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Crítica

Crítica: 007: Sem Tempo Para Morrer

007: Sem tempo para Morrer
Imagem: Divulgação/MGM/Universal Pictures

Quando o ator Daniel Craig foi escolhido para dar vida a James Bond, grande parte da crítica não viu com bons olhos essa escolha. O principal ponto de questionamento era que faltava nele a elegância e o carisma tradicionais do 007. Cinco filmes depois, o ator conquistou seu espaço exatamente pela desconstrução do personagem, que valoriza muito mais as habilidades profissionais do agente do que seu poder de sedução. A despedida de Craig do personagem enfim chega esse ano com “007: Sem Tempo Para Morrer”. E que despedida!

Imagem: Divulgação/Universal Studios/MGM

O filme começa com uma bela sequência de cenas sobre o passado de Madeleine (Léa Seydoux) que nos apresenta também o vilão do filme, Safin (Rami Malek). Ela está muito feliz nas férias românticas com o aposentado agente James Bond. Mas tamanha calmaria logo é interrompida por um atentado e pelo pedido de ajuda do amigo Felix Leiter (Jeffrey Wright), da CIA, numa missão de resgate do cientista Valdo Obruchev (David Dencik), sequestrado por uma rede criminosa que eles tentam descobrir qual é.

007: Sem Tempo para Morrer
Imagem: Divulgação/MGM/Universal Pictures

E já de cara, temos o primeiro acerto filme: um roteiro competente que se concentrou numa abordagem muito mais intimista e emocional dos personagens do que estamos acostumados. Além disso, mais uma decisão acertada é retomar diretamente os eventos de “Spectre” e amarrar as pontas soltas e desenvolver mais o potencial da organização criminosa. Não há grandes inovações ou recursos narrativos mirabolantes, mas conta uma boa história entre um alívio cômico ou outro.

O elenco todo está muito bem. Do trio de protagonistas Craig, Seydoux e Malek até os coadjuvantes com pouco tempo de tela, todo mundo fez um ótimo trabalho. Mas cabe dar destaque para Malek como o vilão Safin, que soube dosar muito bem a frieza e a dor do personagem, por ter sido vítima do próprio pai na infância.

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Imagem: Divulgação/MGM/Universal Pictures

As novas agentes Paloma e Nomi, interpretadas por Ana de Armas e Lashana Lynch, respectivamente, trazem um frescor para a dinâmica da espionagem com ótima química com James Bond. Nomi, inclusive, é a 007 designada e gosta de dizer que é “apenas um número”. Isso deixa completamente em aberto quem será o próximo agente, que pode ser até mesmo uma mulher.

Daniel Craig vive a experiência mais emotiva de sua história como James Bond. Fica claro pela entrega em cena, que o ator desfrutou de cada momento como 007. Vive com a máxima intensidade o dilema entre continuar salvando o mundo ou se dedicar integralmente ao amor e à vida em família. James Bond sai de cena de forma épica, valorizando ainda mais o que o Bond de Craig representa.

007: Sem Tempo para Morrer
Imagem: Divulgação/MGM/Universal Pictures

A direção de Cary Joji Fukunaga faz um belo resgate de elementos de filmes mais antigos da franquia. Em “007: Sem Tempo Para Morrer”, temos cenas de ação beirando o ridículo, da mesma forma como acontecia na era Roger Moore. Além disso, coloca todo tipo de armas nos confrontos, muitos tiros e explosões. Mas consegue equilibrar bem as transições para momentos mais intimistas e até mesmo engraçados. Uma direção consistente porém simples, mas que faz o suficiente para manter o espectador atento por duas horas e quarenta e três minutos.

Leia também: “007: Sem Tempo Para Morrer” Pode Passar por Refilmagens por Estar “Datado”

Na parte técnica, o grande destaque de “007: Sem Tempo Para Morrer” é a fotografia. É interessante notar a opção por tons mais quentes e claros quando Bond interage com Madeleine, criando uma atmosfera de afeto. Em certas ocasiões, destaca bem ambientes e objetos que são pistas e referências para o que vem a seguir.

Mas tamanha beleza da fotografia não se destacaria sem a trilha sonora envolvente de Hans Zimmerman. Aliás, a música-tema, uma das marcas registradas da franquia, é mais um destaque positivo do longa. Lindamente interpretada por Billie Eilish, “No Time To Die” emociona e nos faz querer esquecer de Sam Smith em “Spectre”. Em resumo, a despedida de Craig é emotiva e grandiosa, ao mesmo tempo em que abraça referências de outros tempos sem medo de se entregar ao ridículo em certos momentos.

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Vídeo: Divulgação/Universal Pictures Brasil

007: Sem tempo para Morrer
Crítica: 007: Sem Tempo Para Morrer
Sinopse
Bond deixou o serviço ativo e está desfrutando de uma vida tranquila na Jamaica. Sua paz não dura muito quando seu velho amigo Felix Leiter, da CIA, aparece pedindo ajuda. A missão de resgatar um cientista sequestrado acaba sendo muito mais traiçoeira do que o esperado, levando Bond à trilha de um vilão misterioso armado com nova tecnologia perigosa.
Prós
Bela fotografia
O elenco inteiro atuou muito bem
Trilha sonora e música-tema envolventes
Direção privilegiou um James Bond mais intimista e emotivo
Contras
O filme pode ser muito longo para quem não é fã do 007 de Daniel Craig
O roteiro é competente, mas não é muito inovador
4.4
Nota
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Bibliotecária, doutoranda em História das Ciências, e das Técnicas e Epistemologia. Apaixonada por cinema, séries e cultura em geral. Sem Os Goonies talvez não estivesse por aqui.

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