12 de dezembro de 2019
Uma história de superação sem novidade

“Depois Daquela Montanha” (The Mountain Between Us, em inglês), adaptação do romance de Charles Martin, traz um drama de dois desconhecidos que, após caírem de avião no meio de um deserto gelado, lutam para sobreviver.

Alex (Kate Winslet – “Titanic” e “Beleza Oculta”) e Ben (Idris Elba “O Gângster” e “Torre Negra”) são dois desconhecidos que devido a uma tempestade tem seus voos cancelados. Alex, fotojornalista, precisa casar-se dia seguinte e Ben, um neurocirurgião, possui um paciente que precisa ser operado as pressas. Na tentativa de seguir com seu plano, Alex decide fretar um avião menor junto de Ben, seu mais novo conhecido.

A ideia que desde o início soa clichê, se confirma quando começam a aparecer complicações no voo e o avião enfim cai, configurando uma jornada de sobrevivência e superação. A direção de Hany Abu-assad (“Não me Esqueça Istambum” e “O Ídolo”) trata de mostrar ao expectador o quão desamparados estão os personagens com takes de belas paisagens inóspitas. Uma tentativa de agregar peso a trama. Porém os constantes clichês e o roteiro não tão denso acabam por dificultar esse trabalho.

Segue-se a trama que se constrói intercalando as dificuldades vividas, os momentos de superação e gaps da personalidade dos personagens, tentando agregar peso a construção dos mesmos. Se não fossem alguns recursos clássicos e repetitivos utilizados, talvez funcionasse, porém a exploração de dois protagonistas sendo um homem e uma mulher, a figura emotiva x figura racional acabam por soar meio artificial. Por vezes vemos Alex tentando adentrar no gélido interior de Ben, que possui celeumas em seu passado que vão sendo destrinchadas conforme o caminhar do enredo.

Salvos pela atuação da premiada Winslet e o não menos talentoso Idris que não caem na mesmice das atitudes heróicas, o filme se apoia na interpretação mais humana ao mostrar problemas de convivência e situações difíceis devido a falta de esperança e a divergência na tomada de decisão por ambos por conta de diferentes traços de suas personalidades.

Não se pode esquecer da figura do cão que acompanha o casal e que vem a funcionar como elo entre eles e, por vezes, um alívio cômico. Mesmo possuindo uma função de certa relevância na trama, ele também protagoniza uma cena inacreditável em que escapa de um puma com ferimentos insignificantes, contribuindo para a artificialidade do longa. Basicamente ele funciona como ponto de preocupação e motivação para que os protagonistas percorram alguns lugares a mais na paisagem. Mas por horas você irá se perguntar por onde anda e como é possível que sobreviva se não não vemos uma cena se quer que represente suas necessidades.

E como se quase nada tivesse acontecido, o enredo sai do drama para um romance que por pouco não convence o espectador. Em meio a tantas dificuldades e desesperanças, surge uma paixão entre Alex e Ben que vem a se tornar um problemático fio condutor do meio para o fim do enredo.

A fotografia de Mandy Walker (“Autrália”; “Estrelas Além do Tempo”) e a trilha de Ramin Djawadi (“Homem de Ferro”; “Game of Thrones”) fazem um trabalho harmônico e bem executado, que ajudam a manter o espectador interessado, mesmo depois de algumas cenas construídas de forma semelhante a de outros filmes, como “Amor sem Fronteira”.

Talvez um roteiro mais denso, personagens mais complexos e a escolha de situações menos clichês teriam dado ao filme mais credibilidade e coerência. Mas não é de hoje que o diretor  Hany Abu-assad vem entregando propostas nem tanto animadoras. Depois do interessante “Paradise Now” (2005), não tivemos grandes novidades vindas de “O Ídolo”, que sem sair do básico, possui a mesma ineficiência em prender o espectador. Se o diretor focasse menos no épico e tentasse tornar suas problemáticas menos clichês, poderíamos ser mais impactados por suas obras.


Por Isa Fernandes

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