Crítica (2): Animais Fantásticos e Onde Habitam

Colleen Atwood por “Animais fantásticos e onde habitam”

J.K. Rowling volta a nos convidar a sermos parte de seu maravilhoso e encantado mundo, onde bruxos, magia e objetos e animais mágicos ganham um novo lugar. Somos agora requisitados a ser parte de Animais Fantásticos e Onde Habitam.

Dessa vez, em lugar de Londres, temos Nova York, em lugar dos dias atuais, a década de 30. Newt Scamander é um excêntrico bruxo britânico que chega aos Estados Unidos com uma maleta cheia de animais mágicos e totalmente proibido pela presidente da magia do país. Seu jeito desastrado acaba chamando atenção da ex-auror Porpentina Goldstein, que termina o colocando bem no meio da sociedade bruxa americana.

Enquanto os bruxos passam por momentos delicados devido ao preconceito dos “não-mágicos” (para quem conhece o vocabulário bruxo britânico é o mesmo que ser “trouxa”) e veem cada vez mais suas posições serem ameaçadas devido a onipresença do malvado Gerardo Grindelwald, que está foragido e escondido em algum lugar do planeta, Newt apenas quer proteger seus animais, contando com ajuda de Porpentina, sua irmã doce e distraída Queenie, e o não-mag Jacob Kowalski.

A história dessa vez se expande. Se no universo de Harry Potter o castelo de Hogwarts era a referência e Londres uma cidade apenas poucas vezes visitada, aqui toda a ação se passa em Nova York, com a escola dos EUA apenas citada rapidamente, e somos apresentados a uma nova comunidade de bruxos. Antecessor ao acontecimentos da sociedade britânica, vemos como os americanos são mais restritos e fechados as regras que impuseram.O roteiro de Rowling lembra seu próprio universo, já tratado em Harry Potter. Obviamente nomes famosos são citados, mesmo que não mostrados. Levar a história para os Estados Unidos foi uma boa jogada, uma vez que renova o espaço em que ocorre e traz uma nova perspectiva ao mundo bruxo, distribuindo-o.

Ao invés de três protagonistas, agora são quatro: Newt, egocêntrico e meio esquisito, tem um “Q” para problemas somado ao especial potencial de estar no lugar errado e na hora errada também, é feito pelo ator Eddie Reymane em circunstâncias que misturam os bons momentos de sua interpretação e os trejeitos típicos que ele têm em quase todos seus personagens. Katherine Waterston, que interpreta a prudente e responsável Porpentina, e Alison Sudol, a doce e distraída Queenie, fazem ambas um bom trabalho com bruxas distintas entre si, mas com uma relação muito forte. Dan Fogler apresenta uma atuação satisfatória como o trouxa Jacob Kowalski, sendo o primeiro personagem co-protagonista do universo bruxo que não é, pelo menos não nesse filme, um feiticeiro.

O elenco conta ainda com Ezra Miller, como o adolescente atormentado Credence, com um personagem pequeno e pontual, que deve crescer durante os próximos filmes; Colin Farrel como Percival Gravez, que não tem o mesmo carisma dos vilões britânicos e o ator quase não consegue nos dizer a que veio. Há também outras atuações boas no filme e, em um certo momento, uma grande surpresa.

A fotografia segue o já conhecido ambiente lúdico, com destaque para a caracterização da década de 30. Ainda que seja em outro país, nos remete fortemente ao universo fascinante do qual muitos se lembram e é sempre esplendoroso voltar. Perde-se um pouco do encantamento a quantidade de efeitos especiais que foram utilizados, mas nada conseguirá estragar o filme.

Manter o diretor David Yates mostrou ser um acerto já que ele está, não só habituado com o universo de J.K, mas demonstra, através de sua direção respeitosa, que tem muito apreço por revelar o que têm em mãos com o profissionalismo que o projeto necessita para ser grande. Rowling divulgou que teremos 5 filmes, resta saber se Newt e companhia conseguirão ser tão carismáticos quanto Harry, Rony e Hermione foram e continuam sendo, e se poderão distanciar seus personagens dos criados pela autora anteriormente.

Animais Fantástico e Onde Habitam estreia dia 17 de novembro em todo Brasil.

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