (Andy e Nigel) e luta pelo que realmente importa: integridade editorial, não só poder. É o arco de crescimento que o público achou “fraco”, mas que reflete o tema central do filme: ninguém é intocável em 2026.
3. O papel secreto de Nigel (e por que ele ganha o momento dele)

Muita gente não percebeu ou não conectou: foi Nigel (Stanley Tucci) quem mandou a mensagem para Irv Ravitz sugerindo trazer Andy de volta. Ele sempre foi o pilar invisível da Runway. No final, Miranda finalmente dá a ele o holofote (discurso em Milão) e Andy descobre a verdade. É a redenção dele depois de anos sendo o “braço direito fiel”. O filme usa isso para mostrar que lealdade e visão de longo prazo importam mais que ambição cega.
4. Quem é o verdadeiro vilão? (Não é só a Emily)

Aqui está o ponto que muita gente perdeu: o vilão não é uma pessoa, é um sistema. Jay Ravitz representa a ganância corporativa, o corte de custos, a substituição de jornalismo por IA e “conteúdo”. Benji é o bilionário “salvador” que na verdade quer controle. Até a própria Emily vira ferramenta desse sistema.
A solução vem de Sasha Barnes (Lucy Liu), ex-mulher de Benji e bilionária “benevolente” que compra a Runway e dá controle criativo total para Miranda e sua equipe. O filme critica abertamente a era do “tudo vira conteúdo” e defende o valor da moda e do jornalismo como arte humana.
5. O final não é “todo mundo vira amigo”

Andy publica o exposed que Miranda autoriza (“As pessoas precisam saber que há um custo”). Ela fica na Runway com propósito real, equilibra vida pessoal e profissional. Miranda ganha promoção e respeito mútuo. Emily fracassa, mas o filme não a destrói completamente (há espaço para redenção futura).
Parece “feliz demais”? É intencional. Depois de 20 anos, o filme diz que as “diabas” e as “Andys” podem (e precisam) se unir para salvar o que realmente importa. Há até uma homenagem visual a Working Girl no último plano.
No fim, O Diabo Veste Prada 2 entrega uma sequência sólida que atualiza os personagens, mantém o espírito do original e reforça a mensagem sobre preservação do jornalismo, da moda como arte e da criatividade humana em tempos de corporativismo e IA. Quem saiu confuso pode ter ido esperando apenas humor leve e figurinos, perdendo as camadas mais profundas sobre o mercado atual.
Vale a pena rever prestando atenção aos detalhes. O diabo ainda veste Prada e continua no comando.
Imagem Destacada: Divulgação/20th Century Studios
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